Um estudo da Innoscience em parceria com o Cubo Itaú revelou que a maioria (70%) dos profissionais brasileiros com atribuições de inovação assumiram suas posições a partir de 2021, sendo que esses especialistas migraram das áreas de tecnologia, engenharia e estratégia.
Apenas 18 de um universo de 2,4 mil líderes corporativos com cargo de inovação já começaram diretamente na área. Feito com base em perfis e 40 mil publicações desses profissionais em rede social profissional, entre janeiro de 2023 e junho de 2026, o levantamento exclui ainda 3,5 mil executivos de consultorias, universidades e governo.
Divulgado durante o evento Cubo Conecta 2026, nesta segunda-feira, 14, o estudo aponta que 70% desses profissionais estão no Sudeste e 18%, no Sul.
Do total, os profissionais ocupam os seguintes cargos:
- 35% são analistas;
- 25% gerentes e heads;
- 23% diretores, VPs e C-Level;
- 10% especialistas;
- 6% coordenadores e supervisores.
Os colaboradores focados em inovação estão alocados nos setores de saúde e ciência (15%), telecomunicação e TI (14%), serviços financeiros (12%), energia (7%) e alimentos e bebidas (6%).
Inovação e IA — prática x discurso
Apresentado por Maximiliano Carlomagno, sócio-fundador da Innoscience, o estudo mostra que, a partir de publicações e perfis em plataformas como o LinkedIn (Android, iOS), o estudo aponta duas tendências:
- Crescimento de profissionais de inovação colaborativa no Brasil;
- IA está invadindo toda atividade, mas sem a mesma velocidade de aplicação na prática.
Isso é reforçado pelo fato de que apenas 2,1% dos executivos de inovação relatam usar IA no trabalho. A maioria (91%) afirma ter competências mais voltadas à gestão de recursos e operações. Contudo, a presença de discursos sobre IA triplicou de 7,5% para 24%, ao se considerarem os 14 trimestres do levantamento.
Agrega-se outro dado para este cenário em que pouco se faz e muito se fala:
- 60% valorizam a atividade, como eventos, workshops e hackathons;
- Apenas 18% valorizam o resultado, como ganho de eficiência e geração de novas receitas.
Para Carlomagno, os resultados se contrapõem e mostram uma lacuna de repertório para a demanda por habilidades necessárias para a inovação corporativa até 2030 — baseado em estudo do World Economic Forum. Por exemplo, o WEF espera que 88% dos especialistas tenham conhecimento em IA e analytics, mas apenas 24,5% se declaram aptos a usar essas tecnologias entre os profissionais brasileiros de inovação.
O estudo recomenda que os profissionais de inovação escolham casos reais em 90 dias que possam ser comunicados, além de reavaliarem suas habilidades para ficarem atualizados com as demandas do futuro. Na outra ponta, para quem contrata os profissionais de inovação — RH e alta liderança —, a instrução é redesenhar trilhas de carreiras com critérios técnicos e incluir indicadores de resultados em suas avaliações.




