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Mostarda para SAF: a aposta da Vylor após separação da Corteva

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Uma das primeiras medidas no horizonte da Vylor no Brasil, após a conclusão do spin-off da Corteva, será inovadora: a empresa quer introduzir no País o cultivo de mostarda indiana visando a produção de biocombustíveis.

Especificamente, o objetivo é produzir SAF, o combustível sustentável de aviação, e HVO, o diesel renovável — diferente do biodiesel por ter a mesma molécula do diesel fóssil, podendo ser usado em veículos pesados sem necessidade de adaptação.

Até aqui, a produção desses biocombustíveis, principalmente o SAF, gira em torno do óleo de soja, embora haja iniciativas tentando desenvolver mercado a partir de outras opções, como macaúba, óleos animais e resíduos, como óleo de cozinha usado.

A novidade é parte de uma joint-venture da Corteva, que a Vylor herdou, com a BP, uma das maiores produtoras de petróleo do mundo, para produzir biocombustíveis a partir de mostarda, canola e girassol.

Chamada Etlas, a iniciativa visa produzir 1 milhão de toneladas por ano de matéria-prima até 2030, viabilizando 800 mil toneladas de biocombustíveis por ano. O início do fornecimento está previsto para 2027, para uso, inicialmente em modo de testes, na fabricação de biocombustíveis e no coprocessamento em refinarias.

“Importamos alguns híbridos da Índia, seguindo os processos regulatórios, para fazer os primeiros testes. Estamos aprendendo sobre como a cultura se comporta no Brasil”, explica Anelcindo Souza, diretor de Marketing da Vylor para o Brasil e Paraguai.

Segundo ele, os contratos de comercialização ainda não começaram a ser efetuados, e essa tarefa ficará a cargo da Etlas.

Vantagens competitivas

Souza falou com o The AgriBiz durante o GAFFFF, o Global Agribusiness Festival, megaevento de cultura, conteúdo e inovação do agronegócio realizado pela Datagro em parceria, neste ano, com a XP e a Corteva.

Segundo ele, a mostarda indiana apresenta relevantes vantagens competitivas frente a outras matérias-primas agrícolas usadas para produzir biocombustíveis.

A principal é a boa adaptação ao clima seco e quente. Além disso, a mostarda é uma hortaliça herbácea de ciclo curto de desenvolvimento, entre 30 e 60 dias. Esses traços tornam a cultura atraente para produtores em regiões onde a temperatura e o regime de chuvas não viabilizam o plantio em segunda safra de milho, sorgo ou algodão.

A Vylor mapeou 5 milhões de hectares no Norte do Brasil com potencial para plantar mostarda indiana em segunda safra. Desse total, entre 700 mil e 1 milhão de hectares atualmente ficam em “pousio”. “Ou seja, o agricultor não atua na janela, pois nem o milho nem o sorgo compensam do ponto de vista financeiro”, diz o diretor.

Souza acrescenta que as sementes de mostarda indiana têm, uma vez esmagadas, um rendimento na produção de óleo de entre 35% e 40%. É um patamar relativamente superior ao da soja, que fica na casa de 20%, e também supera o de alternativas de vanguarda consideradas para SAF, como a macaúba, que rende perto de 30%.

De acordo com William Weber, presidente da Vylor para a Unidade Comercial Brasil e Paraguai, a iniciativa ainda é incipiente, mas a joint-venture prevê a primeira plantação em escala comercial em 2028, embora não haja uma meta pública de hectares.

“É um grãozinho muito pequenino. Para quem leu a Bíblia, tem a comparação de que a fé de certo personagem era ‘do tamanho de uma semente de mostarda’. Mas com potencial de óleo muito grande. Testamos por três anos e agora estamos desenhando a cadeia para entrar na safrinha em regiões com desafio climático”, completou Weber.

Trigo híbrido

A Vylor anunciou nesta quinta-feira a conclusão de sua separação da Corteva. A empresa agora é independente e autônoma, de capital aberto, com ações negociadas na Bolsa de Nova York (NYSE) sob o código VYLR.

Criada “para reinventar a agricultura”, na definição do CEO global, Chuck Magro, a Vylor nasce com um portfólio de tecnologias avaliado em US$ 19 bilhões.

Entre as inovações previstas para até 2035, estão 12 lançamentos — “plataformas tecnológicas”, na definição da empresa — destinados a algumas das principais culturas nacionais, como soja, milho e trigo.

A mais impactante, segundo Weber, será o Xpedite, um sistema proprietário da Vylor utilizado para desenvolver trigo híbrido. Segundo pesquisas da empresa, a inovação tem uma produtividade “consistentemente elevada”, além de melhor “estabilidade de rendimento”, com maior resiliência a doenças e secas.

A Corteva já havia inovado com a primeira semente híbrida de milho no mundo, em 1926, e agora, um século depois, sua spin-off projeta repetir a dose no trigo.

Além disso, a Vylor antevê sete lançamentos destinados ao milho na próxima década, incluindo uma tecnologia cujos testes sinalizam um ganho de produtividade de até 3,3 sacas por hectare frente às tecnologias de sementes preponderantes no mercado.

Ainda no milho, há no horizonte planos de lançar uma plataforma baseada em edição gênica visando resistência a doenças.

Na soja, a empresa projeta quatro lançamentos até 2035, incluindo uma plataforma proprietária com “o mais amplo espectro de controle de insetos do mercado”.

As novidades são frutos de um investimento em pesquisa e desenvolvimento que, segundo a Vylor, consumia cerca de 10% do valor das vendas anuais das frentes de sementes e genética, agora alçadas à condição de nova empresa.



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