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Mais conhecida por financiar projetos de energia solar, a Solfácil está diversificando suas operações ao lançar uma linha de financiamento para veículos elétricos e híbridos, focando inicialmente em motoristas de aplicativos.
A empresa estima que motoristas de app, que representam um “nicho” de dois milhões de pessoas, podem economizar significativamente ao trocar combustíveis por energia elétrica. O financiamento é 100% digital, sem necessidade de entrada, e com parcelas em até 60 vezes.
A Solfácil já recebeu mais de 5 mil solicitações de crédito e projeta financiar R$ 50 milhões até o final do ano.
A empresa também considera parcerias com plataformas de transporte e planeja futuras captações de investimento para expandir suas operações, incluindo a oferta de baterias como serviço e comercialização de energia.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
No mercado desde 2018, a Solfácil ganhou tração financiando projetos de energia solar para residências e pequenas empresas. Agora, a nova tese é o financiamento de veículos elétricos e híbridos.
A linha está chegando oficialmente à carteira da empresa após um período de soft launch iniciado há cerca de um mês. “Estamos iniciando um processo de diversificação para sair de uma atuação nichada em geração distribuída solar”, afirma Fabio Carrara, fundador e CEO da Solfácil, ao NeoFeed.
A SolFácil está entrando em um mercado gigante. Carrara cita que o mercado de eletricidade movimenta anualmente entre R$ 450 bilhões e R$ 500 bilhões no Brasil. E que o segmento de combustível, levando-se em conta etanol, gasolina e diesel, é ainda maior no País – na casa de R$ 650 bilhões por ano.
“É um mercado que não deixa de ser energia e que é gigantesco no Brasil, que tem uma matriz rodoviária preponderante”, diz. “E a gente acredita que vai ter uma aceleração na migração para carros elétricos e para o abastecimento nas casas e nos comércios.”
Com essa premissa e o plano de capturar parte das cifras que serão geradas nesse percurso, a Solfácil começou a desenvolver a nova linha no início de 2026. E para engatar a marcha no segmento, escolheu iniciar esse trajeto com uma oferta centrada em um público específico: os motoristas de aplicativos.
“A Solfácil, por natureza, gosta de nichos grandes”, afirma Carrara. “E esse é um universo de dois milhões de pessoas hoje no Brasil. Ao mesmo tempo, dos carros elétricos vendidos no País nos últimos três anos, entre 20% e 30% estão rodando com esses motoristas nessas plataformas”.
Além desses números, a decisão de focar inicialmente em motoristas de app teve origem na busca por clientes que usam intensivamente seus carros no dia a dia e para quem o argumento da economia embutida em um veículo elétrico faria mais sentido.
Nos cálculos da Solfácil, isso se traduz em substituir um custo mensal, em média, na faixa de R$ 3 mil a R$ 4 mil com combustível por uma despesa mensal estimada em aproximadamente R$ 1 mil com energia, o que compensaria o pagamento da parcela do financiamento.
Em outra frente, a companhia estima que o custo mensal dos veículos ofertados para locação por empresas como Localiza e Movida, que já investem nesse perfil de cliente há mais tempo, é entre 40% e 50% mais caro que o seu modelo de financiamento.
“Esse carro se paga pela economia que ele gera no dia a dia”, diz Juci Luca, diretora de autofin da Solfácil. Ela ressalta ainda outros argumentos, como a baixa taxa de aprovação no Move Brasil, programa do governo federal criado para facilitar a compra de carros novos por esse público.
“É um público um tanto carente de crédito”, afirma a executiva. “E a gente consegue se posicionar nesse segmento porque avalia o risco desse motorista com uma lupa um pouco mais específica do que o modelo de crédito tradicional”.
O modelo adotado é muito similar ao que a Solfácil já faz ao financiar sistemas de energia solar. Nessa nova esteira, a empresa analisa os dados de renda e dos gastos dos motoristas com combustível no dia a dia para entender como fechar essa conta com um carro elétrico ou híbrido.
Com contratação 100% digital, o cliente não é obrigado a dar um valor de entrada – nesse início, essa cifra está, em média, na faixa de 15% a 20% do total da operação. A Solfácil financia os veículos em até 60 vezes, com taxas a partir de 1,34% ao mês.
A companhia poderá retomar os veículos no caso de inadimplência. Embora não revele detalhes, Luca diz que a empresa já avalia inovações nessa frente, assim como já faz na energia solar, onde criou um sistema de desligamento remoto para essas situações.
“O fato é que esse motorista é um bom pagador, tanto que existe todo um mercado de locação que está atendendo esse público”, diz Carrara. “Só que ele está tendo acesso a um produto de crédito muito caro.”
Projeções e nova captação
Com a oferta disponível em todo o País, a Solfácil está começando esse trajeto com maior foco em São Paulo. A comunicação sobre a linha, por sua vez, está concentrada em mídias online e em canais dos próprios motoristas, apostando fortemente no “boca a boca” entre esse público.
No que diz respeito à distribuição desse financiamento, a empresa não descarta estabelecer parcerias com os próprios aplicativos de transporte. “Já conversamos com essas plataformas e elas têm todo o interesse em resolver esse problema. Só que somos mais rápidos do que eles”, diz Carrara.
Em pouco mais de um mês na “rua”, a linha já contabiliza mais de 5 mil solicitações de crédito. A projeção é originar R$ 50 milhões até o fim desse ano e multiplicar esse volume por dez em 2027 – a empresa já financiou mais de R$ 6 bilhões em projetos de energia solar.
Nesse primeiro momento, a empresa tem financiado essas operações com seu próprio balanço. À medida que a linha ganhar corpo, a ideia é acessar recursos de dívida, como a companhia já faz em seu braço de energia solar.
Carrara também não descarta a captação, em breve, de uma nova rodada de investimentos. Desde a sua fundação, a Solfácil já levantou mais de R$ 900 milhões, via equity, com investidores como QED Investors, Softbank e IFC, o braço de investimentos do Banco Mundial.
“Hoje, a Solfácil é lucrativa, gera caixa, mas está claro que vamos precisar reforçar o nosso balanço”, diz Carrara. “Então, é provável que num futuro próximo nós façamos uma rodada relevante, até porque temos sentido bastante interesse dos investidores sobre essas teses de eletrificação.”
Parte dessa equação está ligada a outras frentes novas, como a oferta de baterias como serviço e o plano de ingressar, ainda em 2026, no mercado de comercialização de energia. E, dentro desse contexto, o financiamento de carros elétricos também é visto como uma porta de entrada para esse ecossistema.
“Todo motorista que estamos financiando tem acesso ao nosso medidor inteligente”, diz Carrara. “E nossa ideia é acompanhar esse cliente nos próximos anos, financiando o carro, a placa solar da casa dele, fazendo a gestão desse consumo e vendendo energia por meio da nossa comercializadora.”




