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Como identificar e tratar problemas cardíacos em pets

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Nem sempre um problema cardíaco em cães e gatos começa com um sinal fácil de reconhecer. Em muitos casos, as mudanças aparecem aos poucos na rotina: o animal passa a se cansar mais durante o passeio, brinca menos, fica ofegante sem motivo aparente ou apresenta episódios de tosse.

A dificuldade está justamente em diferenciar essas alterações de comportamentos considerados comuns. Algumas cardiopatias podem evoluir de maneira silenciosa e só serem identificadas quando o quadro já está mais avançado. Por isso, observar mudanças na rotina do pet e manter o acompanhamento veterinário são medidas importantes.

De acordo com a veterinária cardiologista Nathalia Cardoso, do Veros Hospital Veterinário, identificar a doença cedo pode mudar a evolução do quadro.

“No caso de algumas cardiopatias congênitas, a intervenção no momento certo evita que a doença evolua e sobrecarregue o coração, prevenindo sequelas irreversíveis e possibilitando, em muitos casos, que o pet tenha vida normal. Já nos pacientes idosos, os tratamentos disponíveis garantem longevidade e qualidade de vida, reduzindo o risco de emergências e internações recorrentes”, explica.

Quais sinais devem ser observados?

Respiração diferente: quando o animal fica ofegante, apresenta respiração acelerada ou demonstra esforço para respirar mesmo em repouso ou durante o sono, o comportamento merece investigação.

Em determinadas doenças, a redução da eficiência cardíaca pode favorecer o acúmulo de líquido nos pulmões.

Tosse recorrente: uma tosse seca que aparece com frequência também pode estar relacionada a alterações cardiovasculares. O aumento do coração ou a presença de líquido nos pulmões são algumas das possíveis causas.

Menor disposição: se o cão ou gato que costumava acompanhar passeios e brincadeiras passa a diminuir o ritmo, evitar atividades ou permanecer mais quieto, é importante observar a mudança. Problemas circulatórios podem dificultar a chegada adequada de oxigênio aos tecidos.

Fraqueza, desequilíbrio ou desmaio: esses episódios exigem atenção imediata. Eles podem ocorrer quando o cérebro deixa de receber oxigênio em quantidade suficiente, situação que pode estar relacionada a arritmias ou à dificuldade do coração para bombear sangue.

Um desmaio também pode ser confundido com um sono profundo.

“Para diferenciar um desmaio de um sono profundo, o tutor deve observar a resposta a estímulos: no sono, o pet se mexe e acorda ao ser chamado ou tocado; no desmaio, porém, ele permanece inacessível e inconsciente por alguns segundos, podendo apresentar rigidez de membros e gengivas pálidas ou arroxeadas”, orienta Nathalia.

Tratamentos vão além dos medicamentos

A cardiologia veterinária passou a contar com procedimentos capazes de tratar alterações que antes exigiam intervenções mais invasivas. Entre as possibilidades estão o implante de marcapasso e técnicas realizadas por cateterismo.

“É a combinação de técnica apurada e tecnologia de última geração que nos permite salvar a vida desses pacientes e proporcionar a eles um futuro pleno ao lado de suas famílias”, afirma a especialista.

O marcapasso pode ser utilizado em animais que apresentam batimentos cardíacos muito lentos associados a episódios de desmaio. O dispositivo acompanha o ritmo do coração e libera estímulos elétricos quando identifica uma falha.

“Se o coração parar de bater por alguns segundos, o marcapasso entra em ação e faz o trabalho que o órgão não está conseguindo desempenhar naquele momento, o que evita uma morte súbita”, diz Nathalia.

Malformações também podem ser corrigidas

Alguns cães nascem com alterações estruturais no coração. Uma delas é a Persistência do Ducto Arterioso (PDA), condição em que um vaso que deveria se fechar depois do nascimento permanece aberto.

Segundo Nathalia, nesses casos, o fechamento pode ser realizado por cateterismo, com a introdução de um tubo fino e flexível por uma veia ou artéria até o coração.

“Alguns filhotes, por exemplo, nascem com Persistência do Ducto Arterioso (PDA), malformação em que um vaso sanguíneo que deveria se fechar após o nascimento permanece aberto. Isso leva à dilatação do coração e, como consequência, edema pulmonar e falta de ar. Nesse caso, a correção é realizada por cateterismo, técnica pela qual um tubo fino e flexível é introduzido por uma veia ou artéria até o coração. Os desfechos são muito bons, na maioria das vezes com alta em 24 horas e, após isso, vida normal”, conta.

Outra alteração congênita citada pela veterinária é a estenose pulmonar, caracterizada pelo estreitamento da válvula que conduz o sangue do coração aos pulmões. Nesse caso, um pequeno balão pode ser utilizado para ampliar a passagem.

“Outra condição congênita com excelente resposta ao tratamento é a estenose pulmonar, estreitamento da válvula que leva o sangue do coração aos pulmões. Por meio de cateterismo, um pequeno balão é inflado para dilatar a válvula, reduzindo o esforço do órgão e devolvendo a qualidade de vida ao pet”, completa a especialista do Veros Hospital Veterinário.

Procedimentos também são usados em animais idosos

Em cães idosos com doença degenerativa da válvula mitral em estágio avançado, outra alternativa é a atriosseptostomia. A técnica busca aliviar a pressão dentro do coração e reduzir episódios recorrentes de edema pulmonar.

“O objetivo é melhorar a qualidade de vida, diminuindo as internações em decorrência da dilatação do átrio esquerdo do coração, que provoca edema pulmonar recorrente. Através do cateterismo, criamos uma pequena abertura na parede atrial para aliviar a pressão interna do coração e diminuir o risco de edema”, afirma Nathalia.

A evolução dos equipamentos também modificou a forma como essas intervenções são realizadas. Procedimentos que anteriormente dependiam de cirurgias mais invasivas podem, em determinadas situações, ser feitos por técnicas minimamente invasivas e com dispositivos desenvolvidos para a anatomia dos animais.

“Hoje, o cenário é bastante diferente: a cardiologia veterinária conta com equipamentos e dispositivos projetados exclusivamente para a anatomia de cães e gatos, além do suporte de equipamentos como o arco cirúrgico, que permite a visualização em tempo real dos vasos sanguíneos e do trajeto dos instrumentos por dentro do coração durante as intervenções”, ressalta a veterinária.

Diante de alterações persistentes na respiração, tosse, queda de disposição, fraqueza ou episódios de desmaio, a avaliação veterinária é fundamental para identificar a causa e definir a conduta adequada.





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