A transição da suinocultura para modelos de produção de baixo carbono e economia circular exige estratégias precisas de formulação de dietas. Segundo estudo conduzido pelo Dr. Francesc Molist, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Schothorst Feed Research (SFR), na Holanda, a simples substituição de grãos por subprodutos não garante redução automática de emissões de gases de efeito estufa e pode elevar significativamente os custos da ração seca se não houver um planejamento nutricional integrado.
Impactos da Transição para Rações Suínas Circulares
| Eixo Analisado | Impacto Prático na Dieta Suína | Desafio Econômico / Técnico |
| Subprodutos e Circularidade | Reduz emissões em níveis moderados; altas doses exigem reajuste de insumos | Aumento progressivo nos custos da ração em altas taxas de inclusão |
| Redução de CO₂ | Cortes de ~10% são viáveis; reduções mais drásticas encarecem a formulação | Impossibilidade prática de atingir 50% de redução em ração seca |
| Substituição da Soja (MUT) | Reduz a pegada de carbono vinculada à Mudança no Uso da Terra | Eleva custos; inclusão ideal varia conforme preço e fase de terminação |
| Alimentação Líquida | Absorve maior volume de subprodutos circulares com menor pegada inicial | Depende da disponibilidade local de resíduos e subprodutos líquidos |
As 6 Conclusões Estratégicas para a Nutrição Suína
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Circularidade ≠ Menor Pegada de Carbono: Trocar grãos por subprodutos reduz emissões inicialmente, mas inclusões excessivas exigem compensação com ingredientes mais densos para suprir as exigências nutricionais, o que pode reelevar as emissões de carbono.
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Aumento nos Custos de Alimentação: O uso elevado de ingredientes circulares (como farelo de trigo, DDGS, farinha de pão e produtos de origem animal) encarece a ração em níveis mais altos de inclusão devido à necessidade de correções na matriz de aminoácidos e energia.
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Limites Reais na Redução de CO₂: Reduções de até 10% nas emissões geram pequenos acréscimos de custo em dietas com alto farelo de soja. Contudo, metas mais agressivas ou formulações sem soja elevam os custos substancialmente. Uma redução de 50% mostrou-se inalcançável para rações secas.
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Abordagem Nutricional Integrada: Na ração seca, doses maiores de subprodutos reduziram a eficiência do uso de nitrogênio e fósforo. Sustentabilidade exige análise simultânea das emissões de carbono, utilização de nutrientes e circularidade.
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Seleção Estratégica do Farelo de Soja: A eliminação do farelo de soja associado à Mudança no Uso da Terra (MUT) reduz o impacto ambiental, mas inflaciona a dieta. A soja não é estritamente essencial na fase de terminação, mas sua presença depende do custo-benefício.
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Potencial da Alimentação Líquida: Dietas líquidas permitem incorporar volumes elevados de subprodutos a custos controlados e com menor pegada de carbono inicial, apresentando-se como uma das alternativas mais viáveis para a suinocultura circular.
Para Francesc Molist, Gerente de P&D da Schothorst Feed Research (SFR), “a alimentação sustentável de suínos requer um equilíbrio entre circularidade, redução de carbono, eficiência nutricional, custo e disponibilidade de ingredientes. Não existe uma solução única ideal para todas as realidades.”
Já para Francesc Molist sobre métricas de sustentabilidade, “recomendamos o uso de metas absolutas de pegada de carbono em vez de reduções percentuais fixas, pois alcançar a mesma redução percentual torna-se exponencialmente mais difícil quando a pegada inicial do produtor já é baixa.”




