
Marília soma ao menos R$ 140,7 milhões em recursos federais destinados a investimentos desde 2023, segundo levantamento realizado pelo Marília Notícia a partir de convênios, portarias, termos de compromisso, programas federais e documentos públicos.
Os valores estão distribuídos principalmente entre habitação, infraestrutura, saúde e educação. Entre os investimentos estão as obras de drenagem do Canal Assad Haddad, a nova Policlínica da zona oeste, a Emei Firenze, uma Unidade Básica de Saúde (UBS) Porte III, o Caps III 24 horas, 336 moradias do Minha Casa, Minha Vida e seis ambulâncias para o Samu.
O montante não representa, necessariamente, dinheiro já integralmente pago ou executado. O levantamento considera recursos federais formalizados, destinados ou vinculados aos projetos no período, que estão em diferentes etapas — desde bens já entregues até obras em andamento ou ainda em processo de contratação.
Também ficaram fora da soma investimentos cuja participação federal está confirmada, mas para os quais não foi possível identificar um valor específico destinado a Marília.
Drenagem recebe R$ 42,5 milhões


Um dos maiores aportes individuais identificados é destinado à construção e adequação do sistema de drenagem do Canal Assad Haddad.
Em dezembro de 2025, o município firmou com a União, por intermédio do Ministério das Cidades e com representação da Caixa Econômica Federal, o Termo de Compromisso nº 984862/2025. O instrumento prevê R$ 42.584.825 para as intervenções.
Os recursos integram o PAC voltado à drenagem e gestão de riscos e, segundo a Prefeitura, foram assegurados a fundo perdido, sem necessidade de contrapartida municipal. As intervenções abrangem áreas do Parque das Indústrias, Parque das Esmeraldas e parte do Jóquei Clube.
A obra ainda não foi contratada. Em setembro deste ano, a Prefeitura abriu concorrência eletrônica para a execução integrada do projeto, com valor máximo global de R$ 41.928.058,17. A sessão da licitação está prevista para dezembro.
A diferença entre o termo federal e o valor máximo da licitação ocorre porque os R$ 42,58 milhões correspondem ao recurso formalizado com a União, enquanto os R$ 41,93 milhões representam o teto atualmente estabelecido para a contratação da obra.
Policlínica tem R$ 30 milhões formalizados


Na saúde, o maior investimento considerado no levantamento é a nova Policlínica da zona oeste.
Em setembro de 2025, foi formalizado convênio para a liberação de R$ 30 milhões em recursos federais pelo PAC Seleções, sendo R$ 17 milhões inicialmente previstos para a construção e R$ 13 milhões para aquisição de equipamentos.
A ordem de serviço para o início das obras foi assinada em junho deste ano. Informações divulgadas posteriormente pela Secretaria Municipal da Saúde apontam investimento superior a R$ 30 milhões no conjunto da obra e dos equipamentos.
A unidade será construída no Jardim Marília, na zona oeste, e terá cerca de 3,1 mil metros quadrados de área construída, com estrutura destinada a consultas especializadas, exames e procedimentos ambulatoriais.
UBS e Caps somam mais R$ 5,2 milhões


Outros dois projetos do Novo PAC estão em execução na rede municipal de saúde.
Para a construção de uma UBS Porte III, o Ministério da Saúde autorizou em 2024 a transferência de R$ 2.765.371 ao município. O recurso é processado pelo Fundo Nacional de Saúde e integra as seleções federais para ampliação da atenção básica.
A obra foi contratada em 2025 e recebeu prorrogações durante a execução. Em outubro deste ano, a Prefeitura prorrogou novamente o prazo do contrato por mais 180 dias.
Já o Caps III 24 horas, na zona sul, recebeu R$ 2.496.000 de repasse do Ministério da Saúde. O projeto conta ainda com complementação municipal, que inicialmente foi calculada em R$ 473,6 mil.
Assim como a UBS, a construção do Caps teve o cronograma prorrogado durante 2026.
Somados, os repasses federais identificados para as duas unidades chegam a R$ 5,26 milhões.
Habitação concentra R$ 55,4 milhões


A habitação responde pela maior parcela dos recursos identificados no levantamento.
Marília foi contemplada com 336 unidades do Minha Casa, Minha Vida – Faixa 1, distribuídas entre os residenciais Jardim Europa e Jardim das Palmeiras – Etapa 2. Os dois empreendimentos já apareciam entre as propostas selecionadas pelo Ministério das Cidades.
O Jardim Europa terá 176 unidades. Do investimento global de R$ 33,48 milhões, R$ 29,04 milhões são provenientes do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), ligado ao programa federal. Outros R$ 4,44 milhões correspondem à participação do Governo do Estado de São Paulo.
No Jardim das Palmeiras serão construídos 160 apartamentos. A participação do FAR é de R$ 26,4 milhões, enquanto o Estado complementa o empreendimento com aproximadamente R$ 5,16 milhões.
Somados, portanto, os recursos federais identificados nos dois residenciais chegam a R$ 55,44 milhões.
As obras tiveram ordem de serviço autorizada em janeiro deste ano. Atualmente, o município também conduz o processo de seleção das famílias que poderão ocupar as unidades.
Emei Firenze


Na educação, o levantamento inclui a construção da Emei Firenze, na zona oeste.
O instrumento firmado em 2024 com o FNDE para a construção da creche tinha valor total de R$ 5.737.882,19, dos quais R$ 57.958,41 correspondiam à contrapartida informada no convênio. A diferença, de aproximadamente R$ 5,68 milhões, correspondia à parcela vinculada ao concedente federal.
O valor efetivamente contratado posteriormente ficou menor. Quando a obra foi iniciada, em 2025, o contrato previa investimento de R$ 5.009.019, sendo R$ 3.987.793,78 de repasse federal pelo PAC e R$ 1.021.225,22 de contrapartida municipal.
Por isso, para o cálculo geral do levantamento foi considerado o valor federal originalmente formalizado no instrumento de 2024, e não apenas o valor atualmente previsto para execução da obra.
A escola terá capacidade para atender 188 crianças em período integral.
Seis ambulâncias para o Samu
Os investimentos federais identificados também incluem a renovação da frota do Samu.
Em março de 2025, Marília recebeu quatro ambulâncias vinculadas ao PAC e ao Ministério da Saúde, com investimento total de R$ 1,16 milhão.
Em abril deste ano, a União formalizou a doação de outras duas ambulâncias ao município. O termo registra valor de R$ 585,2 mil pelos veículos.
As seis ambulâncias representam, portanto, cerca de R$ 1,74 milhão em bens destinados ao Samu de Marília no período.
Total passa de R$ 140 milhões
Considerando os valores federais identificados para drenagem, habitação, Policlínica, Emei Firenze, UBS Porte III, Caps III e as seis ambulâncias do Samu, o levantamento chega a aproximadamente R$ 140,7 milhões em recursos federais formalizados ou destinados a investimentos em Marília desde 2023.
A maior parcela está na habitação, com R$ 55,44 milhões, seguida pela drenagem urbana, com R$ 42,58 milhões, e pela Policlínica, com R$ 30 milhões. Os demais recursos estão distribuídos entre educação, atenção básica, saúde mental e renovação da frota de emergência.
O valor é um piso, já que outros investimentos federais confirmados não foram incorporados por falta de informação sobre o montante específico destinado ao município.
É o caso dos 10 kits de equipamentos entregues às UBSs em março deste ano pelo Novo PAC, com 17 itens cada. Ao todo, Marília recebeu 170 equipamentos, entre eletrocardiógrafos, desfibriladores, câmaras para conservação de vacinas, espirômetros e outros aparelhos. A divulgação municipal, porém, não informa o valor correspondente à cidade e, por isso, os equipamentos ficaram fora da soma.
O levantamento adota como recorte os recursos destinados a obras, construção de unidades, aquisição de equipamentos, veículos e empreendimentos habitacionais. Por isso, não estão contabilizados repasses federais destinados ao custeio de serviços públicos, manutenção de políticas de saúde e educação, benefícios sociais e outras transferências correntes. Esses recursos podem integrar balanços mais amplos de investimentos e transferências do governo federal, mas não fazem parte do recorte adotado nesta reportagem.




