“Quanto vale uma empresa que vai crescer um dígito alto em lucro, com margens se aproximando de 30% e convertendo, no mínimo, 60% disso em caixa?” Foi assim que Chuck Magro, CEO da Vylor, respondeu a uma pergunta a respeito de como a companhia recém-criada (a partir do spin-off da Corteva) deveria ser avaliada.
A provocação veio na fase de perguntas e respostas do primeiro Investor Day da empresa, realizado antes mesmo de ela existir de forma propriamente dita. Isso está previsto para acontecer no dia 1º de outubro, mas ganhou alguns contornos judiciais recentemente.
Nesta semana, a Justiça da Califórnia entrou com uma ação para tentar bloquear a cisão, alegando que se trata de uma manobra para blindar ativos de indenizações ligadas a substâncias químicas (PFAS). Aos investidores, Magro ressaltou que a companhia já submeteu os documentos necessários à Justiça e que ele segue confiante de que o processo será feito no dia 1º de outubro.
A maior parte do encontro de duas horas e meia, nesta terça-feira, foi dedicada a explicar a estratégia da nova empresa, baseada principalmente em novas tecnologias e em ampliar o acesso ao que ela já faz.
A Vylor quer passar de um faturamento de US$ 10,4 bilhões, em 2026, para uma faixa de US$ 11,2 bilhões a US$ 11,9 bilhões até 2029, um crescimento de 3% a 4% ao ano.
O Ebitda operacional deve passar de US$ 2,8 bilhões para uma faixa de US$ 3,3 bilhões a US$ 3,7 bilhões, com a margem Ebitda passando de 27% para 30%. A melhora viria de disciplina de custo e do crescimento do licenciamento, que tem margens mais altas do que a venda tradicional de sementes.
A empresa também mantém o compromisso de investir 10% da receita em pesquisa e desenvolvimento e projeta converter pelo menos 60% do Ebitda em caixa livre. Isso sem contar com futuras aquisições (M&As).
Provedora de tecnologia
O crescimento previsto para os próximos anos vai passar principalmente pelo avanço do licenciamento das tecnologias da empresa, somado ao aumento das vendas no negócio atual de milho e de soja.
Daqui para frente, a Vylor pretende vender acesso à sua tecnologia (germoplasma e traits) para terceiros, em vez de vender apenas sementes com a sua própria marca.
“Essa é uma mudança estrutural de produto para plataforma, de vendedores de sementes para provedores de tecnologia”, disse Magro, na apresentação.
Historicamente, explicou o CEO, a empresa pagava mais royalties para acessar a tecnologia de terceiros (como traits de biotecnologia de outras empresas) do que recebia para licenciar a própria. Em 2026, pela primeira vez, essa conta vai empatar.
Enquanto a receita em licenciamentos deve somar US$ 400 milhões neste ano, a despesa com royalties também deve ficar em US$ 400 milhões. A tendência, no entanto, é que a receita ultrapasse as despesas nos próximos anos. “A oportunidade é de US$ 1 bilhão de líquidos daqui até 2035. Cerca de um terço disso é simplesmente parar de pagar royalties para terceiros”, disse Magro.
Segundo ele, há uma demanda enorme de empresas independentes de sementes por esse tipo de tecnologia. “Só nas Américas, entre milho e soja, esse é um mercado de US$ 4 bilhões, formado por mais de cem empresas independentes só nos Estados Unidos. Somos um dos poucos players posicionados para aproveitar essa demanda”, afirmou o CEO, estimando que esse mercado cresça cerca de 15% até 2040.
Aproveitar essa estratégia será diferente em cada mercado. A maior parte do crescimento ao longo dos próximos anos deve vir de milho nos Estados Unidos e de soja na América Latina.
O que virá para o Brasil
Olhando especificamente para o Brasil, um dos pontos-chave que alimenta essa ambição está na plataforma Conkesta, de sementes de soja. A taxa de penetração, que ficou em 5% em 2025, deve subir para dois dígitos em 2026 e chegar a 30% até 2030.
“Graças a um avanço regulatório favorável que conquistamos, os agricultores brasileiros terão em breve acesso à solução de controle de inseto em soja mais ampla já introduzida no País, e ela será combinada com tecnologia de controle de plantas daninhas”, afirmou Sam Eathington, CTO (Chief Technology Officer) da Vylor.
Segundo Magro, a empresa tem a ambição de ser o segundo maior player de soja nesse mercado até o final da década.
As inovações virão por meio da plataforma MDR (Multi-Disease Resistance), baseada em edição gênica e focada na resistência a várias doenças. Inicialmente desenvolvida para sementes de milho, a Vylor agora está expandindo a tecnologia para a soja. Nesse portfólio, vai entrar até a resistência à ferrugem asiática, atualmente em desenvolvimento pela empresa.
Também na América Latina, a empresa está focada numa plataforma de milho chamada Abranvo, que tem quatro modos de ação diferentes especificamente contra a lagarta-do-cartucho.
A novidade vem em meio a um lançamento de sete plataformas de milho, que juntas devem trazer US$ 6 bilhões a US$ 7 bilhões em receita líquida ao longo da próxima década.
O pipeline de inovação da Vylor cresceu quase US$ 4 bilhões desde 2023 e deve entregar um recorde de US$ 19 bilhões no fim da próxima década, com o valor do pipeline aumentando mais de 55%. Isso inclui as 12 novas plataformas em milho, soja e trigo, além de todo o pipeline de pesquisa e desenvolvimento.




