Os resultados das aquisições feitas pela SLC Agrícola em meio ao “saldão” de terras no Brasil devem finalmente começar a aparecer. Nos últimos três anos, a companhia acrescentou o equivalente a uma BrasilAgro inteira ao seu portfólio, mas o tombo no preço das commodities freou o crescimento no balanço. Agora, esse cenário pode começar a se reverter.
“A inércia que levou a anos de sobreoferta e preços baixos agora finalmente parece estar se revertendo e levando a um novo ciclo de preços mais altos. As curvas de preços indicam uma tendência de alta”, escreveram os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, do BTG Pactual, em relatório distribuído a clientes nesta sexta-feira.
Diante da expectativa de um balanço global mais apertado entre oferta e demanda para produtos como soja, milho e algodão, os analistas esperam que, em 2027, a companhia tenha um crescimento de margem Ebitda pela primeira vez em três anos, impulsionada pela recuperação nos preços do algodão e de grãos.
A perspectiva é compartilhada pelo próprio CEO da SLC, Aurélio Pavinato, que espera melhora das margens no próximo ano em meio à melhora nos preços das commodities. Na visão dele, a trajetória de recuperação já começou.
Ao longo dos últimos dois meses, o preço do algodão subiu 17% e, o da soja, cerca de 10%. Apesar de essa alta de preços ter alguma correlação com a alta do petróleo, os analistas do BTG veem também fundamento nesse movimento.
Não estão sozinhos. Para outros analistas focados em agronegócio, os estoques globais têm apresentado uma redução significativa em relação aos últimos anos.
Segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), na próxima safra o mercado global de soja terá o menor superávit dos últimos cinco anos. No caso do milho, o consumo vai superar a produção em 24 milhões de toneladas, enquanto o balanço para o algodão ficará negativo em 5,3 milhões de fardos.
O tamanho do impacto
A reversão no ciclo das commodities pode trazer um impacto significativo para o balanço da SLC. Apenas com a melhora recente dos preços, a estimativa do BTG para o lucro da SLC em 2027 mais do que dobrou, chegando a R$ 763 milhões, refletindo tanto uma receita 6,2% maior, somando R$ 10 bilhões, quanto um Ebitda quase 18% maior, de R$ 2,9 bilhões.
“Se estivermos certos sobre a direção que os preços e as margens tomarão daqui para frente, a estratégia de manter as posições (carryover) poderá fazer ainda mais sentido no futuro”, destacam.
O único — e nada desprezível — risco a toda essa melhora é o El Niño. Ao longo dos anos, a ocorrência do fenômeno tem sido mais negativa do que positiva — contudo, a evolução da operação não pode ser ignorada no contexto de 2026.
“A SLC tem investido continuamente em tecnologia e irrigação para mitigar esses impactos. E, mais importante do que isso, hoje quase 100% da área está totalmente desenvolvida ou madura”, frisam os analistas.
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O BTG projeta um preço-alvo de R$ 23 para o papel, implicando um potencial de valorização de 52% em relação ao preço de tela.
Nesta sexta-feira, as ações da SLC sobem cerca de 1% na B3, cotadas a R$ 15,35. Em um ano, os papéis valorizaram 7,7%. A empresa está avaliada em R$ 7,5 bilhões.




