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Wall street aguarda balanço da Nvidia como termômetro de gastos com IA para investidor

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Bloomberg — Wall Street aguarda com grande expectativa o balanço da Nvidia nesta quarta-feira, não tanto pelo que os números dirão sobre a gigante de chips, mas pelo que significam para investidores em inteligência artificial e para o próprio mercado.

“A Nvidia é o melhor termômetro dos gastos com IA”, afirmou Rob Conzo, CEO da Wealth Alliance, que possui ações da Nvidia em várias carteiras. “Isso ajudará a determinar se as hiperescaladoras ainda aceleram os investimentos do ponto de vista de infraestrutura ou se estão adotando maior disciplina.”

As ações da empresa tiveram fortes oscilações neste ano, com queda durante o inverno (no Hemisfério Norte), disparada na primavera e volatilidade durante todo o verão.

Os papéis vêm de uma sequência de sete pregões de baixa, igualando a mais longa desde 2019, período em que perderam 7,5%. Isso ocorreu após uma alta de 19% do fim de julho até meados de agosto.

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No total, a Nvidia acumula alta de 14% em 2026, um desempenho razoável, mas ainda muito distante dos resultados anteriores. Nesta mesma época do ano passado, a ação havia subido 34%, enquanto em 2024 disparava mais de 150%.

O motivo não é segredo: investidores estão cada vez mais cautelosos quanto à sustentabilidade das apostas em IA, em um cenário de inflação ainda elevada, alta dos juros e riscos geopolíticos por toda parte, seja a guerra militar e econômica dos EUA com o Irã ou a guerra comercial com o Canadá.

O Nasdaq 100 Index, concentrado em empresas de tecnologia, teve em julho o pior mês em mais de um ano, com queda de 6,6%, após investidores venderem ações de empresas expostas à expansão da infraestrutura de IA em meio a preocupações sobre por quanto tempo os elevados gastos poderiam continuar. Desde a mínima de 29 de julho, porém, o índice recuperou boa parte das perdas, liderado por empresas de memória e armazenamento, como Sandisk, e fabricantes de chips, como Marvell Technology.

Wall Street espera que a Nvidia apresente resultados excepcionais no segundo trimestre fiscal, encerrado em 31 de julho. Analistas projetam que a receita quase dobrou em relação ao mesmo período do ano anterior, o ritmo mais rápido em dois anos, e que o lucro líquido também quase duplicou, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Leia também: Boom de IA leva ações industriais a múltiplos históricos e acende alerta em Wall Street

Isso, porém, não é o principal foco do mercado. Investidores querem saber o que o CEO Jensen Huang tem a dizer sobre os investimentos de capital dos maiores clientes da Nvidia, a demanda futura e uma série de novos acordos de financiamento que envolvem a empresa. Os aumentos de preços também estarão no centro das atenções após alguns clientes serem avisados de que o custo de servidores equipados com chips de IA da Nvidia aumentará mais de 15% em alguns casos, devido à disparada dos custos de memória.

“Será um balanço muito interessante, mas não se trata tanto dos números”, afirmou Conzo. “As discussões sobre as projeções futuras estarão muito mais em foco.”

Nvidia iguala a mais longa sequência de quedas desde 2019

No início deste mês, a Nvidia afirmou que firmou uma parceria com empresas de Wall Street, entre elas Goldman Sachs, BlackRock e Apollo Global Management, para oferecer US$ 500 bilhões em financiamento para infraestrutura de IA. A Nvidia também concordou em gastar até US$ 105 bilhões para apoiar um campus de data centers em Ohio que será alugado pela OpenAI.

“Eles precisarão discutir essas duas grandes parcerias ou acordos com bastante detalhe e, de certa forma, acalmar os receios do mercado em torno da circularidade do financiamento”, afirmou Shaon Baqui, analista sênior de ações da Janus Henderson, que mantém uma posição substancial na Nvidia.

Leia também: JPMorgan vê ‘tentáculos da IA’ na renda fixa e alerta para risco de concentração

As principais dúvidas dos investidores são quanto da receita da Nvidia é impulsionada pelo próprio financiamento da empresa e se isso cria demanda ou apenas antecipa compras futuras. Apenas os comentários de Huang provavelmente não serão suficientes para resolver algumas das preocupações que o mercado tem atualmente com os investimentos em IA, segundo Daniel Pilling, gestor da Sands Capital Management, que possui ações da empresa.

“Será um trimestre realmente importante para eles, não pelo que fazem no balanço patrimonial, mas pelo que fazem fora dele”, afirmou Brian Mulberry, estrategista-chefe de mercado da Zacks Investment Management, que possui ações da Nvidia. “Na prática, isso transforma Jensen Huang em uma espécie de papa da IA. Ele pode dar a bênção a qualquer um desses acordos.”

Mesmo com valor de mercado superior a US$ 5 trilhões, o maior do mundo, o múltiplo das ações da Nvidia vem caindo de forma constante neste ano. Negociado a cerca de 19 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, o papel está perto do nível mais barato desde o fim de 2018, antes da explosão da IA e quando o valor de mercado da fabricante de chips era inferior a US$ 100 bilhões.

“A Nvidia já não é a parte mais empolgante do mercado, nem mesmo das apostas em IA”, afirmou Randy Hare, diretor de análise de ações do Huntington National Bank, que possui os papéis. “Neste momento, o aperto está no segmento de memória, na área óptica e em energia. O impulso está migrando dos semicondutores para outras partes da infraestrutura e, a partir daí, pode voltar novamente para as hiperescaladoras.”

Quanto ao comportamento das ações em torno da divulgação dos resultados, a Nvidia não teve bom desempenho após os balanços nos últimos trimestres. Os papéis caíram no pregão seguinte a cinco das últimas seis divulgações, segundo dados compilados pela Bloomberg. O mercado de opções precifica uma oscilação de cerca de 5% em qualquer direção.

As ações da Nvidia caíram após a divulgação de resultados em quatro trimestres consecutivos.

As ações, naturalmente, podem ganhar impulso com resultados fortes e projeções que acalmem o nervosismo dos investidores, o que poderia revitalizar as apostas em IA de forma mais ampla. Wall Street estará atenta a atualizações sobre as vendas dos chips Vera Rubin e Blackwell da Nvidia, além das perspectivas para as margens brutas.

“Na minha avaliação, as ações estão em uma espécie de ponto de inflexão”, afirmou Melissa Otto, chefe de pesquisa de tecnologia, mídia e telecomunicações da Visible Alpha. “Esperamos ter muito mais visibilidade e comentários sobre Rubin e o desempenho do Blackwell.”

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