Bloomberg — O Nubank tem avançado na expansão internacional, com a entrada nos EUA e o fortalecimento da presença no México.
O próximo alvo pode ser o mais ambicioso até agora.
A fintech manteve conversas para comprar o Monzo, em uma operação que poderia avaliar a empresa britânica entre cerca de £8 bilhões (US$ 10,6 bilhões) e £10 bilhões, segundo pessoas a par do assunto ouvidas pela Bloomberg News.
A Advent International também está em negociações preliminares para comprar uma participação minoritária no Monzo, afirmou uma pessoa com conhecimento do assunto, que pediu para não ser identificada porque as discussões são privadas.
Um acordo desse porte seria a maior aquisição já feita pelo Nubank e representaria um passo decisivo para a expansão da empresa no Reino Unido, mercado que já é competitivo para bancos digitais. Também marcaria uma mudança significativa em relação à estratégia adotada pela empresa brasileira ao entrar em mercados como EUA e México, onde buscou obter licenças e formar uma base de clientes de maneira orgânica.
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As ações do Nubank caíam mais de 4% no pré-mercado de Nova York nesta segunda-feira (28).
“É um preço salgado, mas, para uma empresa com um plano de expansão global e consolidada na América Latina, esse movimento não é espantoso”, afirmou Bruno Diniz, sócio-diretor da Spiralem Innovation Consulting.
“O anúncio recente nos EUA mostra que o movimento Américas está em andamento, e o Monzo mostraria um movimento global colocando os pés na Europa.”
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David Vélez, fundador e CEO do Nubank, já afirmou que a empresa está “jogando no longo prazo” em algumas iniciativas de expansão internacional e ressaltou que a fintech conhece os desafios de construir um negócio em uma nova região.
O Nubank afirmou que não comenta rumores ou especulações e reiterou o compromisso de comunicar qualquer assunto relevante para os negócios de forma “transparente, clara e ágil”. A Sky News noticiou pela primeira vez as conversas com o Monzo no fim de semana.
Um porta-voz do Monzo não quis comentar.
Em vez de comprar diretamente um banco nos EUA, o Nubank, listado em Nova York, solicitou uma licença em 2025 e afirmou no início deste mês que faria uma parceria com o Lead Bank para iniciar imediatamente parte das operações.
No México, o Nubank recebeu em julho a aprovação final para a licença bancária, iniciativa que permitirá à empresa acrescentar produtos como contas para recebimento de salário, contas correntes, limites maiores para depósitos e, posteriormente, produtos adicionais de crédito.
Para o Nubank, “a possível transação proporcionaria diversificação global nos mercados europeus e uma oferta líder de conta corrente com serviços completos”, segundo os analistas Edward Firth e Fatima Ghaznavi, da Keefe, Bruyette & Woods.
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Em relatório divulgado na segunda-feira, eles também afirmaram que o acordo representaria uma “avaliação atraente” para o Monzo, além de dar à empresa-alvo acesso aos US$ 12 bilhões em patrimônio líquido tangível da Nu e aos canais globais de crescimento do grupo.
O potencial preço seria a questão mais relevante, porque representaria de 16% a 20% do valor de mercado do Nubank, escreveram os analistas Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti, da XP. “Na nossa visão, a avaliação deixa pouco espaço para que a tese se apoie apenas no crescimento do Monzo”, disseram.
Ao avançar sobre o Monzo, o Nubank conquistaria rapidamente uma posição no Reino Unido e na Europa. Mas também incorporaria uma empresa que passou por um período turbulento, com divergências sobre como expandir os negócios.
Rotas de saída
O Monzo, avaliado pela última vez em cerca de £4,5 bilhões em uma venda secundária de ações em 2024, oferece contas para pessoas físicas e empresas, além de produtos que incluem cartões de crédito e seguro residencial.
A fintech vinha avaliando uma oferta pública inicial de ações, segundo a Sky News, além de novas vendas secundárias de ações para permitir que investidores recuperassem recursos, muitos deles fundos de venture capital.
No ano passado, o CEO do Monzo, TS Anil, anunciou que deixaria o cargo. Sob o comando da nova CEO, Diana Layfield, a fintech afirmou que encerraria as operações nos EUA após não conseguir ganhar tração no mercado.
Para o Nubank, no entanto, os EUA já são uma área de crescimento contínuo dentro da expansão da presença nas Américas. A empresa é amplamente conhecida na América do Sul e na América Latina e tinha 139 milhões de clientes no fim do segundo trimestre. No período, o lucro superou US$ 1 bilhão pela primeira vez, com a expansão dessas operações.
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Para uma empresa que abriu o capital há menos de cinco anos, em uma operação que captou US$ 2,6 bilhões, o Nubank pode ampliar significativamente os negócios caso feche a maior aquisição de sua história.
Outras fintechs de destaque, como o Revolut, construíram negócios na Europa que ganharam força e chegaram a chamar a atenção de grandes rivais, entre eles o JPMorgan Chase. Em julho, o Revolut, que também está se expandindo nos EUA, iniciou um processo para que funcionários vendessem ações da empresa a uma avaliação de US$ 115 bilhões, quase o dobro do valor de mercado do Nubank.
Qualquer acordo pelo Monzo “daria à Nu escala imediata no Reino Unido, intensificaria a rivalidade com a Revolut e aumentaria a pressão sobre os bancos tradicionais”, segundo Tomasz Noetzel e Gabriel Gusan, analistas da Bloomberg Intelligence.
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Para o Monzo, uma combinação significaria abrir mão da independência em troca de maior acesso ao capital necessário para a expansão, acrescentaram em relatório divulgado na segunda-feira (28).
“É um novo perfil de público”, afirmou Diniz, da Spiralem, sobre a base de consumidores que o Nubank poderia alcançar com a compra do Monzo. “O Revolut construiu a avaliação que tem, em boa parte, pela presença na Europa.”
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