A Ubots planeja uma expansão para a América Latina. Em conversa exclusiva com Mobile Time nesta terça-feira, 15, o CEO da empresa conversacional, Rafael Souza, afirmou que o avanço acontecerá por meio das cooperativas de crédito.
Atualmente, um em cada quatro cooperados do Brasil está em instituições de crédito cobertas pela Ubots. Ou seja, o equivalente a pouco mais de 5,2 milhões de consumidores, se considerada a base de 21 milhões de cooperados informada pelo Banco Central em julho deste ano, trata-se de 25% desse público.
Agora, a companhia está engajada em conversas com cooperativas latino-americanas e quer levar a sua experiência para essa região — demanda que surgiu do próprio mercado local.
Souza explicou que essa expansão regional deve acontecer ao longo de 2027. Até o final de 2026, a Ubots vai coletar dados, validar o mercado e avançar nas negociações iniciais.
O executivo também afirmou que a criação de uma estrutura física é possível a partir do avanço das conversas e dos contratos.
Disse ainda que a empresa deve utilizar inteligência artificial generativa para dar escala à operação internacional. Atualmente, a companhia conversacional já usa a tecnologia internamente em áreas como marketing, suporte, sucesso do cliente e vendas. Esse mesmo modelo deve ser adaptado para o espanhol.
Estratégia da Ubots
Completando dez anos de existência nesta terça-feira, a Ubots tem nas cooperativas de crédito a maior parcela de seus clientes. Completam essa carteira marcas do varejo, logística e educação. Contudo, o CEO da empresa usou este momento para avançar com mais ímpeto para o setor financeiro.
Isso passa pelo aprofundamento dos casos de negócios construídos até aqui com as cooperativas, como:
- Giro automático de carteira, ao combinar canal de conversação com CRM para identificar a intenção de compra de consumidores e disparar ofertas automatizadas, assim como acionar gerente de relacionamento quando o cliente demonstra interesse por produtos e serviços financeiros;
- Recuperação de crédito e cobrança com mesas de negociação e réguas de cobrança operadas por IA generativa;
- Apoio às operações de campo e suporte, ao convocar assembleias, gerenciar pontos de atendimento digital e oferecer suporte interno para gerentes de agência via Microsoft Teams.
Em conversa com esta publicação, Souza afirmou que as empresas buscam soluções de negócios que entreguem valor, e não apenas a tecnologia por si só. Neste cenário, o executivo acredita que os clientes atendidos estão em evolução dos chatbots tradicionais para copilotos e automação completa.
Essa automação permite avançar para casos reais, como o uso da IA generativa para a jornada completa de finanças — do alerta ao cliente ao fechamento da negociação — e mesas de recuperação de crédito também baseadas por completo em GenAI.
Mais novidades da Ubots
Durante o Ubots Summit 2026, evento organizado pela empresa conversacional nesta terça-feira na capital gaúcha, o CEO da companhia confirmou que a equipe está desenvolvendo uma solução para construção de agentes conversacionais em segundos. Similar ao Lovable, a ferramenta permitirá criar agentes a partir de um prompt. Sua estrutura contará com um ambiente para testes automatizados de comportamento, guardrails específicos para fluxos conversacionais, templates prévios e integração com base de dados.
Outra solução que Souza afirmou estar “no forno” é a possibilidade de gestores conversarem com as métricas recebidas da plataforma conversacional, em vez de baixarem relatórios estáticos ou consultarem painéis. Isso permitirá perguntar ao robô informações de negócios e operacionais, como quais agências possuem o melhor tempo médio de atendimento ou a maior nota de satisfação dos clientes.
A companhia também avança em sua solução de análise de conversa com auditoria de atendimento para avaliar a totalidade das interações de uma instituição e extrair métricas de qualidade, além do monitoramento de scripts para que os líderes verifiquem se equipes e gerentes de relacionamento estão seguindo os roteiros de vendas e demais combinados comerciais.
O Agent Builder já possui agentes em operação e testes com alguns clientes e deve receber atualizações até o final deste ano. A análise de conversas já está disponível comercialmente e começa a receber novos monitores para casos de negócios específicos. A conversa com dados está em fase final de desenvolvimento para lançamento nos próximos meses.
Também está no radar um módulo de campanhas com flexibilidade, multicanalidade e foco em ativações — ainda sem previsão de lançamento —, além de uma opção de agente de prateleira voltado para recuperação de crédito.
*O jornalista viajou para Porto Alegre/RS a convite da Ubots.
Imagem principal: Rafael Souza, CEO da Ubots (crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time)




