16.9 C
Marília
HomeEsportesAnálise: chances perdidas e 'apagão' no segundo tempo voltam a castigar o...

Análise: chances perdidas e ‘apagão’ no segundo tempo voltam a castigar o São Paulo

spot_img


O São Paulo voltou a se deparar com dois velhos conhecidos na derrota por 1 a 0 para o Boca Juniors na última terça-feira, em La Bombonera, no jogo de ida das quartas de final da Copa Sul-Americana. As oportunidades perdidas e o ‘apagão’ nos minutos iniciais do segundo tempo, pontos que pareciam ter sido superados nos últimos dois jogos, voltaram a assombrar a equipe tricolor, que largou em desvantagem no mata-mata da competição continental e precisará correr atrás de uma virada. Apesar do revés, o time sai vivo do confronto e confia em uma reação em casa com o apoio da torcida, que colocou mais de 80 mil torcedores no Morumbis se somados os últimos dois jogos.

Como foi o jogo?

Primeiro tempo: São Paulo cria, mas peca na conclusão

O técnico Dorival Júnior, que pareceu enfim encontrar uma maneira de jogar, não fez grandes mudanças na escalação do São Paulo. Com a manutenção do sistema de três zagueiros, foi Iago, em evolução, quem substituiu Wendell na ala esquerda. No meio-campo, o treinador surpreendeu ao promover o retorno de Pablo Maia no lugar de Danielzinho. Por fim, a principal novidade ficou por conta do retorno de Calleri ao time titular na vaga de Gustavo Santana. O capitão havia começado no banco nos últimos dois jogos.

O São Paulo entrou com postura de competir de igual para igual. O que se viu nos primeiros 10 minutos foi um jogo diferente do esperado, com um duelo muito cauteloso entre as equipes. Aqueles que esperavam um Boca Juniors agressivo do início ao fim, se enganaram. O time dividiu a posse com os donos da casa e adotou um sistema de marcação individual no meio-campo, com Pablo Maia em cima de Ascacíbar, que tem como característica uma maior chegada na área. O Tricolor fez um bom início, incomodando a saída de bola do Boca com a marcação pressão e ganhando a maioria das segundas bolas do meio para a frente.

Fato é que os primeiros 20 minutos foram de um São Paulo muito confortável em campo, sem parecer sentir a pressão do ambiente hostil da Bombonera. A pressão da equipe, que pisou bem mais no campo de ataque que o rival, na saída de bola gerou muitos problemas ao Boca Juniors. Foi justamente assim que o Tricolor quase abriu o placar com Luciano. A defesa argentina errou um passe na saída, Iago cruzou e Luciano, sozinho dentro da área, cabeceou para boa defesa de Montero.

Depois da parada técnica, o Boca Juniors pareceu lembrar de que estava jogando em casa e passou a pisar mais no campo de ataque. Contudo, a marcação do São Paulo esteve muito bem encaixada para impedir as escapadas do Boca. As principais tentativas do time argentino foram pelo lado direito, mas Lucas Ramon conteve as investidas de Flores e Velasco, ao menos até os 30 minutos. Em um dos poucos lances de perigo criados por aquele lado, Blanco invadiu a área e finalizou por cima do gol de Rafael.

Já mais perto da reta final, o panorama do primeiro tempo seguiu bastante favorável ao São Paulo. Sem o ‘dever’ de acelerar o jogo e com uma postura mais equilibrada entre defesa e ataque, o time controlou o duelo quando teve a posse e pouco sofreu quando deu a bola ao Boca Juniors. A sensação era de que, se pressionasse um pouquinho mais, poderia até ter aberto o placar. No entanto, seria difícil criticar o São Paulo por jogar com o ‘freio de mão puxado’ em um ambiente hostil como a Bombonera lotada.

Fato é que o primeiro tempo do São Paulo foi extremamente honesto. O time soube explorar as limitações do Boca Juniors e poderia, inclusive, ter saído com a vantagem no placar. A equipe não se deixou afetar pela pressão do estádio visitante e se comportou muito bem. Não sofreu defensivamente e não cedeu praticamente nenhuma chance clara ao rival, além de ter criado duas oportunidades, perdidas por Luciano e Calleri. A postura, porém, se perdeu na segunda etapa.

Segundo tempo: apagão custa caro, mas São Paulo sai vivo

Dorival Júnior pareceu gostar do primeiro tempo do São Paulo, uma vez que o time voltou do intervalo sem mudanças. No entanto, a equipe não voltou com a mesma concentração e começou a errar mais passes no meio-campo. Foi em um desses erros e consequente perda de posse que o Boca construiu boa jogada, envolvendo a marcação do Tricolor com passes rápidos. Mesmo com muitos jogadores na área, o time paulista não conseguiu cortar o cruzamento e Rafael fez a defesa no primeiro lance, mas Merentiel mandou para o fundo das redes. O cenário foi o mesmo de jogos recentes, contra Athletico-PR e Grêmio, em que a equipe retorbou do intervalo e sofreu gols logo no início da segunda etapa.

O controle que o São Paulo teve no primeiro tempo se desfez totalmente no segundo tempo. O time, quando tinha a posse, parecia não saber o que fazer com a bola e encontrou dificuldades para trocar passes, o que levou, inclusive, ao primeiro gol do Boca Juniors. A primeira mudança de Dorival Júnior veio por volta dos 15 minutos, com a entrada de Gustavo Santana na vaga de Luciano. Com isso, Artur teve mais liberdade para cair pelo meio na fase de construção.

Depois do gol do Boca Juniors, porém, o São Paulo praticamente não conseguiu mais jogar. O time tricolor dividiu a posse com a equipe argentina, mas não foi capaz de implementar uma agressividade e criar para buscar o empate. A equipe ainda ficou próxima de levar o segundo gol em chute de Velasco, que tirou tinta de trave, e quase colocou tudo a perder quando Domingos Duarte poderia ter sido expulso. O VAR, no entanto, corrigiu a decisão errônea do árbitro, que retirou o vermelho e nem sequer apresentou o amarelo ao defensor.

Dorival seguiu mexendo no time para tentar extrair algo diferente, trazendo Ferreira na vaga de Calleri e Danielzinho no lugar de Marcos Antônio. Já nos acréscimos, também saíram Pablo e Artur para as entradas de Newton e André Silva. Desta vez, porém, as trocas não surtiram efeito nenhum — diferente do jogo do último sábado, contra o Atlético-MG, quando as substituições do treinador foram certeiras.

Em suma, o São Paulo não fez um totalmente descartável no ambiente hostil de La Bombonera. O primeiro tempo do time, dentro das condições apresentadas, foi excelente, e teria sido perfeito se tivesse marcado em ao menos uma das grandes chances criadas. Contudo, o Tricolor voltou a ser castigado pela falta de concentração ao retornar do intervalo, o que vem sendo um dos grandes problemas desde que Dorival reassumiu o comando. Apesar disso, a derrota por 1 a 0 é, dos males, o menor. A equipe são-paulina tem totais condições de virar a eliminatória no Morumbis, mas precisará de 90 minutos de muita concentração, e não de somente 45.

Situação do confronto

O resultado foi ruim para o São Paulo, que precisará de uma vitória por dois ou mais gols de diferença, em casa, para avançar às semifinais no tempo normal. Em caso de empate no placar agregado, a vaga será decidida nos pênaltis. O duelo de volta está agendado para a próxima terça-feira (15), às 21h30 (de Brasília), no Morumbis.

O vencedor do confronto entre Boca Juniors e São Paulo irá encarar o ganhador do duelo entre Santa Fé-COL e Vasco na semifinal da Sul-Americana. O Cruzmaltino segurou o empate sem gols mais cedo nesta terça-feira, em Bogotá (Colômbia).

Próximos jogos do São Paulo

Palmeiras x São Paulo (27ª rodada do Campeonato Brasileiro)
Data e horário: 12/09 (sábado), às 18h30 (de Brasília)
Local: Nubank Parque, em São Paulo (SP)

São Paulo x Boca Juniors (quartas de final da Sul-Americana — jogo de volta)
Data e horário: 15/09 (terça-feira), às 21h30 (de Brasília)
Local: Morumbis, em São Paulo (SP)

 





Fonte Link

spot_img
spot_img
Fique conectado
16,985FansLike
2,458FollowersFollow
61,453SubscribersSubscribe
Deve ler
spot_img
Notícias Relacionadas
spot_img