Um protótipo desenvolvido por uma equipe de estudantes de Goiás, que automatiza etapas de vistoria e elaboração de laudo de imóveis alugados por meio de óculos com inteligência artificial, venceu o Ai Glasses Brasil, programa realizado pelo Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA-UFG) e pela Meta. Batizado de ‘Já Estava’, a solução permite que o vistoriador trabalhe com as mãos livres enquanto registra imagens e descreve as condições de cada item do imóvel.
A final reuniu cinco equipes selecionadas entre 95 inscritas no programa. Durante um dia, os participantes implementaram, testaram e apresentaram protótipos voltados a contextos tão distintos quanto vistorias imobiliárias, administração de medicamentos, formação técnica, atendimento a pessoas surdas e produção de conteúdo.
O ‘Já Estava’ foi criado pela equipe Fita Crepe, formada pelos estudantes João Vitor Alves e Miguel Bertol que cursam Ciência da Computação na UFG e João Victor Borges, estudantes de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO).
A ideia surgiu durante uma conversa sobre a vistoria de um apartamento da família de Miguel, em Brasília. A partir do laudo do imóvel, a equipe começou a investigar como os óculos poderiam reduzir o trabalho manual dos vistoriadores. O grupo buscou profissionais do setor imobiliário para entender as principais demandas e dificuldades.
Funcionamento e aplicações para outras áreas
O profissional inicia o procedimento pelo celular, guarda o aparelho e percorre o imóvel usando os óculos. Ao indicar o cômodo e narrar as condições de portas, paredes, aparelhos e outros itens, os registros da câmera e as observações são associados automaticamente.
No pós-processamento, a inteligência artificial cruza a transcrição com o laudo de entrada e classifica cada item como conferido, divergente ou pendente. Além de organizar fotos, resumos e comentários no laudo, a solução gera uma prova em vídeo durante a vistoria.
O vistoriador indica em qual cômodo está e começa a descrever os itens. Depois de cerca de três segundos, a foto é registrada junto com o que ele falou. Quando termina, ele avisa que finalizou a vistoria e o laudo fica pronto com as fotos, os resumos e os comentários”, explica João Vitor Alves.
Embora tenha sido concebido inicialmente para o mercado imobiliário, o projeto parte de uma lógica que pode ser adaptada a outras atividades de inspeção: registrar imagens e narrações, relacionar as evidências a documentos anteriores e organizar as diferenças encontradas. A equipe agora busca incubadoras de startups para aplicar a tecnologia em vistorias de veículos e frotas, análises para o mercado de seguros, inspeções na manufatura, controle de qualidade e revisões técnicas de máquinas e equipamentos.




