Bloomberg — A Jaguar Land Rover Automotive (JLR) cortará cerca de 4.000 empregos, à medida que a maior montadora do Reino Unido enfrenta as tarifas dos Estados Unidos, as consequências de um ataque cibernético devastador e a intensa concorrência.
A fabricante dos SUVs Range Rover realizará os cortes, que representam cerca de 10% de sua força de trabalho global, nos próximos dois anos, como parte de um plano para economizar 1,7 bilhão de libras (US$ 2,3 bilhões), afirmou na segunda-feira (7) o CEO P. B. Balaji.
A JLR não espera que os cortes afetem os trabalhadores das fábricas, sendo que as demissões serão voluntárias sempre que possível, informou a empresa.
“A indústria automotiva enfrenta desafios significativos, com mudanças tecnológicas em meio a intensa concorrência e incerteza geopolítica contínua”, afirmou Balaji.
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Os cortes da JLR somam-se aos realizados por concorrentes em outros países, como a BMW, a Renault e a Volkswagen, tendo a proprietária da Audi garantido, na semana passada, apoio para um plano de eliminação de mais 50 mil postos de trabalho.
A indústria automotiva europeia tem buscado se adaptar a um número menor de compradores de carros, bem como à forte concorrência de fabricantes chineses como a BYD.
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A empresa, de propriedade da indiana Tata Motors Passenger Vehicles, também enfrenta tarifas mais altas nos Estados Unidos, seu maior mercado, uma desaceleração na China e as consequências de um ataque cibernético que paralisou suas fábricas por semanas.
Mais recentemente, um incêndio em um importante fornecedor e as interrupções causadas pelo conflito no Oriente Médio prejudicaram as vendas.
As demissões representam um golpe para o novo primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, que busca revitalizar a indústria britânica, especialmente em regiões do país onde a JLR possui fábricas, como o noroeste da Inglaterra e a região de West Midlands.
A notícia também representou um revés para o novo ministro da Fazenda, John Healey, que na segunda-feira apresentou seu plano para revitalizar a economia do país em uma unidade fabril em Coventry, próxima à sede da JLR.
Sob a liderança de Balaji, no comando desde novembro, a JLR se concentra mais nos Estados Unidos, onde fechou um acordo com a Stellantis, fabricante da Jeep, para desenvolver carros em conjunto no país, o que pode abrir caminho para que a empresa venha a ter acesso às fábricas americanas.
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A empresa também planeja mais versões híbridas dos modelos de luxo Range Rover e Defender, sem conexão para recarga, para atrair os consumidores dos Estados Unidos.
Por outro lado, a empresa revelou o primeiro Range Rover elétrico na semana passada e relançou a marca Jaguar com uma linha totalmente elétrica. Esses modelos chegam em um momento de forte crescimento nas vendas de veículos elétricos na Europa.
As montadoras europeias têm enfrentado dificuldades para manter sua participação de mercado em seu próprio território, enquanto fabricantes chineses ganham espaço por meio de modelos mais acessíveis.
O SUV Jaecoo 7, da Chery Automobile, tornou-se um dos modelos mais populares do Reino Unido, ganhando o apelido de “Temu Range Rover” por ser uma versão mais barata da marca britânica.
A JLR emprega cerca de 33.000 pessoas no Reino Unido e aproximadamente 40.000 em todo o mundo. Sua receita caiu quase 10% no último trimestre, com o lucro antes dos impostos caindo 69%, para 109 milhões de libras.
Na Índia, o Grupo Tata como um todo enfrenta incertezas quanto aos seus planos de investimento após o presidente Natarajan Chandrasekaran ter anunciado que está deixando o cargo. O conglomerado fez apostas estratégicas onerosas, incluindo um investimento multibilionário no setor de semicondutores.
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