A Microsoft Brasil acaba de inaugurar um espaço para que seus clientes testem soluções de inteligência artificial e de nuvem. Localizado em São Paulo, o laboratório é o primeiro do gênero na América e o terceiro da companhia no mundo, que possui outras unidades na Europa e na Ásia. Nele, organizações públicas e privadas podem definir suas estratégias para adoção de serviços de cloud e de IA, atendimento e conformidade regulatória, além de proteção de dados, simulando o uso das tecnologias em cenários reais, os quais exigem resiliência e soberania digital.
A ideia, segundo Elias Abdala Neto, vice-presidente de relações governamentais e corporativas da big tech no Brasil, é “gerar inovação no país”. Na América do Sul, o Brasil é o único com centro de inovação dedicado, o Innovation Hub, local que abriga o laboratório. Ali, organizações interessadas vivem uma imersão prática de quatro dias, na qual detalham suas áreas de negócios para compreensão do desafio, desenham a solução e a arquitetura com o apoio técnico da Microsoft, para então partirem para uma prototipagem rápida.
Tanto o laboratório quanto os testes não são cobrados. Para passar pela jornada, os interessados devem solicitar o atendimento à Microsoft. A estrutura é parte da expansão da empresa no Brasil. Em 2024, a companhia anunciou um investimento de quase R$ 15 bilhões para a expansão de campi de data centers em São Paulo, onde já há dois novos data halls de IA e nuvem.
Estratégia para soberania
Segundo a empresa, a política de autonomia da iniciativa tem como base:
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Regulamentação: atender a demandas legislativas e operacionais.
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Gerenciamento de dados: clientes fazem a gestão das informações, definindo o acesso e mecanismos de proteção.
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Conformidade: suporte baseado em requisitos locais e setoriais, como LGPD ou ISO 27017.
O acesso aos dados pode ser restrito apenas ao cliente por meio de soluções como o Azure Key Vault e o Azure Confidential Computing — chaves criptográficas que impedem a leitura das informações até pela Microsoft. Questionado se o Cloud Act — lei estadunidense que permite que o governo acesse dados de usuários de big techs de outros países — não seria uma limitação, Neto reforçou o compromisso que a empresa tem com seus contratos e clientes. Segundo ele, a Microsoft contesta e aciona todas as medidas cabíveis para reverter essas determinações.
Azure Local
O carro-chefe do Estúdio Microsoft é o Azure Local, uma espécie de extensão física da nuvem homônima, que fica instalada na infraestrutura do usuário. A ferramenta é mais prática, pois centraliza todas as informações em um único painel, e possui modos para manter seu funcionamento em ambientes com falhas de conexão ou totalmente desconectados, como é o caso de instalações remotas, subterrâneas ou marítimas. Nessas situações, o sistema volta a reportar dados básicos de status quando reconectado.
O Azure Local também é capaz de suportar máquinas virtuais e contêineres gerenciados por Kubernetes (AKS), além das próprias ferramentas da Microsoft, como o 365 Local, o GitHub Enterprise Local e o Microsoft Foundry Local. Além disso, é possível rodar modelos de IA de código aberto, como DeepSeek, Llama e Mistral, localmente com GPUs homologadas pela Microsoft ou NPUs.
Foto: Fabio Hara, engenheiro sênior de solução do Microsoft Innovation Hub, mostra Azure Local. Crédito: Karina Merli/Mobile Time.




