A Ericsson confirmou que está preparando uma prova de conceito de modernização de antenas de rede celular em uma operadora ainda este ano no Brasil. Em live organizada por Mobile Time e apoiada pela fornecedora nesta quinta-feira, 27, o vice-presidente de negócios da companhia no Brasil, Murilo Barbosa, afirmou que outros dois testes devem acontecer no começo do próximo ano.
Paulo Bernardocki, diretor de soluções e tecnologia da Ericsson no Brasil, lembrou que o momento é favorável para a modernização do legado, porque as operadoras precisam de atualização dos equipamentos com a migração de faixas legadas do 4G para o 5G.
Cenário visto pela Ericsson
Um estudo da ABI encomendado pela Ericsson revelou que 60% das antenas de rede móvel instaladas no Brasil têm mais de sete anos de vida. As antenas novas da Ericsson têm maior eficiência de espectro, garantindo melhor performance diante do tráfego puxado por uplink de serviços de IA e streaming de vídeo.
O Ericsson Mobility Report prevê que o tráfego de uplink dobrará até 2031 se comparado com 2025. Agrega-se a este cenário que o tráfego móvel deve crescer 2,2 vezes entre 2026 e 2031, e 2,5 vezes se considerar também o FWA — uma das tecnologias que se beneficiam com a modernização das antenas.
Bernardocki lembra ainda que a oferta de novos serviços e novos modelos de negócios depende de conectividade diferenciada através do 5G Standalone. A América Latina, apesar de ter quatro redes 5G SA, não tem nenhuma com network slicing.
Impactos técnicos
Rodrigo Goulart, vice-presidente da Ericsson Antenna System nas Américas, explicou que para o futuro com redes mais resilientes e aptas ao 5G SA a fornecedora tem investido de maneira significativa em antenas. Um exemplo é a possibilidade de criar gêmeos digitais de cada modelo de antena para fazer simulações complexas de rede em cenários urbanos e rurais para avaliar o impacto de rede no mundo digital, antes da aplicação física.
Além disso, também explicou que os novos modelos de antenas tem benefícios, como:
- Substituição de cabos internos com a tecnologia Wave Guide, que reduz pontos de falha e otimiza o desempenho da intermodulação passiva (PIM);
- Troca da solda tradicional por solda laser que reduz o uso de outros materiais químicos e também ajuda no desempenho do PIM;
- Uso de radiadores transparentes que evitam interferência e aumentam a cobertura indoor;
- Troca da fibra de vidro por material reciclável no Radome, 40% mais leve e menor, e mais resistente.
Em campo, Goulart citou um caso de uma operadora no Sul da Europa que teve 25% de economia em seus sites com ganho de 1,8 db no uplink e outra operadora norte-americana que aumentou em 40% o throughput no downlink devido a melhores RSRP e SINR em bandas médias com a modernização das antenas.
Resultados práticos
De acordo com Barbosa, uma modernização das antenas pode trazer um retorno sobre o investimento (ROI, na sigla em inglês) em um ano e meio. Um exemplo foi o caso de uma operadora no Peru que obteve o payback em menos de um ano, devido ao ganho de 42% no throughput de uplink e 2% de redução de consumo de energia de rádio, em comparação com os equipamentos de um competidor.
Goulart também reforçou que o consumidor também experimenta melhora no serviço. Um caso foi em uma operadora na Europa que, a partir da modernização de suas antenas, obteve 35% de redução no consumo de bateria dos celulares de seus assinantes.
Imagem principal: Murilo Barbosa, vice-presidente de negócios da Ericsson no Brasil; Rodrigo Goulart, vice-presidente da Ericsson Antenna System nas Américas; Paulo Bernardocki, diretor de soluções e tecnologia da Ericsson no Brasil; Fernando Paiva, diretor editorial do Mobile Time (reprodução: Mobile Time Live/Ericsson)




