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Os três riscos no mapa da Fitch para a energia elétrica no País

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O setor de energia elétrica enfrenta riscos significativos, segundo a Fitch Ratings, com o fenômeno El Niño aumentando a volatilidade dos preços e impactando a geração hidrelétrica. A previsão é que o preço de curto prazo atinja R$ 300/MWh em 2026, em comparação a R$ 250/MWh no ano anterior.

O curtailment, que limita a geração de usinas renováveis, também pressiona o crédito, com mais de 30% dos ratings de energia com perspectiva negativa. A Fitch observa uma diminuição nos novos projetos de geração centralizada, enquanto operações com proteção de liquidez mantêm seus ratings.

No setor de saneamento, o cenário é mais estável, mas o risco reside na execução de investimentos para universalização até 2033, com desafios financeiros e de atração de novos participantes em leilões.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O setor de energia elétrica entra nos próximos meses com uma combinação de riscos no radar da Fitch Ratings. Enquanto o curtailment pressiona o cenário de crédito, os efeitos do El Niño adicionam incerteza, tanto pelos potenciais impactos sobre a infraestrutura quanto pela volatilidade dos preços de energia.

“O El Niño é o principal ponto a ser acompanhado no setor de energia e também nos demais setores da economia no Brasil”, afirma Marta Veloso, managing director de Infraestrutura da Fitch Ratings, ao NeoFeed.

No segmento, o fenômeno pode ampliar a volatilidade dos preços de energia. A Fitch projeta que o preço de curto prazo no Brasil ficará, em média, próximo de R$ 300 por megawatt-hora (MWh) no segundo semestre de 2026, ante R$ 250/MWh no mesmo período do ano passado.

O El Niño tende a elevar o volume de chuvas no Sul e no Sudeste, regiões que concentram 65% da capacidade hidrelétrica brasileira. Por outro lado, pode agravar a seca no Norte, onde estão algumas das maiores hidrelétricas a fio d’água, segundo relatório divulgado pela agência de risco.

Temperaturas mais elevadas também podem aumentar a demanda por eletricidade. Para a Fitch, essa combinação amplia a incerteza sobre o volume de geração hidrelétrica e, consequentemente, sobre os preços no mercado de curto prazo.

Além disso, Marta lembra que as fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul no último El Niño provocaram danos em ativos de transmissão e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).

“Algumas das PCHs que acompanhamos demoraram mais de um ano para restabelecer a operação, porque o dano foi muito relevante”, diz a managing director.

Curtailment pressiona crédito

O curtailment, nome dado às restrições que impedem usinas renováveis de gerar toda a energia disponível por razões sistêmicas, é outro ponto de atenção para a Fitch.

A executiva ressalta que mais de 30% dos ratings da carteira de project finance de energia da agência estão com perspectiva negativa, em grande parte devido aos efeitos dos cortes de geração. “Isso sinaliza que pode vir mais downgrade“, diz.

Marta Veloso, managing director de Infraestrutura da Fitch Ratings

Os efeitos aparecem nas novas operações. Desde o ano passado, a Fitch registra menos mandatos para projetos de geração centralizada (grandes usinas). “O mercado hoje está olhando para o que já tem na carteira para ver como vai sobreviver”, diz Marta.

Ela pondera, no entanto, que a situação varia de acordo com a estrutura de cada projeto. Operações com mecanismos de proteção de liquidez, como contas de reserva e de compensação, conseguiram preservar seus ratings mesmo diante das restrições à geração.

Uma possível melhora no cenário pode vir do ressarcimento de parte das perdas provocadas pelo curtailment. Por enquanto, a Fitch não incorpora o efeito dessas compensações nos ratings de project finance, diante das incertezas sobre os valores e o momento em que os recursos serão recebidos.

“A única coisa que é certa é o dia que você tem que pagar o serviço da dívida. A gente utiliza as estimativas de ressarcimento de acordo com os fluxos de caixa, mas não coloca o efeito da compensação ainda na conta. É uma luz no fim do túnel, mas ainda bem nebulosa”, afirma a executiva.

No saneamento, risco está na execução

No saneamento, o cenário de crédito é mais estável. “O segmento tem uma alavancagem maior, mas a dívida é muito alongada. Então, também, desse ponto de vista, não é uma preocupação de crédito”, afirma Marta.

O acesso a recursos também não aparece, por enquanto, como um entrave. O setor tem conseguido captar no mercado de capitais e acessar linhas de bancos públicos, comerciais e instituições multilaterais. Para a Fitch, o principal risco está na execução dos investimentos necessários para avançar nas metas de universalização até 2033.

A preocupação não está apenas na execução física das obras. Mudanças nos orçamentos de capex podem pressionar o fluxo de caixa, enquanto uma evolução da receita abaixo do projetado também pode comprometer os planos iniciais das concessionárias.

O ciclo de concessões traz ainda outro desafio. Depois de uma sequência de leilões, alguns dos grandes grupos já têm menos fôlego financeiro para assumir novos projetos. Leilões recentes não atraíram interessados e, na avaliação de Marta, novas concessões podem exigir ajustes nos planos de negócio e nas matrizes de risco para atrair outros participantes.



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