Uma lambida ocasional nas patas faz parte da rotina de muitos cães. O problema começa quando o animal passa longos períodos repetindo o comportamento ou concentra a atenção sempre na mesma região.
Vermelhidão, falhas no pelo, feridas e até mau cheiro podem aparecer depois de tanto contato com a língua. Nesses casos, o que parece apenas uma mania pode ser um sinal de que existe algum desconforto por trás do comportamento.
Segundo Flávia Paiffer, professora do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera, a lambedura excessiva não deve ser automaticamente encarada como um comportamento sem importância.
Mas o que pode levar um cachorro a lamber tanto as próprias patas?Existem diferentes possibilidades, e algumas delas podem passar despercebidas no começo.
Alergias
As alergias estão entre as possíveis causas de coceira e lambedura excessiva. O problema pode estar relacionado a fatores ambientais, como ácaros e pólen, ou a outros agentes que precisam ser investigados individualmente.
Além de observar o cão levando a pata à boca repetidamente, o responsável pode perceber vermelhidão, coceira em outras partes do corpo e alterações na pele ou entre os dedos.
Com o passar do tempo, a própria saliva também pode alterar a aparência dos pelos. É comum que a região fique mais escura quando permanece constantemente úmida pelo contato com a boca.
Parasitas
Pulgas, carrapatos e alguns tipos de ácaros também podem provocar coceira, inflamação e desconforto.
Mesmo que o tutor não consiga encontrar nenhum parasita no corpo do animal, isso não significa que a hipótese possa ser descartada. Uma reação às picadas, por exemplo, pode fazer com que o cachorro passe a coçar ou lamber determinadas regiões com frequência.
Por isso, quando a lambedura aparece junto com outros sinais de irritação na pele, uma investigação veterinária pode ajudar a identificar a origem.
Ferimentos ou corpos estranhos
Nem sempre a causa está espalhada pelo corpo. Às vezes, o incômodo está justamente na pata que o cão não para de lamber.
Espinhos, pequenas pedras, farpas e outros objetos podem ficar presos entre os dedos ou nas almofadas. Cortes, fissuras, queimaduras provocadas pelo contato com superfícies quentes e outros machucados também podem provocar desconforto.
Um detalhe importante é observar quando o comportamento começou. Se o cão passa a lamber uma única pata repentinamente, vale conferir a região com cuidado.
Caso exista um objeto preso profundamente ou uma lesão dolorosa, a recomendação é não tentar retirar ou manipular o local por conta própria.
Infecções e inflamações na pele
Alterações na barreira da pele e o excesso de umidade podem favorecer a proliferação de microrganismos, como bactérias e fungos, principalmente quando existe alguma doença de base.
Nessas situações, além da lambedura, podem surgir mau cheiro, vermelhidão, descamação, inchaço, dor, secreção ou mudanças na aparência da pele.
Outro ponto importante é que o próprio comportamento pode alimentar o problema. Quanto mais o cachorro lambe a região, mais ela permanece úmida e irritada, o que pode dificultar a cicatrização e favorecer infecções secundárias.
Forma-se, então, um ciclo: o animal sente desconforto, lambe a pata, irrita ainda mais a pele e passa a sentir vontade de lamber novamente.
Estresse, ansiedade ou tédio
A causa também pode estar relacionada ao comportamento. Alguns cães podem desenvolver comportamentos repetitivos diante de situações de estresse, ansiedade, falta de estímulos ou mudanças na rotina.
Isso não significa, porém, que toda lambedura excessiva seja causada por ansiedade ou tédio. Antes de chegar a essa conclusão, é importante investigar possibilidades como dor, alergias, infecções, parasitas e outras alterações no organismo.
Mudanças recentes na rotina, períodos prolongados sozinhos ou falta de atividades também podem ser informações importantes para o veterinário durante a investigação.
Quando procurar o veterinário?
Se o cachorro lambe as patas apenas ocasionalmente e não apresenta nenhuma outra alteração, o comportamento pode fazer parte da higiene habitual.
A situação merece mais atenção quando a lambedura se torna frequente ou persistente, principalmente se vier acompanhada de feridas, inchaço, perda de pelos, secreção, mau cheiro ou dor.
Também é importante observar se o animal apresenta dificuldade para apoiar a pata ou demonstra incômodo quando a região é tocada.
Nesses casos, a avaliação de um médico-veterinário é indicada para descobrir o que está provocando o comportamento e definir o tratamento adequado.
Por fim, não é recomendado aplicar pomadas, medicamentos ou receitas caseiras sem orientação profissional. Uma mesma manifestação pode ter causas diferentes e, sem identificar a origem, tentar tratar apenas o sintoma pode não resolver o problema e ainda agravar a irritação.




