A reunião entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping terminou sem novos anúncios de compra de soja norte-americana ou alterações nas alíquotas de importação. O resultado mantém em aberto a disputa direta entre o Brasil e os Estados Unidos pelo atendimento à demanda chinesa nos próximos meses.
Com compras antecipadas superiores às registradas no mesmo período do ano anterior, Pequim encontra-se em uma posição confortável no curto prazo, o que lhe permite monitorar a evolução dos preços globais e a entrada da nova safra sul-americana antes de efetuar novos pedidos em larga escala.
Panorama do Abastecimento Chinês e Origens Contratadas
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Volume Total Contratado: A China já garantiu a compra de 43,37 milhões de toneladas de soja, o equivalente a 39,4% de sua necessidade anual estimada em 111 milhões de toneladas. No mesmo intervalo do ano passado, o nível de cobertura era de 31,3%.
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Liderança do Brasil: O mercado brasileiro responde por aproximadamente 28 milhões de toneladas do volume total já adquirido pelos chineses nesta temporada.
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Participação dos EUA: Os compradores chineses contrataram 13,73 milhões de toneladas de soja norte-americana — cerca de 55% do compromisso anual de 25 milhões de toneladas assumido por Pequim —, restando ainda 11,3 milhões de toneladas para completar o volume acordado.
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Outros Fornecedores: Argentina e Uruguai somam juntos cerca de 1,65 milhão de toneladas vendidas ao país asiático.
Janela de Cobertura e Sazonalidade das Compras
A estratégia de abastecimento da China indica um apetite comprador garantido para o curtíssimo prazo, mas com brechas expressivas para a entrada da produção brasileira a partir do fim do ano:
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Outubro e Novembro (Domínio Norte-Americano): A demanda de outubro está praticamente 100% coberta (10,49 milhões de toneladas contratadas para uma necessidade de 10,5 milhões), sendo 6,40 milhões provenientes dos EUA e 3,30 milhões do Brasil. Em novembro, a cobertura alcança 69% (2,90 milhões dos EUA e 2,11 milhões do Brasil).
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Dezembro e Janeiro (Janela de Transição): A cobertura despenca para 40% em dezembro e atinge a mínima de 17% em janeiro, abrindo espaço para a contratação de novos lotes.
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Fevereiro a Abril (Avanço da Safra Brasileira): Em fevereiro, a cobertura sobe para 26% (com 2,11 milhões de toneladas já contratadas do Brasil); em março, chega a 56% (6,73 milhões do Brasil); e em abril, alcança 44% (5,48 milhões do Brasil).
Destaque Tarifário e Análise do Mercado
Além do fator sazonal, a diferença nas alíquotas de importação atua como elemento decisivo a favor do produto nacional. A soja originada nos Estados Unidos está sujeita a uma taxa total de 13% na entrada do mercado chinês (3% de tarifa básica acrescida de 10% de sobretaxa). Já a soja brasileira ingressa no país pagando apenas a tarifa básica de 3%.
Conforme analisa Isabella Pliego, analista de Inteligência e Estratégia da Biond Agro, a dinâmica de preços na Bolsa de Chicago e nos prêmios nos portos brasileiros dependerá do ritmo das próximas digitações de compra: “A China entra nos próximos meses com uma parcela importante da sua necessidade coberta e pode esperar para avaliar preços, disponibilidade e condições comerciais. O ponto de atenção passa a ser dezembro e o início de 2027, quando essa cobertura diminui e a nova safra brasileira ganha mercado. Mais do que o volume total, o mercado precisa observar quanto já está coberto, para quais meses, de qual origem e quanto ainda falta comprar para entender como a demanda será dividida entre Brasil e Estados Unidos.”




