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69% dos internautas no Brasil apagaram apps por medo

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Um estudo do Cetic.br revelou que, dos internautas que demonstraram preocupações com seus dados pessoais em atividades na web, 69% chegaram a apagar aplicativos de seus dispositivos. Em conversa com Mobile Time nesta segunda-feira, 31, Winston Oyadomari, analista de pesquisa do órgão, explicou que isso mostra que o cidadão brasileiro tem tomado cuidado com seus dados na web.

Divulgado durante o 17º Seminário de Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais do NIC.br e do CGI.br, o estudo foi feito com 2,5 mil pessoas e revela ainda:

  • 68% deixaram de visitar uma página na Internet;
  • 54% deixaram de usar uma plataforma ou serviço;
  • 52% deixaram de comprar um aparelho eletrônico.

Considerando o ano de 2025, a pesquisa foi realizada entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026.

Golpes contra internautas

Ao todo, 32% dos brasileiros com 16 anos ou mais afirmaram que sofreram tentativas de golpes digitais no ano passado, o equivalente a 45 milhões de pessoas. Entre aqueles que se tornaram vítimas de golpes, a marca atinge 28 milhões de internautas brasileiros.

Os principais canais usados pelos golpistas nas ações criminosas foram:

  • Aplicativos de mensagens: 84%;
  • Ligações telefônicas: 79%;
  • Sites ou aplicativos falsos: 71%;
  • SMS: 71%.

Oyadomari afirmou que as consequências mais comuns são mal-estar, dinheiro roubado, perda de acessos a contas digitais (e-mail e redes sociais, por exemplo), roubo de credenciais financeiras, dívidas e compras em seu nome sem seu consentimento. O especialista reforçou que os golpes têm riscos “democráticos” e afetam pessoas de qualquer idade, ao contrário da visão do passado de que apenas idosos eram alvos comuns. Porém, ressaltou que o impacto é maior em pessoas com menor escolaridade.

Inteligência artificial

O estudo divulgado nesta segunda-feira revela ainda que um terço dos brasileiros que acessam a Internet usam ferramentas de IA generativa. Dentro deste universo de internautas, 66% dos usuários de IA declaram preocupação com o uso de seus dados pelas empresas responsáveis por essas ferramentas.

Contudo, o analista de pesquisa disse que esse receio dos internautas não refletem em seus hábitos, uma vez que:

  • 58% compartilham com serviços de IA generativa preferências e gostos pessoais;
  • 54% compartilham sentimentos e emoções;
  • 52% compartilham dados de saúde;
  • 50% compartilham fotos pessoais ou de desconhecidos.

Para Fernanda Campagnucci, diretora-executiva do InternetLab, os resultados em IA mostram os riscos de privacidade diante da “antropomorfização e persuasão” em ferramentas conversacionais. A especialista acredita que o resultado aponta para uma transferência indevida de confiança para esses mecanismos.

“Passamos uma série de informações [para as IAs conversacionais]. Essas plataformas podem até não puxar os nossos conteúdos, mas estão taggeando. Será que as pessoas que compartilham os dados de saúde continuariam fazendo se soubessem que isso pode parar no seu plano de saúde e aumentar suas mensalidades?”, questionou Campagnucci. “Ou as pessoas veem benefícios e estão usando, mas não sabem como minimizar o impacto; ou não conhecem o risco o suficiente para avaliar esse benefício”, pondera.

Imagem principal: Winston Oyadomari, analista de pesquisa do Cetic.br (crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time)

 

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As ilustrações das matérias são produzidas por Mobile Time com IA



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