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Como a JBS quer ajudar empresas a surfar a onda da proteína

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A saudabilidade e a demanda por proteínas adicionais bateram na porta da JBS, a maior produtora de proteína animal do mundo. Ela respondeu não só com investimentos para inovar o seu próprio portfólio e aumentar a oferta de carnes, mas também com uma nova frente de negócios para ajudar outras empresas a surfar essa tendência.

A companhia anunciou, nesta semana, a criação da Genu-in Solutions, uma nova frente de negócios sob a Genu-in, empresa da JBS Novos Negócios especializada na produção de peptídeos de colágeno e gelatina para indústrias de suplementos alimentares e cosméticos.

No novo braço, a atuação vai além do fornecimento de ingredientes e do suporte técnico que marca a Genu-in, e passa a incluir todo o processo de pesquisa, desenvolvimento, testes e customização de soluções.

“Avançamos do ingrediente para o desenvolvimento do produto final”, diz Ricardo Gelain, presidente da JBS Novos Negócios. Segundo ele, além de acelerar a inovação, a iniciativa reduz riscos para os parceiros, integrando todas as fases, da formulação à avaliação regulatória, incluindo comunicação e logística.

O pressuposto é acompanhar as mudanças no comportamento do consumidor, “como a maior atenção à saúde e ao bem-estar e a busca por formas mais convenientes de incorporar proteínas”, diz a empresa. Antes concentrado em refeições e suplementos, o macronutriente cada vez mais avança em outras categorias, “do requeijão à cerveja”.

Esse é um mercado que, no mundo, deve alcançar US$ 101,62 bilhões até 2030, com crescimento médio anual de 6,2%, segundo dados da Grand View Research.

Terceira fase de expansão

A Solutions representa a terceira fase de expansão da Genu-in. A empresa foi criada em 2022, com um investimento de R$ 400 milhões para fornecer colágeno e gelatina principalmente para o mercado de suplementação.

A segunda fase de expansão começou em 2024, aplicando colágeno em novos produtos, como barras de proteína e bebidas. “Em muitos casos, a partir de demandas dos próprios clientes B2B”, disse Guilherme Moraes, diretor de Marketing da empresa, ao The AgriBiz.

Além da Seara, da própria JBS, outros clientes que passaram pela Genu-in incluem a Mamba Water Protein, suplemento alimentar com proteína adicionada a água natural ou saborizada, e a Spaten Pro, cerveja sem álcool da Ambev com proteínas extra.

Agora, a empresa vai “se desafiar para aplicar a proteína em novas categorias ainda não trabalhadas”. A capacidade de transformar inovação em produto, incluindo testes e regulação, é o diferencial, segundo o diretor de marketing.

“Muitas vezes levamos a um cliente uma nova aplicação, ele achou a ideia maravilhosa, mas não sabia por onde começar. Em outras vezes, a inovação aplicada no laboratório ainda não estava concluída; na hora que leva para a escala industrial, a coisa muda completamente. A Genu-in Solutions vem para resolver essa dor e encurtar caminhos.”

O farto acesso a matéria-prima, uma vez que colágeno e gelatina são produzidos a partir de pele bovina, da qual a JBS é uma das maiores processadoras no mundo, é um diferencial, diz Moraes.

Outra virtude é a pujança da operação de fornecimento da Genu-in, que atende 20 países em todos os continentes, “a ponto de estarmos ‘sold out’ em alguns produtos e já buscando a expansão da nossa fábrica”, diz Moraes.

O fornecimento será no modelo white label, entregando o produto pronto para o cliente embalar, rotular e comercializar. Mas Moraes não descarta a hipótese de a JBS no futuro lançar criações da nova empresa com seu próprio rótulo.

O projeto nasce com objetivo global, e o Brasil será o piloto: “Olhamos muito mercados como a Ásia, além de Argentina e Chile”, afirma o executivo.

Segundo ele, a nova empresa terá forte interação com a JBS Biotech, a unidade criada em Florianópolis (SC) para desenvolver novas soluções em proteínas. “Um processo voltado à ciência e à biodisponibilidade para descobrir a melhor alternativa de proteína, pensando em absorção pelo corpo humano, para determinado produto.”

A receita da Genu-in Solutions virá de uma combinação de fontes, diz Moraes, incluindo a venda dos ingredientes, cobranças pela fabricação e royalties.

Os snacks proteicos do tipo “puff”, primeiros desenvolvimentos da Genu-in Solutions

Snack proteico

O foco da pesquisa da Genu-in Solutions são opções para momentos de conveniência e indulgência, “complementares dentro da jornada dele.”

A primeira criação da nova frente responde diretamente a essa demanda: um snack proteico do tipo “puff” — salgadinho leves, crocante e aerado, geralmente assado e feito à base de ingredientes como milho — com 44% de proteína.

O desenvolvimento durou 18 meses, incluindo testes de estabilidade exigidos pela Anvisa. O produto está pronto para comercialização no varejo, segundo a empresa.

A gama de possíveis aplicações é ampla, incluindo snacks, lácteos, bebidas, drinks e suplementos. “Estamos olhando toda e qualquer possibilidade”, diz Moraes.

A demanda nunca foi tão grande, ele diz, creditando-a às mudanças de hábitos alimentares e à onda das canetas emagrecedoras, o GLP-1.

Dois vértices orientam esse olhar: “Primeiro, lacunas na jornada do consumidor ao longo do dia. A proteína adicionada está latente, mas em versões doces, e ele quer opções salgadas. Apesar de já existirem algumas alternativas, é um mercado que ainda não está saturado”, diz.



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