Para o presidente-executivo da Telcomp, Luiz Henrique Barbosa, o mercado de Internet das Coisas e M2M cresce no Brasil com o freio de mão puxado, uma vez que a densidade de dispositivos IoT por habitante está abaixo da média da OCDE. Durante coletiva de imprensa da associação no Futurecom Leader Congress 2026, nesta terça-feira, 26, o representante do grupo defendeu o papel de suas associadas no desenvolvimento de IoT no Brasil, pois elas investem bilhões de reais e são motores de produtividade.
A fala da Telcomp surge em paralelo à Tomada de Subsídios nº 3, que busca definir os próximos passos dos contratos de roaming entre os players do mercado de IoT e as operadoras de telecomunicações. Em especial, Barbosa atua principalmente para reverter um recurso do PGMC que está há um ano sem julgamento na Anatel e estaria deixando o setor em uma situação de insegurança jurídica.
Junto com o posicionamento, a associação apresentou o estudo da consultoria Pezco que o Mobile Time adiantou no mês passado, logo após o encerramento da Tomada de Subsídios.
Considerando dados da Anatel, Gabriel Fiuza, economista da Pezco, explicou que as conexões de máquinas já representam um quinto dos acessos móveis no Brasil. O especialista disse ainda que:
- 8% da receita projetada do ecossistema de M2M/IoT em 2028 fica na camada de conectividade;
- 66% concentram-se em aplicações e serviços — camadas em que integradores e plataformas de IoT competem;
- há 35 milhões de acessos IoT em operação no Brasil, em contratos plurianuais e verticais consolidadas.
Fiuza afirmou ainda que a troca de operadora em IoT pode custar até 2,5 vezes mais que o valor pago anualmente em conectividade.
Efeitos em IoT e MVNOs
O economista explicou que o principal problema é que o PGMC fechou três portas para a competição:
- deixar as MVNOs de IoT fora da regulação;
- permitir cláusula de exclusividade entre as grandes operadoras;
- aplicar punições desproporcionais ao roaming permanente acima de 90 dias.
Thiago Mello, executivo de vendas e marketing da Transatel, explicou que nenhuma operadora nacional tem cobertura superior a 20% no país. Por isso, o roaming contínuo é necessário para a sobrevivência de plataformas em setores como agronegócio e logística. Além disso, a aplicação de punições desproporcionais pode inviabilizar negócios.
Por sua vez, William Franco, especialista de novos negócios da 1IoT na América Latina, afirmou que as MVNOs de IoT começam a ser estranguladas por conta de ações na Anatel, pois as MNOs querem pegar esse mercado de nicho — apesar de não atuarem com o mesmo empenho que as operadoras móveis virtuais. Franco rechaçou a ideia de que as MVNOs são caronas das MNOs e não investem.
Barbosa afirmou ainda que essas barreiras evitaram a chegada de um grande player de IoT chinês ao Brasil. Ou seja, a falta de uma definição do regulador reduz a competição.




