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Por que o boom de proteínas veio para ficar? McKinsey explica

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Iogurte, barra de cereal, marmita e até cerveja. Os alimentos enriquecidos com proteína estão por todos os lugares, um reflexo da disseminação das canetinhas emagrecedoras e da busca por maior saudabilidade. É uma onda totalmente diferente de tendências anteriores, como os alimentos orgânicos e à base de plantas, segundo a McKinsey.

“O que a gente tem aprendido nos últimos anos é que quando o ‘claim’ não tem um benefício específico, vira uma modinha que não voa”, afirmou Pedro Fernandes, sócio da consultoria, durante o AgroSummit, evento promovido pelo Bradesco BBI nesta quinta-feira (10), em São Paulo.

Um exemplo disso estaria justamente no atributo dos alimentos orgânicos, que ainda enfrentam barreiras para explicar ao consumidor do que se trata, mesmo em casos de alimentos altamente consumidos pela população brasileira, como o frango.

“É muito mais clara a comunicação ‘criado sem antibióticos’, por exemplo, do que dizer que é orgânico. A palavra ‘orgânico’ é importante por certificações, claro, mas na cabeça do consumidor não ficou tão claro quanto ‘zero açúcar’ ou ‘mais proteína’”, completou Fernandes.

É uma situação similar à dos alimentos que imitavam carne mas eram feitos à base de plantas, por exemplo. Não faz nem tanto tempo assim que essa era a bola da vez: em 2021, o McDonald’s fez bastante alarde a respeito de uma parceria com a Beyond Meat para o fornecimento de hambúrgueres plant based para a rede de fast food.

“Existe um nicho para isso, não se tornou tão popular como se previa. O vegetarianismo cresce, mas essas pessoas estão muito mais numa pegada de achar os vegetais que realmente têm proteína e consumir em grandes quantidades, de formas diferentes, e não tentar emular [carne]”, resumiu Fernandes.

Alimentação de precisão

Há poucos anos, entretanto, quando esse comportamento era menos claro, a perspectiva de um consumo gigante desses alimentos feitos à base de plantas chegou às discussões no alto escalão de empresas gigantes aqui do Brasil, como a JBS e a Amaggi.

No painel, Gilberto Tomazoni, CEO da JBS, lembrou de forma bem-humorada de uma conversa que teve com Blairo Maggi a respeito do assunto. “Eu lembro até que o Blairo tinha voltado do Vale do Silício. Ele me falou ‘Vamos ter que produzir, virar tudo em ervilha nesse negócio’”, disse.

Gilberto Tomazoni, ao centro, e Pedro Fernandes participam de painel medidado por Henrique Brustolin (esquerda) | Crédito: Divulgação
Gilberto Tomazoni, ao centro, e Pedro Fernandes (dir.) participam de painel medidado em evento do Bradesco BBI | Crédito: Divulgação

Em 2021, a JBS fez um investimento majoritário na BioTech Foods, uma empresa espanhola, para produzir proteína cultivada em escala comercial. Em 2023, a empresa construiu um laboratório de pesquisa em Florianópolis, também de olho nessa tendência.

Apesar de a tendência não ter decolado, os investimentos formaram as bases para a JBS avançar na onda da busca por proteína, permitindo à empresa entender melhor o funcionamento de DNA, de RNA, de como as células envelhecem, entre outros pontos.

O foco, no fim das contas, é identificar as matérias-primas que fazem parte do processo produtivo da JBS, identificando atributos capazes de serem adicionados, com um custo cada vez menor. Nas palavras de Tomazoni, levar para outro nível a valorização de uma carcaça, por exemplo.

“Como é que a gente pode pegar essas proteínas que hoje a gente destina para ração animal e identificar nelas peptídeos ou aminoácidos que vão ajudar a gente a fazer uma alimentação de precisão?”, exemplificou o CEO da JBS.

Com base nos resultados recentes, os esforços se justificam — num crescimento dessa procura por maior saudabilidade trazendo dinheiro até mesmo em um dos maiores mercados consumidores do mundo.

Nos Estados Unidos, a Just Bare, marca da JBS de frango fresco e congelado sem antibióticos, aditivos ou conservantes, já fatura US$ 1 bilhão, tendo conquistado 15% do mercado consumidor em cinco anos, contou Tomazoni.

“Para mim, a grande mudança que está aí é um reconhecimento do valor nutricional da proteína. Esse é um grande movimento que não volta para trás, não é uma onda, é estrutural”, finalizou o CEO.



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