O início de outubro tem sido marcado por chuvas espalhadas pela maior parte do Brasil, e não será diferente nos próximos 15 dias. No início da segunda quinzena, precisamente entre os dias 14 e 21, os acumulados devem atingir pelo menos 30 milímetros em Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, o que deve ajudar na continuidade do plantio da soja e consolidar o desenvolvimento das primeiras áreas instaladas.
No Matopiba, apesar dos acumulados em torno dos 20mm na Bahia e Tocantins, boa parte da precipitação terá uma distribuição temporal irregular. A chuva acontecerá em apenas um dia, por volta de 17 de outubro, cortando logo depois.
A questão é que, depois dessa precipitação, a próxima é esperada apenas para a virada de outubro para novembro, dificultando o desenvolvimento das áreas recém-instaladas e uma eventual aceleração do plantio.
No Maranhão e Piauí, a situação é mais preocupante, já que o acumulado não alcançará 10mm no início da segunda quinzena de outubro.
Maiores intervalos entre os episódios de chuva e os baixos acumulados nas regiões Norte e Nordeste não são novidades diante do fenômeno El Niño. O aquecimento das águas do Pacífico faz com que as frentes frias fiquem mais tempo estacionadas sobre o centro e sul do Brasil.
No Sul, o excesso continua
Mesmo com as precipitações se espalhando pelo Brasil no início da segunda quinzena, a chuva ainda será excessiva no Sul. Simulações indicam pelo menos 70mm no sul e oeste do Paraná e no sul de Mato Grosso do Sul.
A situação, porém, será muito mais complicada nestes próximos dias. Até sábado e, depois, na próxima terça-feira, onde o acumulado total ultrapassará 150mm no noroeste do Rio Grande do Sul e no oeste de Santa Catarina e do Paraná. Diante de tanta chuva, que virá acompanhada de granizo e ventos fortes, o solo continuará encharcado e a radiação solar será bem abaixo do ideal para o desenvolvimento agrícola.
Com relação às temperaturas, faz calor nesta segunda semana de outubro, com destaques para Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Amazonas e Roraima. Mas, com o espalhamento da chuva por boa parte do País mais à frente, a temperatura volta a declinar nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
El Niño
Nesta quinta-feira (8), a NOAA, a agência meteorológica dos Estados Unidos, atualizou a discussão diagnóstica sobre o El Niño. Há 83% de chance de que o aquecimento 2026/2027 seja o maior fenômeno registrado desde 1950.
Estima-se um aquecimento de aproximadamente +2,7°C no trimestre outubro/novembro/dezembro, valor 0,3°C maior que o El Niño de 1982/1983, o maior registrado nos últimos 75 anos, de acordo com o recente índice Roni, desenvolvido pela NOAA. Em 2027, a expectativa é que o fenômeno perca força rapidamente e que a neutralidade retorne a partir do trimestre abril/maio/junho.
Os efeitos previstos são os mesmos já mencionados nos meses anteriores. A chuva continuará excessivamente forte em outubro, novembro e dezembro na região Sul e estados próximos, como São Paulo, Mato Grosso do Sul e o sul de Minas Gerais.
Por outro lado, chove bem menos que o normal nas regiões Norte e Nordeste, além do norte de Mato Grosso e de Goiás. A temperatura até fica um pouco mais baixa que o normal no Rio Grande do Sul pelo excesso de nuvens e pela entrada de algumas massas de ar frio, porém o calor acima do normal domina todo o centro e norte do País.
A primeira semana de outubro
Olhando para trás, o espalhamento da chuva na primeira semana de outubro permitiu que o plantio da soja avançasse mais rapidamente em comparação com o ano passado e à média dos últimos cinco anos, alcançando 9,4% do total previsto, de acordo com a Conab.
O acumulado atingiu 85mm no nordeste de Mato Grosso do Sul e em torno dos 50mm no sudoeste de Goiás, no sul de Mato Grosso e de Minas Gerais e ao longo do Araguaia, no leste mato-grossense.
Apesar da chuva mais ao norte, a precipitação não deixou de acontecer sobre o Sul, prejudicando o desenvolvimento das lavouras de inverno.
No sul do Paraná, o acumulado em sete dias alcançou 70mm. Apesar da colheita mais acelerada que no ano passado e que na média dos últimos cinco anos, há paralisações pelo excesso de umidade e, quanto mais tempo a planta permanece no campo, maior é a perda.
O Rio Grande do Sul começou a colheita do trigo e os números mostram redução da produtividade e da qualidade. Além da chuva excessiva, as precipitações têm vindo acompanhadas de granizo de grande tamanho, destruindo parte das lavouras.
No Matopiba, boa parte da soja instalada neste momento é irrigada. Mas algumas áreas de sequeiro foram plantadas e o risco de replantio é elevado, já que a chuva teve uma distribuição irregular. Em Tocantins, choveu aproximadamente 15mm, no oeste da Bahia pouco menos de 10mm, enquanto o Maranhão e o Piauí receberam menos de 5mm.
Celso Oliveira é especalista em tempo e clima da Tempo OK.




