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A XP Asset quer acelerar sua operação de FIDCs após a compra da Augme Capital, concluída em março. A aquisição trouxe Marcelo Urbano e sua equipe, além de R$ 700 milhões em FIDCs. Seis meses depois, esse patrimônio dobrou para R$ 1,4 bilhão. A previsão é chegar a R$ 3 bilhões até dezembro e R$ 10 bilhões no fim de 2027.
Parte do crescimento virá de fundos que já estão no radar da gestora. Em outubro, a XP deve assumir a gestão de um FIDC de consignado CLT de R$ 700 milhões, no qual já era cotista. A casa também prepara novas teses, como consignado para servidores estaduais e municipais e antecipação de recebíveis de cartão.
O crédito estruturado é a principal aposta da XP Asset entre os alternativos, mas os ETFs devem liderar o crescimento em patrimônio. A gestora tem quase R$ 9 bilhões em ETFs e mais de 30 fundos de índice. Outra frente são as carteiras administradas, que saltaram de pouco mais de mil para 14 mil após o produto ser oferecido a investidores com R$ 50 mil.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A XP Asset passou os últimos meses azeitando sua operação de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Desde que concluiu a compra da Augme Capital, em março deste ano, a gestora do grupo XP incorporou o fundador da casa, Marcelo Urbano, e o time dele, junto com os fundos que eles administravam.
Na largada, a Augme trouxe R$ 700 milhões em FIDCs e cerca de R$ 4 bilhões em carteiras discricionárias. Seis meses depois, o patrimônio em FIDCs já dobrou, para R$ 1,4 bilhão.
A expectativa é de que o ritmo acelere daqui para frente. Segundo a gestora, R$ 3 bilhões em FIDCs já estão contratados até o fim do ano. Até 2027, o plano é mais que triplicar o volume sob gestão. A meta da XP Asset é encerrar o próximo ano com R$ 10 bilhões em FIDCs, 230% maior que os R$ 3 bilhões previstos para dezembro.
Parte relevante desse salto, porém, não vem de fundos novos. Em outubro, a XP Asset deve assumir a gestão de um FIDC de consignado CLT de R$ 700 milhões, no qual já era cotista. O restante, perto de R$ 1 bilhão, virá de captações já programadas nos fundos que estão na carteira.
“Com a vinda do Urbano e do time dele, completamos uma carência que tínhamos: um time de gestão de crédito estruturado multiestratégia”, afirma Leandro Bousquet, CEO da XP Asset, em entrevista ao NeoFeed.
Até a chegada da Augme, a XP Asset investia em FIDCs por meio dos seus fundos de renda fixa e de special sits, mas não fazia a gestão dos fundos. Bousquet pontua que, embora os FIDCs estejam entre as classes de ativos que mais cresceram no País nos últimos anos, são “pouquíssimas” as grandes assets que fazem a gestão do produto.
O mercado em que a XP Asset quer ganhar relevância está longe de ser pequeno. Segundo dados da Anbima, os FIDCs somavam R$ 801,4 bilhões em patrimônio em agosto, quase o triplo do registrado no fim de 2021. No mesmo período, o número de fundos saltou de 1.544 para 4.282.
A grade de FIDCs é diversificada. São quatro fundos que financiam a instalação de sistemas de geração solar em residências; outros dois dão capital de giro a escolas. A casa também antecipa valores a transportadoras e financia tratamentos odontológicos e estéticos de pessoas físicas, em operações em que a clínica recebe à vista.
Para a XP, a vantagem em rodar os FIDCs dentro de casa está na melhor qualidade de informação que esses veículos geram sobre o mercado.
“Ao fazer a gestão, a gente tem condição de fazer uma curadoria do investimento muito melhor, porque tem informação passando por aqui. Quando vem um fundo de uma tese parecida, mesmo gerido por terceiros, a gente consegue avaliar melhor”, afirma Marcelo Urbano, gestor da mesa de crédito privado multiestratégia e FIDCs da Augme..
Além da experiência na estruturação de FIDCs, Urbano assumiu a gestão da família de fundos XPCE, de crédito estruturado da XP Asset, e fez ajustes na carteira para chegar ao que considerava o portfólio ideal. Em alguns casos, em vez de vender a posição, a XP levou a gestão do fundo para dentro de casa, como foi o caso do FIDC consignado CLT.
“Já éramos o principal cotista. Então, foi só convocar uma AGE para mudarmos a gestão do fundo”, diz Urbano.
Novas teses
A gestora aposta em novas teses para chegar aos R$ 10 bilhões em 2027. Uma delas é o consignado de servidores estaduais e municipais, em que a XP Asset já tem conversas na mesa para trazer um fundo dessa modalidade. Outra frente em desenvolvimento é uma plataforma para antecipar recebíveis de cartão de lojistas e dar crédito lastreado nesse fluxo.
Dentro de alternativos, a XP Asset coloca o crédito estruturado no topo da lista. “É onde a gente tem a nossa maior aposta e onde acha que tem a maior avenida de crescimento”, diz Bousquet.
Em volume, porém, o maior crescimento deve vir de outra frente. Bousquet espera que os ETFs sejam o negócio que mais vai avançar em patrimônio nos próximos anos, tanto em termos nominais quanto proporcionais.
A XP Asset tem hoje quase R$ 9 bilhões em ETFs – “um número que poderia facilmente dobrar a cada ano nos próximos anos”, afirma. Em menos de um ano, a gestora saiu de 6 para mais de 30 fundos de índice e prepara para os próximos meses o lançamento de ETFs de crédito privado.
O avanço acompanha o mercado. O patrimônio dos ETFs no País mais que dobrou em 12 meses, para R$ 125,6 bilhões em agosto, segundo a Anbima. Com quase R$ 9 bilhões, a XP Asset responde por cerca de 7% do total.
A outra “grande avenida de crescimento”, nas palavras de Bousquet, são as carteiras administradas, produto normalmente reservado ao cliente private que a XP passou a oferecer a investidores com R$ 50 mil. Em pouco tempo, o número de carteiras saltou de pouco mais de mil para 14 mil.
O ritmo gerou impacto operacional e levou a gestora a fazer uma “arrumação” no meio do ano, e a captação deve voltar a ser liberada com mais força no último trimestre. Para escalar, a aposta é em tecnologia e inteligência artificial, principalmente para rebalancear milhares de carteiras ao mesmo tempo e garantir o mesmo retorno a todos os clientes.
Depois da Augme, novas aquisições não estão descartadas. Bousquet diz que a casa avalia “sempre” oportunidades de crescimento inorgânico, em vários segmentos, mas não vê nada por ora em ETFs. Como a grade de produtos já é ampla, a chance de entrar numa vertical nova é menor.
O mais provável, segundo o CEO da XP Asset, é repetir a lógica da Augme e comprar competências que faltam em áreas onde a gestora já atua.
“A lógica de qualquer M&A tem que passar por isso. E, obviamente, ter a oportunidade de fazer um bom negócio”, afirma Bousquet.




