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O que falta para o algodão brasileiro avançar? Qualidade, diz SLC

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BELO HORIZONTE (MG)* — O algodão brasileiro investiu ao longo dos últimos anos em sustentabilidade e rastreabilidade. Falta melhorar a qualidade, na visão de Aurélio Pavinato, CEO da SLC Agrícola, uma das maiores produtoras da commodity no País.

“Nas fibras curtas, nosso algodão é pior do que o americano. Nós temos o stickness [problema na fibra], que no nosso algodão é pior do que no do americano. Temos um gap de qualidade a ser conquistado ao longo dos próximos anos para termos realmente um produto no mesmo padrão de qualidade dos Estados Unidos”, destacou Pavinato durante um painel no 15º Congresso Brasileiro do Algodão, nesta quarta-feira.

“Nós temos que acabar com o take-up [a avaliação visual do algodão pelo comprador]. A Austrália e os Estados Unidos já não fazem mais isso. Nós temos que evoluir nessa questão de padrão de qualidade, e o cliente que comprar do Brasil saber o que ele recebe, com laudo do laboratório sobre o produto que ele comprou”, completou Pavinato.

Esses são fatores que vão permitir ao algodão brasileiro equiparar o prêmio ao do produto americano, defendeu o CEO. Dados mostrados pela Agroconsult apontaram que o algodão brasileiro negocia com um prêmio de 600 pontos, enquanto o americano negocia com mais de 1.000 pontos.

Consolidando a liderança

A melhora (e o reconhecimento) da qualidade do algodão brasileiro vão ajudar o País a avançar ainda mais do que nos últimos anos, aproveitando-se principalmente de uma retração dos Estados Unidos.

De acordo com dados divulgados pela Agroconsult, o Brasil tem hoje uma presença consolidada nos principais países compradores de algodão. Hoje, o algodão brasileiro responde por 49% do mercado na China, por 37% em Bangladesh e por outros 33% da Índia, por exemplo.

Apesar do espaço para melhorias apontado por Pavinato, os ganhos de participação de mercado do Brasil nos últimos anos também são consequência de uma melhora gradual da qualidade da pluma, na avaliação de André Pessôa, sócio-diretor da Agroconsult. Para ele, há indicativos claros dessa tendência — como a falta de divulgação de dados do estudo US Cotton, sobre a qualidade da pluma, feito nos Estados Unidos.

“Eu já trouxe os dados desses estudos de 2017, 2019, 2021, sobre a percepção dos consumidores em relação à qualidade do algodão. Recorrentemente, a gente tinha posições desvantajosas de qualidade do algodão brasileiro. Pra mim, é muito sintomático os americanos não terem divulgado o estudo em 2023 e 2025”, destacou.

Desafios na demanda

Ao trabalho de evolução da qualidade, se soma outro: o de marketing — não só para promover o algodão brasileiro, mas também para estimular o consumo global.

“Hoje nós estamos vivendo uma fase de estabilidade na demanda e nós estamos tomando o share dos outros países. Mas por que não aumenta a demanda de algodão no mundo? Aí a questão de desenvolver tecnologias para fazer, quem sabe, um mix do algodão com poliéster, um produto, uma roupa, um tecido diferente que ofereça uma solução para o cliente”, ressaltou Pavinato.

Para ele, é esse conjunto de esforços — de mais qualidade com o aumento da demanda — que vai permitir ao Brasil aumentar a área de forma consistente ao longo dos próximos anos.

“Assim como a gente dobrou a área plantada em 20 anos, podemos dobrar novamente em 20 ou em 10 anos. É muito fácil para o Brasil aumentar de forma significativa a área plantada, tendo demanda”, finalizou Pavinato.

*A jornalista viajou a convite da Bayer.



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