Bloomberg Línea — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) vão disputar o segundo turno da eleição presidencial em 25 de outubro.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe de Estado, terminou o primeiro turno 2,2 milhões de votos à frente do petista, que disputa o quarto mandato.
Com 99,99% das seções apuradas, o senador teve 47,03% dos votos válidos, ou 56.104.422 votos, contra 45,16% do presidente, com 53.878.385 votos, uma diferença de 1,87 ponto percentual.
Nenhum dos dois alcançou mais da metade dos votos válidos, condição exigida para vencer sem segundo turno.
Em terceiro lugar ficou Augusto Cury (Avante), com 2,89%. Depois vieram Renan Santos (Missão), com 2,24%, Ronaldo Caiado (PSD), com 2,18%, e Romeu Zema (Novo), com 0,27%.
A apuração estagnou em 99,99% por volta de 1h da manhã, pois algumas urnas do Amazonas e do Maranhão ainda faltavam ser processadas devido a entraves logísticos.
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Lula concorre à reeleição tendo Geraldo Alckmin como vice e busca o quarto mandato. Flávio, senador pelo Rio de Janeiro e filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem Alfredo Gaspar como vice. Ele foi indicado pelo pai, que foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), está impedido de concorrer antes de 2030 e foi preso em 2025.
O resultado repete o confronto de 2022, agora com outro integrante da família Bolsonaro. Naquele ano, Lula terminou o primeiro turno com 48,43% dos votos válidos, contra 43,20% de Jair, e venceu a etapa final por 50,90% a 49,10%.
Pesquisas e voto útil
Todas as pesquisas apontavam empate técnico e, portanto, segundo turno. No Datafolha divulgado no sábado (3), véspera da votação, Lula tinha 45% dos votos válidos no primeiro turno, contra 42% de Flávio, em empate técnico, segundo a Folha de S.Paulo. Na simulação de segundo turno, o petista marcava 47%, e o senador, 46%.
Flávio apostava no desfecho imediato. Depois de votar no Rio de Janeiro, pela manhã, pediu o “voto útil” de quem se opõe a Lula para encerrar a eleição neste domingo. O Citi também via essa possibilidade: em relatório recente, o banco avaliou que a rejeição de 45% para cada candidato poderia provocar um voto estratégico não captado pelas pesquisas.
Lula votou em São Bernardo do Campo (SP) e disse que o eleitor escolheria “entre o fortalecimento do regime democrático ou a barbárie”.
Caso Master e crise no STF
A campanha foi marcada pelo escândalo do Banco Master e por uma crise no Supremo.
Flávio é investigado pela Polícia Federal por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes tributários em razão das tratativas com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master. Ele nega irregularidades.
O senador alcançou Lula em setembro, depois que o ministro André Mendonça tornou públicas mensagens que, segundo a PF, Vorcaro enviou a um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes, que nega a relação.
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Na AtlasIntel de 10 de setembro, Flávio eliminou uma desvantagem de 4,5 pontos e passou a tratar a eleição como um referendo sobre o tribunal.
Lula reagiu com medidas voltadas à renda e às dívidas das famílias. O governo elevou o valor mínimo do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691, proibiu as apostas online por medida provisória e anunciou R$ 15 bilhões para comprar até R$ 150 bilhões em dívidas em atraso de pessoas físicas.
Mercado mira o ajuste fiscal
Investidores esperam oscilações acentuadas nos ativos brasileiros após a votação, segundo a Bloomberg News.
Em Tóquio, o principal ETF de ações brasileiras, que replica o Ibovespa, subia 11,61% por volta de 0h55, cotado a 328,9 ienes, com Flávio à frente de Lula no primeiro turno.
“O resultado do primeiro turno deve ser lido pelo mercado, num primeiro momento, como a redução de parte das incertezas que vinham sendo precificadas, particularmente o risco fiscal”, avaliou Elisa Machado, sócia e economista-chefe da KAT Investimentos, em nota.
Ela chamou atenção para o mapa político das eleições estaduais. “A direita lidera majoritariamente nos estados. É uma mudança importante na correlação de forças e aumenta o peso dos governos estaduais na equação de governabilidade dos próximos anos”, observou Machado.
Mais importante do que a leitura ideológica é o que essa composição significa em capacidade de articulação, aprovação de reformas e execução de uma agenda econômica e fiscal a partir de 2027, segundo a economista.
“Daqui até o segundo turno, três fatores devem pesar mais: para onde vão os votos dos candidatos eliminados, principalmente os de centro, ainda que um movimento de voto útil tenha sido percebido no primeiro turno; a base que o próximo presidente terá no Congresso; e a credibilidade da equipe econômica. O mercado vai querer nomes e regras”, previu Machado.
Na sua avaliação, a trajetória da dívida pública, a disciplina fiscal, o controle dos gastos e as perspectivas de crescimento continuam sendo determinantes para as expectativas e para os preços dos ativos.
Abstenção recorde
Cerca de 158,7 milhões de eleitores estavam aptos a votar, o maior eleitorado da história do país.Além do presidente, foram escolhidos governadores, deputados e 54 das 81 cadeiras do Senado, a Casa com poder para processar ministros do STF.
Com 499.236 das 499.248 urnas apuradas (99,99%) à 0h42 desta segunda-feira (5), no horário de Brasília, a abstenção somou 33.468.585 eleitores (21,08%), recorde em números absolutos. Em proporção, a taxa é a maior desde 1998, quando chegou a 21,49%. O total de ausentes equivale a cerca de 128 vezes a soma dos votos dos seis presidenciáveis de menor votação (260.655).
Entre eles, Samara Martins (UP), que prometeu dobrar o salário mínimo, recebeu 122.911 votos (0,10%) e ficou à frente de PSTU, DC, PCB, Democrata e PCO, com 47,15% dos votos do grupo. O programa da presidenciável socialista, que disputou o Planalto pela primeira vez como cabeça de chapa, propõe o salário mínimo de R$ 3.242 e uma escala 4×3, com quatro dias de trabalho e três de folga.
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