A primavera começa às 21h05 desta terça-feira, 22 de setembro, sob influência do El Niño. De acordo com a NOAA (Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera, na sigla em inglês), há 75% de chance de o fenômeno ser o mais intenso desde o início dos registros contínuos, em 1950.
Houve três registros de grandes El Niños até aqui: de 1982/83, com anomalia trimestral de temperatura no Pacífico Central de 2,4°C; de 1997/98 e de 2015/16, com anomalias de temperatura de 2,3°C. Em 2026, na última medição trimestral (entre junho e agosto), a temperatura alcançou 1,4°C, e o ápice do El Niño acontecerá entre novembro e dezembro.
A nova estação é geralmente marcada pelo aumento da chuva e da temperatura. Neste ano, o inverno já foi chuvoso por conta do El Niño, e a precipitação aumentará ainda mais no Sul e em partes das regiões Sudeste e Centro-Oeste durante a primavera.
Não será estranho municípios do oeste do Paraná e de Santa Catarina e do norte do Rio Grande do Sul receberem mil milímetros nos 90 dias da estação, enquanto o normal seria um acumulado de 650 milímetros no período.
Além do Sul, a precipitação frequente e acima da média alcança São Paulo, Mato Grosso do Sul, o oeste e o sul de Minas Gerais e o sul do Rio de Janeiro.
O calor demora a predominar nessas regiões, já que a nebulosidade será persistente. Temperaturas persistentemente elevadas são esperadas apenas mais perto de dezembro.
Os impactos no campo
Pensando em agricultura, o excesso de chuva, a baixa radiação solar e o solo encharcado dificultam o plantio de milho e de soja, além de piorar a qualidade das culturas de inverno no Rio Grande do Sul e no Paraná.
Em São Paulo e no Mato Grosso do Sul, há dificuldade na colheita da cana-de-açúcar e laranja, já que a quantidade de açúcar diminui consideravelmente.
Por outro lado, pensando-se na florada da laranja e no desenvolvimento da cana para o ano que vem, as condições são favoráveis.
No café, a florada aconteceu de forma antecipada, ainda no inverno, e a chuva nos próximos meses ajuda no “pegamento”.
Pouca chuva no centro e norte do Brasil
Nas regiões Norte e Nordeste e nos estados de Mato Grosso, Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro e norte de Minas Gerais, a expectativa é de chuva abaixo do normal na primavera.
As maiores anomalias negativas são previstas entre o Pará e Amazonas. Em Manaus, por exemplo, estimam-se 185mm em três meses, enquanto o normal seriam mais de 500mm — ou seja, apenas um terço do normal para a estação.
Na Amazônia, o risco é de uma vazante muito intensa nos rios e problemas no transporte. O porto de Miritituba (PA) está em alerta para uma possível dificuldade no carregamento dos cargueiros.
Além disso, no Matopiba, a chuva ocorre de forma muito espaçada, aumentando o risco de replantio e diminuição da produtividade da soja e do milho.
Em Mato Grosso, Goiás e norte de Minas Gerais, apesar da chuva abaixo da média, a melhor distribuição da precipitação diminui a chance de grandes perdas na soja.
O calor domina o centro e norte do Brasil e a temperatura deve ficar mais de 4°C acima do normal no Pará e Amazonas.
Os próximos dias
Nos últimos sete dias, choveu torrencialmente sobre o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, com muitos municípios registrando acumulados superiores a 200 milímetros.
Até amanhã (23), uma frente fria leva chuva forte aos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), dificultando as atividades de embarque e desembarque.
Já no interior, destacamos acumulados de pouco mais de 25mm entre o norte do Paraná e oeste e sul de São Paulo, região de soja, café e cana de açúcar, além do sul e Zona da Mata de Minas Gerais, área de café.
Pensando-se em plantio de soja, a chuva é mais consistente e a umidade do solo está adequada para a instalação em Mato Grosso do Sul. Em Mato Grosso, por outro lado, até o dia 28 de setembro, não aparecem acumulados tão significativos.
Além disso, o frio domina o Rio Grande do Sul e Santa Catarina nesta quarta-feira, com mínimas abaixo dos 5°C, algumas geadas, porém baixo potencial para perdas de trigo e de milho pelo fenômeno.
No primeiro fim de semana de primavera, enquanto o calor predomina no Sudeste e Centro-Oeste, as tempestades retornam ao Rio Grande do Sul, com acumulado acima dos 50mm sobre a metade sul do estado, área produtora de arroz.
Já na primeira semana de outubro, a precipitação espalha pelo Sul, Sudeste e Centro-Oeste, trazendo melhores condições de plantio ao Mato Grosso, sudoeste de Goiás e Triângulo Mineiro.
Mais ao sul, o Paraná será novamente castigado pelos temporais com acumulado acima dos 100mm nos primeiros dias do próximo mês.




