O presidente da Corning, Flávio Guimarães, afirmou que a entrada de data centers no mercado brasileiro pode contribuir para o consumo da energia excedente do país. Em conversa com a imprensa especializada nesta terça-feira, 25, o executivo afirmou que isso é uma vantagem competitiva para o Brasil.
O executivo explicou que, devido ao avanço do país em energia solar nos últimos cinco anos, o operador nacional precisa desligar a geração de energia hidrelétrica durante o dia para equilibrar com o excedente solar.
De fato, o Operador Nacional do Sistema Elétrica (ONS) tem atualmente uma restrição de energia (curtailment, no original em inglês) prevista em 30% em 2026, sendo que, entre 9h e 16h, esse número sobe para 70%. Portanto, Guimarães acredita que os centros de dados podem ajudar a equilibrar o excedente energético, ao trazer um consumo adicional.
O executivo também defende que a chegada de data centers permitirá trazer mais processamento de dados ao Brasil, em especial das big techs e hyperscalers, e, com isso, reverter a realidade atual de que 60% dos dados criados no Brasil são exportados para processamento no exterior.
Vale lembrar, a Corning completou 175 anos neste ano e, em entrevista recente para esta publicação, Guimarães abordou os próximos passos da empresa para ser um player de destaque no mercado de infraestrutura de IA.
Portfólio da Corning
A Corning apresentou para o mercado brasileiro nesta terça-feira o seu portfólio de 2026 com basicamente três soluções, são elas:
- Fibra multicore com quatro núcleos em uma única estrutura, algo já usado amplamente por operadores no Brasil;
- Conector de lentes, uma tecnologia de conectividade que usa lentes para expandir a área de transmissão do laser, no lugar do modelo tradicional de fibra a fibra;
- Co-packaged optics (CPO), uma tecnologia que substitui cobre por fibra ótica em switches e roteadores, o que gera até 70% de redução de energia em transceivers que usam cobre.
Inicialmente, a solução de fibra multicore mira principalmente o mercado de data centers e de telecom. Atualmente, a companhia tem 50% de sua receita no Brasil oriunda de telecom e outros 50% são de outros setores como automotivo, lifescience e vidros especiais.
Mas Juliano Covas, gerente regional de vendas e engenharia na Corning para Caribe e América Latina, reforça que os data centers são uma das principais apostas da Corning para os próximos anos, especialmente com a necessidade de interconexão nos centros de dados e pelo fato de que os grandes modelos de linguagem crescem duas vezes mais rápido que a capacidade de hardware.
A aposta da companhia é que a interconexão permite que data centers trabalhem como um único cérebro, por isso que precisam de pelo menos quatro rotas (norte, sul, leste e oeste) para garantir a resiliência de dados de IA.
Imagem principal: Flávio Guimarães (centro) e executivos da Corning (crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time)




