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Isis Flor quer levar Tarifa Zero e defesa dos trabalhadores ao Congresso

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Candidata a deputada federal, Isis Flor defende uma atuação coletiva e ligada aos movimentos sociais (Foto: Divulgação)

Advogada trabalhista e estudante de Ciências Sociais pela Unesp, Isis Flor, 24 anos, representa Marília na candidatura coletiva da Bancada das Trabalhadoras, do PSOL, à Câmara dos Deputados. A proposta reúne quatro mulheres de diferentes regiões do Estado de São Paulo.

O Marília Notícia entrevista os candidatos da região para conhecer suas trajetórias, propostas e compromissos com Marília e o interior paulista. Na conversa, Isis fala sobre sua atuação em movimentos sociais, transporte público, saúde, direitos trabalhistas, juventude, mulheres e a proposta de um mandato coletivo.

Trajetória

Marília Notícia — Quem é você fora da política e quais experiências da sua trajetória mais a prepararam para ser deputada?

Isis Flor — Sou Isis Flor, tenho 24 anos, sou mariliense, advogada trabalhista e graduanda em Ciências Sociais pela Unesp.

Minha militância começou ainda na adolescência, a partir das lutas feministas e trabalhistas. Desde então, participei de mobilizações contra as reformas da previdência e trabalhista, fundei um coletivo de mulheres em que fizemos campanhas solidárias e atividades de formação política. Fui eleita representante feminista no Conselho Municipal da Juventude, apresentei o projeto de passe livre para estudantes e professores, participei da luta contra a privatização do Daem e da construção do Conselho Municipal LGBTQIA+.

Tudo isso sem ocupar cargo público. Faço política porque acredito que a organização popular é fundamental para transformar problemas como transporte ruim e caro, jornadas exaustivas, falta de acesso à saúde, violência, preconceito e falta de perspectivas para a juventude.

A Bancada das Trabalhadoras também é composta por Jenny, de Praia Grande; Sheilla, de Sumaré; e Edilene, de Campinas.

MN — Por que decidiu disputar uma vaga de deputada federal nas eleições de 2026?

Isis Flor — A Bancada das Trabalhadoras vem para demonstrar outra maneira de exercer um mandato: coletivamente, com participação popular e mantendo vínculo permanente com os movimentos sociais e com os territórios.

Porque os trabalhadores e trabalhadoras, especialmente do interior de São Paulo, precisam ser representados no Congresso Nacional, sem ficar na mão das famílias tradicionais da cidade que usam a política como balcão de negócios.

Por ser de Marília, sei bem que existe uma concentração enorme da política paulista na capital e os que “são daqui” defendem os próprios interesses, apoiam uma política contra direitos sociais, contra as mulheres, contra a periferia, contra os serviços públicos. Tudo farinha do mesmo saco. Nós estamos cansados de ver político vir para cá em ano de eleição só para pedir voto na feira de domingo e depois desaparecer por mais quatro anos.

Já fui candidata a vereadora em Marília em 2024 e recebi 1.130 votos. Aquela experiência mostrou que existe espaço na cidade para construir uma esquerda popular, jovem e ligada aos movimentos sociais. Agora queremos levar essa construção para uma disputa nacional.

MN — Qual realização da sua trajetória profissional ou política você considera a mais importante até hoje?

Isis Flor — Eu não apontaria uma realização individual isolada. Tenho muito orgulho de termos conseguido construir e fortalecer espaços de organização popular em Marília.

A luta pelo transporte público é um exemplo importante. O Movimento Passe Livre colocou novamente no debate da cidade temas como tarifa zero, qualidade do transporte, participação popular e o próprio modelo de concessão do serviço.

Também considero muito importante a construção de espaços de organização da juventude e da população LGBTQIA+. Em uma cidade do interior, ocupar esses espaços, organizar pessoas e mostrar que essas populações têm direito de participar das decisões políticas também é uma conquista.

Isis Flor ao lado de apoiadores durante atividade da Bancada das Trabalhadoras, do PSOL (Foto: Divulgação)
Marília e região

MN — Na sua avaliação, quais são hoje os três principais problemas de Marília que dependem, ao menos em parte, da atuação de um deputado?

Isis Flor — Marília enfrenta muitos problemas. Elencar apenas três deles é um desafio, visto que estamos abandonados pelo poder público em muitas áreas. Mas, como prioridade, podemos elencar:

Primeiro, saúde pública. Marília é referência regional e recebe pacientes de dezenas de municípios. Por isso, fortalecer o SUS aqui significa beneficiar não apenas os marilienses, mas uma parcela enorme do Centro-Oeste Paulista. Precisamos disputar mais financiamento federal, fortalecer a atenção básica e a média e alta complexidade e defender as instituições públicas de saúde da região, combatendo a política de privatização e precarização que vem sendo feita.

Segundo, trabalho, renda e perspectivas para a juventude. Temos uma cidade universitária que forma milhares de jovens, mas que ainda enfrenta dificuldade para oferecer perspectivas de permanência, trabalho digno, cultura e lazer. Não queremos que a juventude tenha que escolher entre aceitar trabalho precarizado ou abandonar a cidade. Para isso, defendemos a Economia Solidária como forma concreta de oferecer aos jovens uma alternativa às jornadas massacrantes e salários baixos dos subempregos. Pretendemos também fortalecer e ampliar as políticas nacionais de cultura, fazendo com que os recursos cheguem ao interior e, principalmente, às periferias.

Terceiro, ódio, feminicídio e violência contra mulheres. Esse é um problema de todo o interior. Há um aumento dos casos de feminicídios, ameaças, lesão corporal e descumprimento de medidas protetivas. É urgente a ampliação do financiamento federal para as Casas da Mulher Brasileira, centros de referência, abrigos, atendimento psicológico e jurídico, obrigatoriedade de delegacias 24 horas, autonomia econômica e fortalecimento da rede de proteção, além de políticas permanentes de educação e prevenção à misoginia e à violência de gênero.

E acrescentaria ainda a mobilidade e o direito à cidade, que são tratados como secundários, mas representam um grande problema na vida dos marilienses. Transporte público caro e ruim exclui pessoas da cidade. É preciso discutir nacionalmente novas formas de financiamento do transporte coletivo, inclusive políticas federais que permitam aos municípios avançar em direção à tarifa zero.

MN — Qual será sua principal prioridade para Marília caso seja eleita?

Isis Flor — Nossa principal prioridade será fortalecer os serviços públicos, principalmente na área da saúde e saúde mental, e criar condições para a geração de trabalho digno em Marília e na região, especialmente para a juventude e para as mulheres.

Trabalharemos para ampliar o financiamento público e fortalecer essa rede regional. Isso inclui a defesa do SUS e luta contra as terceirizações e privatizações, a defesa da atenção básica à alta complexidade e também uma atenção especial à saúde LGBTQIA+, à saúde mental, à reabilitação, aos serviços destinados às pessoas com deficiência e às políticas de cuidado e envelhecimento digno.

Além disso, nossos esforços serão para que Marília seja referência em uma política de desenvolvimento que não seja medida apenas pela quantidade de empresas que chegam à cidade, mas pela qualidade do trabalho e da renda que conseguimos gerar. Por isso, iremos fortalecer cadeias econômicas locais e regionais, articulando universidades públicas, institutos de pesquisa, redes de Economia Solidária, trabalhadores e trabalhadoras e poder público.

MN — Quais três compromissos objetivos você assume com Marília e região para os quatro anos de mandato?

Isis Flor — Primeiro, presença permanente do mandato no interior, com gabinete regional, prestação de contas, reuniões públicas e articulação com municípios, universidades, sindicatos e movimentos sociais.

Segundo, orçamento participativo, permitindo que a população participe da definição das emendas parlamentares e acompanhe publicamente sua execução.

Terceiro, defesa permanente da classe trabalhadora e combate às opressões, atuando no Congresso e nas lutas da região contra retirada de direitos, precarização, machismo, racismo, LGBTfobia e capacitismo.

Isis Flor apresenta propostas a moradores durante agenda política (Foto: Divulgação)
Atuação parlamentar

MN — Quais serão as três principais bandeiras do seu mandato?

Isis Flor — A primeira é a defesa da classe trabalhadora. Isso significa enfrentar a precarização, a pejotização e jornadas exaustivas, defender direitos trabalhistas, valorização salarial e redução da jornada de trabalho.

A segunda é a defesa dos serviços públicos e dos direitos sociais. SUS, educação pública, universidade, assistência social, moradia, transporte e previdência precisam ser tratados como direitos, e não como oportunidades de negócio.

A terceira é o enfrentamento conjunto às desigualdades e opressões. Nosso feminismo é classista e compreende que machismo, racismo, LGBTfobia e capacitismo se combinam com a desigualdade econômica. Por isso, mulheres, população negra, pessoas LGBTQIA+, pessoas com deficiência, juventude e periferias precisam estar efetivamente representadas e participar da elaboração das políticas públicas.

MN — Qual projeto, proposta ou iniciativa você pretende apresentar ou defender prioritariamente caso seja eleita?

Isis Flor — A Tarifa Zero no transporte público.

Queremos uma política nacional com participação da União no financiamento do transporte coletivo, reduzindo a dependência da tarifa paga pelos passageiros.

A Tarifa Zero amplia o direito à cidade, libera renda das famílias, facilita acesso ao trabalho, estudo, cultura e serviços públicos e contribui para reduzir a dependência do automóvel.

MN — Além da destinação de recursos e emendas, como pretende usar as atribuições de deputada para beneficiar Marília e região?

Isis Flor — Deputado não pode ser apenas despachante de emenda parlamentar, o que é muito comum na nossa região.

O Congresso legisla, fiscaliza o Poder Executivo, participa da elaboração do orçamento, convoca autoridades, apresenta requerimentos, promove audiências públicas, integra comissões e pode articular políticas nacionais.

Nosso compromisso é utilizar essas ferramentas para aproximar Marília e o Centro-Oeste Paulista dos ministérios e órgãos federais, fiscalizar políticas que afetem a região, realizar audiências públicas no interior, defender as instituições públicas e transformar problemas locais recorrentes em debates nacionais.

Também pretendemos utilizar o mandato como instrumento de organização popular. A população precisa saber o que está sendo discutido em Brasília antes da votação, e não descobrir depois que seus direitos já foram retirados.

Posicionamento político

MN — Como você define seu posicionamento político e ideológico?

Isis Flor — A Bancada das Trabalhadoras é de esquerda. Somos socialistas, feministas, antirracistas e anticapacitistas.

Defendemos a classe trabalhadora e entendemos que transformar a sociedade exige enfrentar conjuntamente exploração econômica e todas as formas de opressão.

MN — Quais são hoje as principais lideranças políticas estaduais e nacionais com as quais você se identifica?

Isis Flor — No Congresso, temos referências como Sâmia Bomfim, Glauber Braga, Luiza Erundina e Erika Hilton. Na Assembleia Legislativa de São Paulo, o Mandato Coletivo das Pretas, Carlos Giannazi e tantos outros.

Mas acreditamos menos na personalização da política e mais na construção de organizações coletivas. Parlamentares são importantes, mas transformações duradouras dependem de movimentos sociais, sindicatos e organização popular.

MN — Existe alguma posição ou bandeira defendida pelo próprio partido da qual você discorda? Qual?

Isis Flor — O PSOL é um partido plural, composto por diferentes correntes políticas, e divergências internas fazem parte da sua própria construção. A Bancada das Trabalhadoras faz parte do campo socialista que tem posições críticas a decisões que abram mão da independência política do partido.

Consideramos fundamental que seja preservada sua autonomia para criticar políticas de privatizações, retirada de direitos ou qualquer medida que coloque os interesses do mercado acima das necessidades da população.

Candidata do PSOL, Isis Flor apresenta propostas voltadas aos trabalhadores, à juventude e ao transporte público (Foto: Divulgação)
Compromisso com Marília

MN — Por que o eleitor de Marília e região deveria votar em um candidato da cidade em vez de escolher um nome de fora?

Isis Flor — Mais do que estabelecer que alguém deva votar em um candidato simplesmente porque nasceu ou mora aqui, considero importante discutir representação territorial.

Marília tem quase 248 mil habitantes e exerce influência sobre dezenas de municípios da região. Na saúde, na educação, no comércio e nos serviços, funciona como um polo regional. Apesar disso, muitas decisões que determinam nosso futuro são tomadas em Brasília com pouca participação do interior.

Uma representação efetivamente ligada ao território conhece problemas que dificilmente aparecem nas agendas nacionais: a situação do transporte, a sobrecarga regional da saúde, as dificuldades da juventude para permanecer no interior, as demandas das universidades, dos trabalhadores rurais e urbanos, das cidades pequenas e das populações historicamente invisibilizadas.

Nossa proposta acrescenta ainda outro elemento: embora eu seja a representante de Marília dentro da Bancada das Trabalhadoras, a candidatura é coletiva e reúne mulheres de diferentes regiões do Estado. Assim, queremos construir uma ponte entre o interior profundo e as demais regiões do Estado.

MN — Ao final de quatro anos, qual resultado concreto faria você considerar que cumpriu seu papel como representante de Marília e região?

Isis Flor — Primeiro, ter transformado demandas do interior em políticas nacionais.

Segundo, ter defendido a classe trabalhadora em todas as votações, priorizando os interesses do povo sobre os de grandes empresas e milionários.

Terceiro, ter construído um mandato popular no Centro-Oeste Paulista, com gabinete permanente, orçamento participativo, diálogo com movimentos sociais e participação direta da população.

Queremos consolidar um mandato coletivo, democrático e popular, que fortaleça a organização dos trabalhadores e trabalhadoras.



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