Pressionado por Trump a se tornar o 51º estado americano, o Canadá está tentando se tornar o 28º país-membro da União Europeia – ou pelo menos o 1º membro-associado do bloco.
A aproximação entre o país e o bloco europeu começou durante o EU-Armenia Summit, em maio, quando o Primeiro-ministro Mark Carney e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, começaram a discutir a possibilidade do Canadá se tornar um membro-associado do bloco.
O convite formal foi feito ontem, quando Carney visitou o Parlamento Europeu e ouviu de Leyen que a UE quer o Canadá.
“Eu disse que precisamos reimaginar urgentemente nossas parcerias. Então, gostaria de trabalhar com vocês,” disse Leyen numa sessão do Parlamento Europeu com Carney presente. “Quero nossa parceria no maior nível possível.”
O movimento ocorre no momento em que Trump escala a guerra comercial com o Canadá e se distancia cada vez mais da UE e da Otan.
Após o encontro, o presidente americano classificou o movimento como “cômico”, e ameaçou impor mais tarifas à Europa caso ela avance com o plano.
Carney e Leyen disseram que a aproximação entre os dois não tem o objetivo de alienar os EUA, e sim de buscar mais opções para suas economias.
“Esta é uma tempestade feroz. Uma árvore pode cair. Uma floresta não,” Carney disse hoje no Parlamento Europeu. “Isso é sobre soberania. Nossa capacidade de viver como quisermos. É sobre as liberdades pelas quais devemos lutar, todos os dias.”
Canadá e UE já contam com acordos bilaterais em diversos setores, incluindo um de livre comércio (o Ceta) que ainda não foi ratificado por 10 países europeus nove anos após ter sido assinado.
Pesquisas mostraram que uma esmagadora maioria dos canadenses apoia uma aproximação com a UE.
Leyen disse que a parceria envolveria cooperação na indústria de defesa, uma aliança tecnológica e em inteligência artificial, projetos conjuntos no Ártico, além de iniciativas em energia, minerais críticos e segurança econômica.
Carney também quer que o Canadá participe do programa de intercâmbio estudantil Erasmus Plus, aumente seu envolvimento no programa de pesquisas Horizon Europe e negocie um acordo que permita que jovens trabalhem no país um do outro.
Apesar do entusiasmo de ambas as partes, o caminho para o Canadá se tornar um membro-associado associado é longo, tortuoso, e exigirá muita negociação – como tudo que envolve a UE.
A UE não possui um mecanismo formal para estabelecer um membro-associado, o que significa que a proposta precisaria da aprovação unânime dos 27 países-membros do bloco – o que pode ser um problema considerando o temor de algumas capitais europeias à reação de Trump.
O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, propôs no início do ano tornar a Ucrânia um membro-associado do bloco como etapa intermediária para se tornar um membro-pleno, mas a ideia foi rejeitada por outros países.
O porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, disse que embora Berlim esteja disposta a “discutir novos modelos de parceria” com o Canadá, o termo “membro associado” deveria ser “reconsiderado”.
Já o comissário de Comércio da UE, Maros Sefcovic, rejeitou a possibilidade de oferecer tratamento especial ao Canadá, relembrando que parceiros antigos do bloco, como Noruega e Suíça, seguem as regras da UE e até contribuem para o orçamento compartilhado do bloco.
No lado canadense, uma eventual entrada na UE teria que ser aprovada pelo parlamento local.
Canadá e UE têm uma cúpula bilateral marcada para 29 e 30 de outubro em Montreal, onde devem anunciar alguns acordos, incluindo um pacto sobre comércio digital.




