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Depois de três anos sorumbáticos, agro começa a sair das trevas

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Do nada, começou a sair das trevas…

A frase, dita em tom de brincadeira, resume a surpresa positiva dos analistas da XP Investimentos ao encontrar os CEOs e executivos mais graduados das principais companhias do agronegócio brasileiro, durante a 3ª CEO Conference, realizada na semana passada no Rio de Janeiro.

Na agricultura, a virada de humor é emblemática. Depois de quase três anos sorumbáticos, as commodities agrícolas parecem ter iniciado uma trajetória de recuperação, alterando as perspectivas que as companhias brasileiras tinham para o restante do ano.

“O cenário está mais favorável do que há alguns meses”, afirmou ao The AgriBiz o analista Leonardo Alencar, responsável pela cobertura das companhias dos setores de agronegócio e alimentos e bebidas.

Segundo ele, o ambiente entre os executivos do agro que participaram do encontro no Copacabana Palace, onde a XP Investimentos realizou a conferência, estava muito mais construtivo em comparação à edição do ano passado.

Isso não quer dizer que os desafios foram embora (a Selic a 14% ao ano segue como o calcanhar de Aquiles), mas o balanço de oferta e demanda de culturas como soja e cana está ficando mais ajustado, o que se reflete na melhora do humor dos executivos.

Não à toa, ações que estavam meio largadas na bolsa começaram a andar. Na semana passada, a São Martinho disparou 26%. O grupo sucroalcooleiro vinha segurando os estoques de açúcar e etanol acreditando em uma recuperação dos preços, o que se confirmou, fazendo da companhia uma das grandes vitoriosas.

A melhora no cenário motivou uma mudança nas recomendações da XP. Na sexta-feira, Alencar e o xará Leonardo Paiva passaram a recomendar a compra das ações da São Martinho, elevando o preço-alvo em 51%, de R$ 14,80 para R$ 22,40, o que embute um potencial de valorização de 21% sobre as atuais cotações.

O movimento vai além da indústria sucroalcooleira. Os sinais de que os estoques de soja estão ficando mais apertados estão construindo um novo consenso.

Há duas semanas, o CEO da SLC, Aurélio Pavinato, já havia chamado atenção para o tema, argumentando que o pior ficou para trás. A perspectiva é de melhora de margens em 2027, uma leitura corroborada na última sexta-feira pelos analistas do BTG Pactual.

A virada se reflete na indústria de máquinas agrícolas. A John Deere também acredita que a pior fase do ciclo está ficando para trás, conforme relataram os colegas do AgFeed. Diante da expectativa de retomada nas vendas de máquinas, as ações da companhia americana subiram mais de 6% na semana passada.

Apesar da melhora de expectativas, Alencar lembrou que ainda há um longo caminho pela frente, especialmente aos produtores de grãos que precisam reduzir o tamanho das dívidas.

“Se esse cenário permanecer por mais tempo, os produtores começarão a reduzir a alavancagem, mas o processo é lento. Não há uma mudança imediata”, disse o analista da XP.

Para ele, a crise dos últimos anos deixou um alerta para os próximos anos. Para sobreviver aos solavancos, os produtores não podem se alavancar de maneira excessiva, como muitos fizeram no ciclo de bonança que marcou os anos de 2020, 2021 e 2022.



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