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TV 3.0 exige nuvem, fibra, satélite e 5G para levar mundo do streaming e das redes sociais aos telespectadores – ConvergenciaDigital

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Grandes eventos esportivos e musicais, como Copa do Mundo, Lollapalooza e Rock in Rio vão ser laboratórios para a nova experiência proposta pela TV 3.0. A evolução da televisão aberta promete ampliar a participação do público, oferecendo diferentes câmeras, opções de áudio, chats e conteúdos complementares, ao mesmo tempo em que exige uma infraestrutura de conectividade cada vez mais robusta.

O tema foi discutido em painel do Futurecom 2026, que reuniu representantes de emissoras, empresas de infraestrutura e tecnologia e foi mediado por Marcio Montaagnani, fundador do BIZ Group. A avaliação dos participantes é que a TV 3.0 poderá aproximar a televisão tradicional da experiência já oferecida pelas plataformas digitais e redes sociais, mas sem transferir para o espectador a complexidade tecnológica necessária para viabilizar a transmissão.

Segundo Sergio Santoro, executivo de transformação digital e inovação da Record TV, o projeto da TV 3.0 começou em 2019 e tem como uma de suas principais propostas justamente enriquecer o conteúdo exibido pela televisão aberta. Em grandes eventos, o telespectador poderá escolher diferentes perspectivas da transmissão, em vez de ficar limitado à imagem selecionada pelo diretor.

“Em um grande evento, será possível levar ao telespectador câmeras distintas daquela da transmissão principal, também opções de áudio, com diferentes narrações”, afirmou Santoro. Na avaliação do executivo, essa possibilidade aproxima a TV aberta da dinâmica das redes sociais e cria uma nova relação entre o público e o conteúdo.

A mudança pode ser particularmente relevante em eventos que concentram múltiplas atrações simultaneamente. Em um festival de música, por exemplo, diferentes palcos e ambientes podem gerar conteúdos paralelos, permitindo ao usuário escolher aquilo que deseja acompanhar.


Alex Pimental, CEO da Casablanca Online, destaca que a infraestrutura necessária para isso já vem evoluindo. Segundo ele, grandes eventos passaram a contar com redes de fibra e estruturas locais permanentes, reduzindo a necessidade de as emissoras deslocarem toda a infraestrutura de transmissão para cada produção. “Na Copa do Mundo, por exemplo, as TVs recebem 20 sinais diferentes para escolher as imagens. Essas opções estarão disponíveis na TV 3.0 não apenas para o diretor de imagens, mas também para o consumidor”, explicou.

A mudança, portanto, não está apenas na capacidade de gerar mais sinais, mas em permitir que parte dessa variedade chegue diretamente ao público. A lógica tradicional, em que o diretor define o que todos os espectadores assistirão, pode dar lugar a uma experiência mais personalizada.

Infraestrutura é parte da experiência

A ampliação das possibilidades de transmissão depende, porém, de uma infraestrutura capaz de suportar o aumento do tráfego de dados. Bruno Kelman Ajuz, da Telecall, lembra que mesmo locais que já possuem backbone de fibra precisam receber reforços para grandes eventos. “No Rock in Rio deste ano, instalamos mais 37 quilômetros de fibra”, afirmou. Para o executivo, eventos sazonais exigem atualizações constantes, mesmo quando a infraestrutura básica de telecomunicações já está disponível.

A conectividade também precisa considerar a coexistência entre o público geral, equipes de produção, emissoras e estruturas de segurança. Segundo Kelman, grandes eventos já trabalham com uma divisão entre redes públicas, abertas aos visitantes, e redes privadas, destinadas a aplicações específicas.

Um exemplo citado foi o Sambódromo do Rio de Janeiro, onde uma emissora utilizou uma solução de slicing em parceria com a TIM para garantir capacidade de transmissão sem disputar recursos de rede com os demais dispositivos conectados ao ambiente. A redundância também é considerada essencial. “Todo grande evento deve ter duas vias distintas de fibra e duas saídas, sendo uma internacional. Sempre pensando que quem tem um, não tem nenhum”, afirmou Kelman.

Para Pimental, a infraestrutura híbrida já se tornou indispensável. Nuvem, fibra e satélite são combinados para transportar imagens dos locais dos eventos até os centros de distribuição. Em estádios e arenas, o satélite ainda desempenha papel importante na saída dos sinais e, em eventos musicais, funciona principalmente como alternativa de backup. “Hoje é impossível fazer eventos sem uma infraestrutura híbrida”, disse Pimental.

Da transmissão para a experiência

O desafio da TV 3.0, no entanto, não é apenas oferecer mais tecnologia. Para Marcos Amazonas, do IBTD, o principal objetivo deve ser transformar o programa de televisão em uma experiência, sem obrigar o usuário a compreender a complexidade existente nos bastidores. “Um grande evento continua sendo um programa de TV, mas com enorme possibilidade de ser uma experiência”, afirmou. Para ele, a tecnologia deve utilizar o conhecimento adquirido sobre o espectador para oferecer sugestões e possibilidades de interação, fazendo com que o usuário se torne parte do evento.

O executivo alerta, porém, para o risco de excesso de informações. “Passar a complexidade para o espectador atrapalha. Ela não deve chegar ao espectador. Não devemos achar que ele é uma pessoa tarimbada”, afirmou Amazonas. A preocupação é que a abundância de dados, escolhas e recursos transforme uma experiência que deveria ser simples em uma tarefa. No entretenimento, segundo ele, a surpresa também é parte fundamental da experiência e não pode ser substituída por uma interface carregada de informações.

A mesma preocupação aparece na visão de Santoro. Para o executivo da Record TV, as aplicações da TV 3.0 deverão ser desenvolvidas sob a ótica do usuário e com o mínimo possível de complexidade. “O espectador vai interagir com a tela. As aplicações que serão geradas devem ser avaliadas sob a ótica do usuário e devem ser as mais simples possíveis”, afirmou. Segundo ele, a indústria ainda não chegou ao ponto ideal, mas a experimentação e o uso contínuo devem tornar a interação cada vez mais natural.

Entre as possibilidades está a participação direta do público. Recursos como chats poderão aproximar o telespectador da transmissão e criar uma relação mais dinâmica durante shows, competições esportivas e outros eventos ao vivo.

Esta evolução ocorre em um cenário em que o espectador já está acostumado a produzir e compartilhar conteúdo em tempo real. Nos grandes festivais, milhares de pessoas transmitem imagens diretamente de seus celulares pelas redes sociais, criando uma segunda camada de cobertura que acontece simultaneamente à transmissão profissional.

Essa realidade aumenta a pressão sobre a televisão aberta para oferecer uma experiência que vá além da simples reprodução do sinal. A TV 3.0 surge justamente como uma oportunidade de combinar a qualidade da transmissão profissional com a interatividade característica do ambiente digital.

Wilson Conti, BD Public Safety LATAM da LiveU, aponta o congestionamento das redes como um dos principais desafios dos grandes eventos. Para garantir a qualidade dos vídeos, é necessário combinar diferentes recursos disponíveis na região e utilizar de forma inteligente a capacidade das redes. “O segredo é disponibilizar o que há de mais forte de cobertura na região para garantir a transmissão de vídeos sem perdas”, afirmou.

Segundo Conti, essa complexidade deve ser resolvida pelos operadores e provedores, e não transferida ao usuário. “A preocupação que temos hoje na hora de transmitir vídeo é ser automático e transparente para qualquer meio de transmissão e caminho”, disse.

Dados como novo ativo da televisão

Além da experiência do espectador, a TV 3.0 deverá modificar a forma como as emissoras conhecem e se relacionam com sua audiência. A coleta e utilização de dados passam a ser elementos importantes para entender hábitos de consumo e ajustar a programação.

Para Amazonas, esse é um dos grandes desafios das emissoras. “Para fazer isso é preciso investir muito em coleta de dados. A emissora é que deve conhecer seu público”, afirmou.

Santoro vê duas grandes possibilidades a partir dessa maior capacidade de conhecimento da audiência. A primeira está relacionada à própria programação, permitindo identificar quais conteúdos apresentam melhor desempenho e quais precisam de ajustes. A segunda envolve o mercado publicitário. Com informações mais precisas sobre o comportamento e os interesses da audiência, a televisão poderá oferecer publicidade mais direcionada e assertiva.

“A TV 3.0 vai permitir um conhecimento melhor de seu usuário”, afirmou Santoro. “Uma das ramificações está na programação, que, baseada nos dados que vamos receber, vai entender que programa está performando bem e que ajustes ele pode precisar. Na outra, dar ao mercado publicitário a possibilidade de ser mais assertivo”, disse.

O avanço da TV 3.0, portanto, combina três movimentos: uma transmissão mais flexível, uma infraestrutura capaz de suportar grandes volumes de dados e uma relação mais personalizada com o espectador. A tecnologia deverá permitir que eventos que antes eram apenas assistidos passem a ser explorados de diferentes maneiras pelo público.



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