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Abates caem nos frigoríficos dos EUA após ação da ICE no Kansas

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Uma ação do ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, no Kansas afetou o ritmo dos abates de bovinos nesta semana no estado — o segundo maior em abate no país —, alimentando especulações sobre um novo aumento nos preços da carne ao consumidor norte-americano.

Segundo a imprensa local, a ação do ICE contra comunidades de imigrantes no sudoeste do Kansas começou na noite de terça-feira, o que teria causado um alto número de ausências de trabalhadores nas plantas frigoríficas.

A região, que possui uma alta população de latinos, abriga pelo menos quatro grandes unidades de abate: duas da National Beef, em Dodge City e em Liberal, uma da Cargill em Dodge City, e uma da Tyson Foods em Holcomb.

Procurada, a MBRF informou que as operações de abate nas unidades da National Beef estão sendo normalizadas após as recentes fiscalizações ocorridas na região.

“O episódio pontual não representa impacto material para os negócios da companhia”, disse a MBRF, controladora da National Beef, em nota. A empresa ainda reiterou que conduz os seus negócios em conformidade com a legislação local.

A Cargill também foi procurada pela reportagem, mas não comentou. A Tyson não respondeu até a publicação deste texto.

Embora não haja informações oficiais sobre as abstenções dos trabalhadores, declarações de sindicatos e associações de pecuaristas, combinadas ao ritmo dos abates nos EUA, sugerem uma relação direta entre as ações da ICE e uma queda na atividade dos frigoríficos.

Dados do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) mostram uma redução significativa no volume total de abates no país nesta semana, em comparação com a semana anterior. Segundo o boletim mais recente do órgão, o volume de abate de bovinos caiu 7,7% nesta semana, para 476 mil cabeças até sexta-feira (25). Na semana anterior, foram 521 mil animais abatidos.

O ritmo das atividades veio caindo ao longo da semana. Nesta sexta-feira, os frigoríficos abateram 87 mil cabeças, 14 mil animais a menos em comparação com o mesmo dia da semana anterior. Ontem (24), 90 mil animais foram abatidos, o que representa uma queda de 17 mil animais em uma semana, e na quarta-feira (23), os abates somaram 94 mil bovinos, ante 102 mil uma semana antes.

Impacto nos confinamentos

Segundo associações de pecuaristas e confinadores, as ações recentes do ICE também estão impactando a cadeia de suprimentos dos frigoríficos.

Em comunicado, a Associação de Pecuária do Kansas, a Associação de Pecuaristas de Oklahoma e a Associação de Confinadores de Gado do Texas disseram que “milhares de cabeças de gado engordado, destinadas ao envio para frigoríficos, estão atrasadas, resultando em milhões de dólares em perda de receita e custos adicionais”.

Também houve interrupção na força de trabalho em confinamentos, empresas de rações e laticínios, além de unidades de processamento. “Essas interrupções ocorrem em um momento de maior atenção e pressão sobre a cadeia de suprimentos de gado e carne bovina”, dizem as associações em nota.

Representantes do UFCW, sindicato que representa os trabalhadores, disse que a ação do ICE causa medo aos imigrantes. “Essas perturbações afetam diretamente a segurança de todos os trabalhadores e o abastecimento de carne bovina. Se a oferta cair, os preços subirão”, disse Milton Jones, presidente do UFCW, em nota.



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