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Braskem chega a acordo com credores para reestruturar US$ 10 bi em dívidas,…

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Bloomberg — A Braskem chegou a um acordo com seus principais credores para avançar com uma reestruturação extrajudicial de sua dívida, segundo pessoas a par do assunto que falaram com a Bloomberg News.

O acordo reestrutura cerca de US$ 10 bilhões em dívidas, dos quais aproximadamente US$ 7 bilhões são devidos a detentores de títulos, disseram as pessoas, que pediram anonimato por se tratar de um assunto privado.

A Braskem corria para obter a adesão de pelo menos um terço de seus credores à reestruturação da dívida antes do prazo desta segunda-feira, percentual necessário para dar início ao processo. As partes agora têm 90 dias para definir os termos finais da reestruturação.

A empresa não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Os jornais ‘O Estado de S. Paulo’ e ‘O Globo’ noticiaram o acordo primeiro.

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A medida encerra uma etapa de anos de turbulência na Braskem, maior produtora petroquímica da América Latina. A empresa viu seu caixa diminuir após um desastre ambiental em uma de suas minas de sal e um longo período de preços deprimidos no setor petroquímico. Várias tentativas frustradas do conglomerado Novonor de vender sua participação de controle agravaram os problemas.

A IG4 Capital Group assumiu o controle compartilhado da Braskem no início deste ano, depois que credores que detinham ações da Novonor na petroquímica — dadas como garantia de R$ 21 bilhões em empréstimos que não foram pagos — concordaram em vender os créditos inadimplentes a um fundo administrado pela gestora especializada em ativos problemáticos.

A IG4 conquistou o apoio da Petrobras, a outra acionista controladora da Braskem, com medidas como conceder à estatal a presidência do conselho de administração.

A petroquímica havia pedido proteção emergencial contra credores em junho, o que lhe deu tempo para obter a adesão de credores suficiente para avançar com a reestruturação extrajudicial.

Os rendimentos dos títulos em dólar da Braskem com vencimento em 2030 dispararam para cerca de 23%, patamar normalmente associado a dívidas em situação de estresse financeiro.

Um grupo de credores, que inclui Elliott Investment Management e Contrarian Capital Management, pressionava a Petrobras a assumir um compromisso financeiro, e alguns pediam aporte de capital, capital de giro ou dívida subordinada, segundo pessoas a par do assunto ouvidas no início deste mês.

Além de Elliott e Contrarian, AllianceBernstein, Capital Group e PGIM estão entre os principais detentores da dívida da Braskem, segundo dados compilados pela Bloomberg News.

Leia também: O próximo desafio da IG4: reestruturar US$ 25 bilhões em dívidas de Braskem e Raízen

O movimento da Braskem também ocorre em um período desafiador para as empresas brasileiras, que enfrentam pressão crescente dos juros de dois dígitos.

Grandes companhias como a produtora de biocombustíveis Raízen, a rede de supermercados Companhia Brasileira de Distribuição e a Kora Saúde Participações também buscaram recentemente reestruturações extrajudiciais.

As empresas no Brasil costumam preferir processos extrajudiciais porque tendem a ser mais rápidos, baratos e menos disruptivos do que uma recuperação judicial. Quando as companhias chegam a um acordo com uma parcela suficiente dos credores, um juiz pode homologá-lo para que se torne vinculante.

Se as partes não chegarem a um consenso sobre os termos finais ao fim do período de 90 dias, as empresas podem recorrer a pedidos de recuperação judicial ou falência.

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