De acordo com a terceira edição do Panorama da IA no Brasil 2026, estudo feito pela Zappts, 55,1% das empresas não possuem mapeamento estruturado de ROI em inteligência artificial. O número é de 24,5 p.p. acima do estudo anterior, realizado em 2025, quando chegou a 30,6% E 19,8% medem retorno com clareza e de forma recorrente.
De acordo com a pesquisa, o uso desenfreado de IA nas corporações cresceu mais rápido do que a capacidade de medir seus resultados. 26,2% das empresas não têm orçamento definido para projetos de agentes de IA e 19,5% precisam disputar espaço dentro do orçamento tradicional de TI, sem ter uma verba própria.
Entre os entraves para a implementação de agentes de IA nas companhias, segurança da informação e privacidade lidera com 13,7% entre os respondentes. Integração com sistemas legados vem logo em seguida, com 10,5%, seguida por falta de talento (3,2%), a maior queda da pesquisa em relação às edições anteriores, uma vez que, tanto em 2024 quanto em 2025, este era o grande problema para 60% dos entrevistados.
41,9% das empresas admitem que não tem nenhuma política, framework ou regra de segurança e ética para o uso de IA. E a maior parte dos usuários de IA hoje não é da área de tecnologia: 60% ocupam cargos que não são c-level ou diretoria de TI. De acordo com o estudo, isso acaba ampliando o chamado shadow AI, uso de inteligência artificial fora do radar corporativo.
O estudo também aponta dificuldades para levar os projetos da fase piloto à operação em escala. Quase metade do mercado (48%) está em uma etapa intermediária: 24% das empresas ainda estão em projetos-piloto e outros 24% já implementaram a tecnologia em áreas específicas. Apenas 13,8% alcançaram o uso generalizado em toda a empresa, avanço pouco significativo em relação aos 11,3% registrados em 2025.
A autonomia dos agentes, sem supervisão humana, também permanece limitada. Apenas 3,6% das empresas permitem que eles executem processos críticos de ponta a ponta, enquanto 36,5% exigem aprovação humana para todas as ações.
Com relação ao quadro de funcionários, 77,3% das empresas ouvidas pretendem fazer alguma alteração nos próximos três anos. Dentre essas companhias:
- 28,7% planejam realocar e requalificar equipes;
- 27% pretendem congelar contratações operacionais;
- 21,6% projetam reduzir diretamente o número de posições;
- e 13,8% esperam ampliar o quadro de funcionários.
Ao mesmo tempo, o estudo aponta uma mudança no perfil da demanda por profissionais. A falta de mão de obra, que afetava mais de 60% das empresas em 2024 e 2025, caiu para 3,2% neste ano. O principal gargalo agora está na contratação de especialistas em orquestração de agentes e LLMs, citada por 16,8% das empresas.
Metodologia do estudo da Zappts
A terceira edição do estudo realizado pela Zappts ouviu 167 respondentes de grandes empresas (executivos de tecnologia, inovação e negócios em cargos de liderança) entre abril de julho de 2026 por meio de formulário online direcionado à base de e-mails e redes da Zappts. A margem de erro é estimada em 7,6% para um nível de confiança de 95%.




