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Ela é herdeira da dinastia Vanderbilt. Agora quer reunir 800 parentes em um family office

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Bloomberg — Consuelo Vanderbilt Costin está separada por um século e seis gerações do homem que construiu uma das fortunas mais célebres dos Estados Unidos e deu origem a uma pequena parte de seu próprio patrimônio.

Ainda assim, ela decidiu montar um family office que espera transformar em um hub financeiro para os mais de 800 descendentes do magnata das ferrovias Cornelius Vanderbilt.

A nova empresa de investimentos de Costin, a House of Vanderbilt, administra por enquanto apenas o dinheiro dela, mas seu objetivo é atrair outras famílias como coinvestidoras, incluindo seus parentes Vanderbilt, a maioria dos quais ela não conhece.

Ela vê a empresa como uma forma de ampliar o potencial de realização de negócios do grupo, mas também de criar vínculos em torno de valores que, em tese, compartilham, como ambição e empreendedorismo, além de fortalecer o nome da família.

“Compartilhamos uma história extraordinária”, disse Costin, de 47 anos, em entrevista recente à Bloomberg News durante um almoço no Grand Brasserie, no Grand Central, a icônica estação ferroviária idealizada pelo patriarca da família.

“A House of Vanderbilt pode criar um novo ponto de conexão em torno de muitas das qualidades que construíram esse legado.”

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O portfólio da empresa de investimentos inclui a SohoMuse, uma plataforma de networking para modelos, atores e outros profissionais criativos fundada por Costin em 2015, e a Vanderbilt & Seewald Global Studio, uma aceleradora de negócios que adquire participações em marcas de estilistas emergentes.

Costin disse que pretende fazer mais investimentos nos setores de moda e tecnologia e contratou Julia Valentine, ex-chefe de operações da Mousse Partners, o family office dos fundadores da Chanel, para comandar a House of Vanderbilt.

O conselho consultivo da empresa inclui o ex-presidente da ESPN John Skipper e Salvatore Ferragamo Jr., integrante da dinastia italiana de calçados.

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Costin não quis informar quanto dinheiro a House of Vanderbilt administra atualmente nem revelar seu patrimônio líquido.

O tamanho atual da fortuna da família ampliada não está claro, e estimá-lo é difícil diante do tempo transcorrido e do número de ramos familiares que remontam ao magnata do século 19.

‘Dinheiro excedente’

O patrimônio de Cornelius Vanderbilt quando morreu, em 1877, valia cerca de US$ 100 milhões, segundo seu biógrafo T.J. Stiles, e a maior parte foi deixada para seu filho William. O montante equivale hoje a mais de US$ 3 bilhões em termos de poder de compra.

Como proporção da produção econômica dos Estados Unidos, porém, sua riqueza seria equivalente a cerca de US$ 373 bilhões em valores de 2026, o que o tornaria mais rico do que qualquer pessoa atualmente, com exceção de Elon Musk.

A riqueza geracional não era uma prioridade para Vanderbilt, disse Eric Schoenberg, psicólogo e professor da Universidade Columbia cuja pesquisa acadêmica se concentra em riqueza e dinheiro.

“Ele realmente não acreditava na ideia de uma fortuna familiar. Achava que a finalidade do dinheiro excedente era o poder, e que dividir o dinheiro diluiria esse poder.”

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William Vanderbilt conseguiu dobrar a fortuna da família, mas a terceira geração gastou de forma pródiga, construindo mansões suntuosas na Quinta Avenida, em Nova York, e em Newport, Rhode Island.

Anderson Cooper, descendente dos Vanderbilt, descreveu a riqueza herdada por sua família como uma espécie de “patologia” que distorceu as gerações seguintes e normalizou gastos irresponsáveis.

(Em resposta, Costin disse que “o legado Vanderbilt sempre representou muito mais do que uma fortuna”.)

John D. Rockefeller criou o que é considerado o primeiro family office no início da década de 1880 para consolidar e administrar seus investimentos, dando origem a um modelo que desde então foi replicado para estruturar os ativos de famílias e protegê-los da erosão patrimonial que ocorre à medida que o dinheiro é distribuído entre sucessivas gerações de herdeiros.

Nem mesmo os Rockefeller ficaram imunes: eles não aparecem entre as famílias mais ricas do mundo, grupo formado principalmente por clãs cuja riqueza teve origem em empresas criadas no último século, como os Walton, do Walmart, ou os industriais Koch.

Ainda assim, Costin se inspirou nos Rockefeller ao conceber a House of Vanderbilt, mais especificamente na Rockefeller Capital Management, um multifamily office criado em 2019 a partir do family office original dos Rockefeller.

Greg Fleming, ex-executivo da Morgan Stanley Wealth Management, que fundou a empresa em 2018 com apoio do fundo de hedge Viking Global, aproveitou o nome Rockefeller para transformar o family office em um empreendimento muito maior e mais ambicioso.

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Em junho, a empresa informou ser responsável por US$ 224 bilhões em ativos de clientes, dos quais apenas uma pequena parcela pertence aos Rockefeller.

“Os family offices estão em alta, sem dúvida mais um sinal da nova Era Dourada”, disse Schoenberg, da Columbia. “Mas, como acontece com muitas coisas que os seres humanos fazem, acho que isso é muito movido por modismos. As pessoas fazem isso porque acham ‘bacana’ ou porque acreditam que deveriam ter um, sem realmente considerar se esse modelo é adequado à sua situação e aos seus objetivos individuais.”

Legado familiar

Costin nasceu em Nova York, filha de Serena Vanderbilt Van Ingen McCallum, fotógrafa e coach que também descendia do magnata do petróleo Charles Pratt, e de Brackenridge Costin, também coach.

Criada em Londres, iniciou a carreira na música como cantora e compositora de dance-pop, período em que às vezes recorria à história da família como fonte de inspiração.

As experiências que teve ao tentar lidar com as complexidades dos direitos de publicação e ao aprender a defender os próprios interesses na indústria musical levaram Costin a fundar a SohoMuse, com um pequeno grupo de investidores, entre eles um grupo europeu de mídia de pequeno porte.

Ela também criou uma linha de joias inspirada em relíquias da família Vanderbilt, vendida pela Home Shopping Network.

Costin, que não quis dar detalhes sobre os investimentos atuais ou potenciais da House of Vanderbilt além da SohoMuse e de sua aceleradora de moda, disse que recorre a uma empresa terceirizada de gestão de investimentos para liderar as decisões de alocação.

Seu foco está na marca. Ela assinou contrato com a agência de talentos WME para explorar formas de apresentar a história dos Vanderbilt — que descreve como “a mais discreta” entre as célebres dinastias industriais — a novos públicos.

“Minha esperança é que a House of Vanderbilt possa ampliar a maneira como as pessoas enxergam o nome Vanderbilt”, disse ela. “A melhor forma de honrar um legado é continuar construindo um.”

–Com a colaboração de Ben Steverman.

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