Em seus 13 anos de existência a Robinhood Markets liderou uma pequena revolução no mercado americano, derrubando barreiras e custos de acesso à negociação de ações para os pequenos investidores – e forçando as firmas tradicionais de Wall Street a reagir.
Agora, a fintech californiana está se posicionando para uma revolução mais profunda, trazendo agentes de inteligência artificial e trading 24 horas por dia, sete dias por semana.
Em breve, os clientes do aplicativo da corretora poderão negociar algumas ações e alguns ETFs nos finais de semana. As operações serão feitas pela plataforma da Bruce Markets, a Bruce ATS, que possibilita negociações fora dos horários regulares.
“Notícias que impactam o mercado podem acontecer a qualquer momento. Com o trading 24/7, os clientes poderão administrar o portfólio em tempo real,” disse Steve Quirk, o chief brokerage officer da corretora.
A Robinhood acaba de fazer um investimento na Bruce Markets, ao lado da Peak6 Investments.
Ainda não foi confirmada a data em que terá início a negociação sete dias por semana. A Bruce Markets usa a infraestrutura de negociação da Nasdaq, enquanto os serviços de compensação, liquidação e custódia serão prestados pela Apex Clearing Corp.
A Apex Clearing já era uma das investidoras da Bruce, que também tem como financiadores a Fidelity Investments, Nasdaq Ventures, NH Investment & Securities, Tastytrade e Webull. O valor do novo aporte não foi divulgado.
Em breve, não só os clientes da Robinhood poderão fazer negociações 24/7: seus agentes de AI, também.
O agentic trading esteve no centro das apresentações da corretora ontem, em Houston, segundo o Wall Street Journal.
O fundador e CEO da Robinhood, Vlad Tenev, disse que as ferramentas de AI darão aos traders da plataforma recursos hoje disponíveis apenas a grandes gestoras e fundos quantitativos.
A Robinhood já permite que ferramentas de outras empresas, como o Claude da Anthropic, sejam conectadas às contas de seus usuários. Foi criado um tipo de conta específico para o agentic trading, e, segundo a corretora, o recurso atraiu até agora mais de 150 mil clientes.
Tenev disse à CNBC que o objetivo agora é disponibilizar a ferramenta de AI diretamente no aplicativo, com acesso para todos os 28 milhões de clientes.
“Projetamos o produto com a segurança em mente desde o início,” disse Tenev, afastando a possibilidade de que ‘alucinações’ dos agentes causem prejuízos para os usuários.
“Por default, o agente faz o trabalho, mas o usuário autoriza a operação,” disse o CEO. “Alguns clientes preferem desativar essa opção para permitir que o agente opere de forma totalmente autônoma e contínua, e isso é possível. Mas a configuração padrão mantém ativada a necessidade de aprovação das operações.”
Segundo Tenev, os agentes trabalham em um ambiente isolado (um sandbox) e em uma conta separada. “Eles não podem acessar diretamente o seu saldo principal ou sua conta de aposentadoria para fazer negócios.”
O aplicativo da Robinhood já foi considerado um cassino para especuladores de criptoativos e meme stocks da Geração Z.
Mas nos últimos anos a corretora vem se consolidando como uma plataforma financeira diversificada – e o fee de corretagem de ações nem é mais sua principal fonte de receita.
A empresa tem hoje 13 negócios distintos, cada um gerando receita anual superior a US$ 100 milhões. No último trimestre, o faturamento bateu recorde: US$ 1,3 bilhão, uma alta de 32% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A divisão que deu o maior salto no último tri foi a de mercados preditivos, os chamados event contracts – um negócio ‘novato’, lançado há pouco mais de um ano, mas que já fez US$ 156 milhões de receita no tri e se tornou um dos grandes focos da empresa.
O ganho da Robinhood com as transações de ações, que já foi o core business da empresa, ficou para trás, com um faturamento de US$ 129 milhões; enquanto as opções faturaram US$ 342 milhões. Juntos, esses dois serviços ainda geraram mais de um terço da receita trimestral.
Segundo a Bloomberg, a plataforma agora terá contratos vinculados a resultados corporativos – um novo tipo de opções da CBOE Global Markets que permite aos investidores apostar se uma empresa superará um indicador de desempenho específico, como o volume de vendas. Mas para chegar ao mercado, falta ainda o aval da Securities and Exchange Commission (SEC).
Outra nova modalidade de trading são os futuros perpétuos – derivativos sem data de vencimento – de criptomoedas. Esses contratos serão disponibilizados por meio da Bitstamp, uma corretora de criptomoedas adquirida pela Robinhood no ano passado.
A ação da Robinhood acumula alta de 65% nos últimos seis meses, recuperando o tombo do primeiro trimestre. No ano, o papel está praticamente no zero a zero. A empresa vale US$ 102 bilhões na Nasdaq.




