
Esperar que uma situação se agrave não deve ser o primeiro caminho para quem enfrenta um problema relacionado à saúde mental. Os serviços de urgência atuam nos casos que exigem atendimento naquele momento, mas o cuidado pode começar antes, por meio da procura pelos serviços de saúde e do acompanhamento de cada caso.
Dados da base de chamados do Samu de Marília mostram como essas situações também chegam à urgência. Entre janeiro e julho de 2026, foram registrados 2.265 chamados relacionados à saúde mental, 9,4% a mais que os 2.070 contabilizados no mesmo período de 2025.
A classificação reúne diferentes situações. Os chamados podem envolver crises de ansiedade, episódios de agitação, alterações de comportamento, desorientação, sofrimento psíquico e outros quadros que levam a pessoa, familiares ou terceiros a procurar atendimento. Os números, portanto, não correspondem a uma única condição, mas ajudam a dimensionar a presença das questões de saúde mental entre as demandas recebidas pelo serviço.
Segundo o médico regulador do Samu de Marília, João Bermudes, nem todas as situações relacionadas à saúde mental apresentam o mesmo nível de risco ou exigem a mesma resposta.
“Existem diferentes situações relacionadas à saúde mental e cada uma precisa ser avaliada de acordo com as condições apresentadas. Quando o chamado chega ao Samu, a regulação verifica o quadro informado, se existe risco e se há necessidade de atendimento de urgência. A partir dessa avaliação, é definida a resposta para cada caso”, explica.
Os registros mostram ainda que essas demandas estão presentes ao longo do ano. Nos sete primeiros meses de 2026, o número mensal variou de 272 a 397 chamados. Fevereiro teve o maior volume, com 397 registros, seguido por abril, com 360, e março, com 348.
Os dados também abrem espaço para uma discussão durante o Setembro Amarelo que vai além das situações de urgência. O período pode reforçar que a atenção à saúde mental inclui acompanhamento e acesso aos serviços antes que determinado quadro exija atendimento emergencial.
“Nem toda demanda relacionada à saúde mental começa como uma urgência. Há situações que podem ser acompanhadas por outros serviços da rede de saúde. O Samu passa a atuar quando o quadro apresentado exige uma resposta naquele momento, mas a assistência à saúde mental também ocorre em outros pontos da rede”, afirma Bermudes.
A procura por atendimento antes do agravamento permite que cada situação seja avaliada e direcionada ao serviço correspondente. Unidades de saúde e serviços especializados integram essa rede e podem acompanhar casos que não apresentam caráter de urgência.
Para Bermudes, os números registrados pelo Samu também mostram que as questões relacionadas à saúde mental não estão restritas ao mês de setembro.
“O Setembro Amarelo amplia a discussão sobre saúde mental, mas os chamados mostram que essa demanda está presente durante todo o ano. É preciso conhecer os serviços disponíveis e procurar atendimento de acordo com a necessidade de cada situação, sem esperar que o quadro chegue a uma urgência”, conclui.




