
Vivemos em uma época em que esperar se tornou quase uma inconveniência. Uma entrega chega em minutos, uma mensagem é respondida em segundos e praticamente tudo está a poucos toques de distância. A tecnologia encurtou caminhos, acelerou processos e criou uma expectativa: se é possível fazer rápido, por que não fazer agora?
O problema é que nem tudo funciona dessa forma. Há coisas que dependem de análise, etapas, profissionais, condições técnicas e, em alguns casos, até da atuação de terceiros. São processos cujo tempo não é determinado apenas pela vontade de quem executa, mas pelas condições necessárias para que sejam realizados corretamente.
Nos serviços essenciais, essa diferença fica ainda mais evidente. Um vazamento, pode exigir uma avaliação para identificar sua origem, dimensionar o serviço e definir a melhor forma para realizar o reparo. Uma recomposição asfáltica, depois de uma manutenção, depende de condições climáticas adequadas e assentamento do solo para a execução e, da usinagem do asfalto para conclusão do serviço. Uma alteração de titularidade precisa seguir procedimentos e critérios para que o cadastro seja atualizado corretamente, de acordo com as normas e legislação vigentes.


Por trás de uma solicitação aparentemente simples, existe uma sequência de etapas que nem sempre é visível para quem está do outro lado. E é justamente aí que a questão da espera merece reflexão.
Quando nos acostumamos a medir eficiência apenas pela velocidade, a espera deixa de ser compreendida como parte de um processo e passa a ser, muitas vezes equivocadamente, percebida como negligência ou incapacidade. O resultado é uma sociedade cada vez menos tolerante ao intervalo entre o pedido e a solução.
Isso não significa que a demora deva ser naturalizada ou que os serviços não devam buscar eficiência. Ao contrário: eficiência também significa organizar processos, reduzir etapas desnecessárias, comunicar prazos e dar transparência ao cidadão sobre o que está sendo feito.
Mas existe uma diferença importante entre urgência e imediatismo.
A urgência exige prioridade porque algo não deve esperar. O imediatismo, por outro lado, transforma a vontade de ter uma resposta “agora” em expectativa para tudo. Quando essas duas coisas se confundem, corremos o risco de acreditar que acelerar sempre é a melhor escolha. Nem sempre é.
No saneamento, muitas decisões precisam considerar a segurança da operação, que para a RIC Ambiental é inegociável, além das características da rede, condições do local e a durabilidade do serviço. Antes de qualquer tarefa, é preciso avaliar o que foi encontrado e definir o procedimento mais adequado para cada situação. Muitas vezes, enxergamos apenas o início e o fim, sem perceber tudo o que acontece entre esses dois pontos.
Nesse contexto cabe uma pergunta: será que perdemos a capacidade de compreender que algumas coisas precisam de tempo?
Reconhecer esse tempo não significa aceitar a lentidão, mas entender que, quando se trata de serviços que sustentam a vida cotidiana, fazer certo também é fazer com responsabilidade, o que evita retrabalho, novos transtornos e soluções que não duram. A cidade não pode parar. Mas é indevido atropelar etapas para continuar avançando.
Juntos por Marília e para Marília.
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Eng° Julio F. Neves
Superintendente Comercial e de Comunicação
RIC Ambiental – Água e Esgoto de Marília S.A.




