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Faculdades dos EUA têm a maior queda nas inscrições de alunos estrangeiros em 10 anos

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Bloomberg — O número de estudantes internacionais que se inscreveram para ingressar em faculdades dos Estados Unidos neste ano caiu cerca de 10%, a maior queda em pelo menos uma década, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira pela (20) plataforma de inscrição em faculdades mais utilizada do país.

Quase 16.000 estudantes estrangeiros a menos disputaram vagas em faculdades dos Estados Unidos este ano em comparação com 2025, à medida que o governo Trump intensificou os esforços para restringir a entrada de estudantes estrangeiros no país, inclusive por meio de alterações nas regras de visto, de acordo com um relatório divulgado na quinta-feira pela Common App. O relatório analisou 1.146 instituições, um aumento de 4% em relação ao ano letivo de 2024-2025.

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A queda é o sinal mais claro até o momento de que as universidades americanas provavelmente enfrentarão um acentuado declínio no número de matrículas internacionais neste próximo ano letivo, que se inicia agora.

Isso se somará às crescentes pressões financeiras enfrentadas por muitas instituições de ensino superior americanas, já afetadas pela redução no número de estudantes em idade universitária e por questionamentos sobre o valor do ensino superior.

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O relatório da Common App mostrou quedas de dois dígitos nas inscrições provenientes da Ásia e da África, mas o número de estudantes europeus que se inscreveram em campi americanos também caiu 4%, revertendo anos de aumentos constantes.

Isso ocorreu depois que países como França e Alemanha intensificaram os esforços para atrair estudantes desiludidos com a perspectiva de uma educação nos Estados Unidos.

Mudanças nos vistos

O número de candidatos nacionais às faculdades, por sua vez, aumentou 4%, impulsionado em grande parte por um aumento de 9% no sudoeste dos Estados Unidos.

Ao longo do último ano, o governo Trump fez várias alterações nas regras de vistos de estudante e empreendeu um esforço coordenado para limitar o número de estudantes estrangeiros que entram no país. D

urante o ciclo de inscrições de 2024-25, que terminou logo após a Casa Branca de Trump ter iniciado sua repressão aos portadores de visto de estudante, o número de candidatos estrangeiros caiu apenas 1% em relação a 2023-24.

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Rodney Hughes, cientista de dados sênior da Common App, afirmou que a recente queda foi a maior observada desde que começaram a coletar dados digitais em 2013.

“Se for mais difícil obter um visto, isso pode diminuir a probabilidade de os estudantes se inscreverem”, disse Hughes.

A tendência de queda no número de matrículas de estudantes estrangeiros poderá se acelerar após as recentes mudanças em políticas que já vigoravam há décadas e que limitavam a capacidade dos titulares de visto de mudar de curso, trocar de instituição e permanecer nos Estados Unidos após a formatura.

A queda no número de inscrições foi distribuída de forma desigual entre as instituições, com os dados sugerindo uma margem de segurança maior para as universidades mais competitivas do que para aquelas com menor visibilidade global.

As inscrições internacionais nas instituições mais seletivas — aquelas que aceitam menos de um quarto dos candidatos — caíram apenas 1%, enquanto as que aceitam mais da metade dos candidatos registraram uma queda de aproximadamente 20%, de acordo com o estudo.

O ressurgimento do SAT

O relatório destacou também uma série de outras tendências no ensino superior. Pela primeira vez desde 2019, mais estudantes informaram notas de exames padronizados em suas inscrições do que aqueles que as omitiram.

O número de candidatos que enviaram notas do SAT ou do ACT aumentou 11% em relação ao ano anterior, e o número dos que não informaram essas notas caiu 5%.

“As notas dos exames certamente parecem estar em alta”, afirmou Hughes.

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Essa evolução ocorre após uma série de universidades de renome, incluindo Yale, Columbia e Princeton, terem anunciado que estavam voltando a exigir os testes após quase cinco anos de políticas em que a apresentação dos resultados era opcional.

Essa reviravolta reacendeu o debate sobre os benefícios das notas em exames padronizados em campi de todo o país, incluindo a Universidade da Califórnia, onde os responsáveis pelo processo seletivo estão proibidos de considerar as notas dos exames desde 2019.

Tanto o declínio no número de estudantes internacionais quanto o ressurgimento dos exames padronizados representam vitórias políticas para o presidente Donald Trump. O governo deixou claro que considera as políticas de exames opcionais — que tendem a beneficiar candidatos mais pobres e não brancos — como possíveis formas indiretas de ação afirmativa ilegal nas melhores faculdades.

No entanto, as universidades que não exigem testes ainda superam em muito aquelas que os tornam obrigatórios. Apenas 5% das instituições de ensino superior exigem notas do SAT ou do ACT dos candidatos, um aumento em relação aos 4% do ano passado, mas uma queda em relação aos 55% registrados em 2019, de acordo com o relatório da Common App.

Entre as outras conclusões do relatório:

  • Mais de 1,5 milhão de estudantes se inscreveram em instituições de ensino superior dos Estados Unidos este ano, um aumento de 2% em relação ao ciclo anterior.
  • O número de candidatos qualificados para isenção da taxa do Common App cresceu 6% este ano, e aqueles provenientes de CEPs com baixa renda mediana cresceram 8%.
  • Os candidatos negros foram o grupo racial que mais cresceu, com um aumento de 8% em relação ao ano passado.
  • As alunas continuam a se inscrever na faculdade em taxas cada vez mais altas do que os homens. Aproximadamente 848 mil mulheres se inscreveram em instituições de ensino este ano, um aumento de 3% em relação ao ano passado, em comparação com 678 mil homens.

— Com a colaboração de Adrienne Tong.

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