Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em cooperação com a Academia Chinesa de Ciências da Pesca, concluíram o sequenciamento genômico da pirapitinga (Piaractus brachypomus) com 99,8% de completude em nível cromossômico. O avanço fornece a base científica necessária para iniciar programas de melhoramento genético de espécies nativas brasileiras, visando aumentar a produtividade e reduzir os custos de manejo na piscicultura.
Gargalos da Aquicultura e Destaques da Pesquisa
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Dependência de exóticas: Cerca de 65% da produção piscícola do Brasil é composta por espécies não nativas, como a tilápia africana. Atualmente, existem apenas cerca de 10 genomas de peixes nacionais mapeados.
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Disparidade de mercado: Enquanto a China lidera a aquicultura global com produção superior a 55 milhões de toneladas anuais, o Brasil produz cerca de 792 mil toneladas (equivalente a 1,44% do volume chinês).
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Parceria internacional: O estudo foi conduzido pela bióloga Ivana Felipe da Rosa durante pós-doutorado na Universidade de Shandong, na China — país onde a pirapitinga brasileira foi introduzida em 1985 e hoje possui grande valor comercial.
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Aplicações práticas: O “manual genético” permitirá identificar marcadores de rápido crescimento, imunidade contra enfermidades e adaptação a variações térmicas, além de viabilizar o uso de inteligência artificial na seleção de reprodutores.
De acordo com Ivana Felipe da Rosa, bióloga e pesquisadora da Unesp, “o genoma serve como base estrutural para outros estudos. Ele abre portas para compreendermos a localização exata dos genes, suas funções e como atuam em determinados tecidos, permitindo selecionar os melhores indivíduos para a produção comercial.”
Para Diogo Teruo Hashimoto, especialista em genética aplicada à aquicultura da Unesp, “a troca de conhecimento entre a biodiversidade brasileira e a estrutura tecnológica chinesa beneficia os dois lados. O fortalecimento genético de espécies nativas reduz a dependência de peixes exóticos e diminui os riscos ambientais nos ecossistemas locais.”




