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Vinho sem álcool avança no Brasil. Na Freixenet, categoria já é 15% do negócio no país

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Bloomberg Línea — Nos corredores da ProWine São Paulo, um convite se repetia em quase todos os estandes de vinícolas e importadoras participantes da maior feira de vinhos da América Latina realizada entre 6 e 8 de outubro. Antes de qualquer outro rótulo, o visitante era frequentemente chamado a conhecer as novidades entre as bebidas sem álcool.

Vinícolas nacionais como a Amitiê e a cooperativa Aurora apresentavam lançamentos na categoria. A importadora Épice levou um novo vinho sem álcool da portuguesa Bacalhôa. “É uma tendência clara do setor”, disse Malu Savieri, diretora do evento.

Mesmo sem a organização ter um dado consolidado sobre o tamanho desse mercado, por todos os lados da sétima e maior edição da feira, com mais de 2 mil produtores de 43 países, a bebida desalcoolizada era uma das tendências mais visíveis do setor.

O caso mais ilustrativo disso talvez seja o da Freixenet. A marca espanhola chegou à feira com seis novidades na categoria e passou a ter nove rótulos sem álcool no Brasil, em uma aposta na ampliação desse mercado e em abrir ele também a rótulos premium.

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A decisão veio depois que a participação da linha subiu de 9% do negócio no país em 2025 para 15% entre janeiro e agosto deste ano.

“O crescimento é impressionante, estamos avançando muito e o foco agora é na premiumização”, disse Fabiano Ruiz, CEO da Henkell Freixenet Brasil e vice-presidente da companhia para a América Latina, em entrevista à Bloomberg Línea durante a feira.

A marca agora oferece garrafas mais elaboradas, rótulos pensados também para presente e um portfólio mais amplo que o dos concorrentes.

Leia também: Espumante o ano todo: como a Freixenet mira vender 5 milhões de garrafas no país

O movimento acompanha uma mudança no consumo de bebidas. Segundo a IWSR, o Brasil deve ter crescimento médio de 10% ao ano em volume no segmento sem álcool até 2028, concentrado principalmente na cerveja. No mercado de vinhos, que movimentou cerca de R$ 21,1 bilhões no país em 2025, os espumantes atingiram o recorde de 4,5 milhões de caixas de nove litros, alta de 8%.

De um contêiner ao boom

A trajetória da Freixenet no segmento começou de forma modesta. “Imagina que em 2022 nós trouxemos um espumante zero álcool sem pretensão de uma performance muito relevante”, disse Ruiz.

A empresa importou um único contêiner. O público imaginado era restrito a mulheres grávidas, religiosos, pessoas intolerantes ao álcool ou em tratamento médico. Para alcançá-lo, a marca enviou garrafas a influenciadoras grávidas.

O produto teve bom desempenho sobretudo no varejo, onde os supermercados buscavam uma opção de espumante desalcoolizado. “Foi super bem, principalmente no off-trade”, disse Ruiz.

Em 2023, a linha ganhou vinhos tranquilos desalcoolizados, um branco, um rosé e um tinto, produzidos com uvas da Espanha na vinícola do grupo na Alemanha.

A Freixenet produz o vinho de forma convencional e retira o álcool depois, por evaporação a vácuo em baixa temperatura. “Faz o vinho e depois tira o álcool”, explicou. “Então é uma tecnologia que custa mais caro, que não existia no Brasil naquela época.”

A partir daí, a curva acelerou. “Eu não imaginava que a gente ia chegar em 15%. Porque há três, quatro anos atrás representava 1%. De 1% foi para 2%, de 2% foi para 5%, de 5% foi para 9% e até agora neste ano já representou 15%”, disse.

Leia também: Nem zero, nem excesso: vinícola gaúcha aposta em álcool reduzido para novo público

O dado de 2026 considera apenas os oito primeiros meses do ano e pode a recuar no fechamento anual. Em entrevista no final de 2025, o executivo disse à Bloomberg Línea que o último quadrimestre concentra cerca de 60% do faturamento da Freixenet no Brasil, puxado pelos espumantes tradicionais nas festas de fim de ano.

Ainda assim, Ruiz se apega à grande aceleração dos produtos e diz não ver um teto para a categoria no país. Ele contou que se surpreendeu ao ouvir, em uma reunião internacional do grupo, que o “sem álcool” havia respondido por 30% do negócio da filial mexicana no ano passado.“Eu não sei se esse é um movimento, um percentual, que pode acontecer no Brasil”, disse, sobre o patamar mexicano.

Sem álcool, mas com luxo

A ampliação do portfólio e a mudança de foco para apostar em produtos premium responde ao crescimento do setor e à chegada de concorrentes. “Existem novas marcas nacionais que estão entrando no mercado, com método de produção um pouco distinto do nosso”, disse Ruiz.

Entre os lançamentos estão uma versão sem álcool do Cordon Negro, um dos rótulos mais conhecidos da marca, e um espumante rosé. Também chega a linha Diamond, de garrafa estilizada, com vinhos branco, rosé e espumante elaborados com uvas italianas. O espumante zero álcool original foi relançado com nova identidade visual.

“Queremos trazer garrafas mais icônicas para essa categoria”, disse o executivo, ao explicar a estratégia. “Muitas vezes o consumidor quer consumir, mas ele também quer dar de presente, então precisamos oferecer produtos que se encaixem nesse perfil”.

Leia também: Setor de vinhos se mobiliza contra discurso de que qualquer consumo de álcool é nocivo

A Freixenet se apresenta como líder global em espumantes sem álcool, com base em dados da IWSR de 2025. No Brasil, o objetivo é ganhar espaço nas gôndolas dos supermercados, nos importadores especializados e no comércio eletrônico próprio.

O perfil de quem compra também mudou desde o primeiro contêiner. Segundo Ruiz, o público deixou de se limitar a quem não pode beber. Passou a incluir quem está em tratamento, acompanha um parceiro que não bebe ou busca um período mais saudável. “Esse tipo de categoria, ela é inclusiva”, disse. Com uma taça de vinho desalcoolizado, segundo ele, “você se sente incluído, você faz parte da celebração”.

A expansão ocorre em um momento difícil para a indústria. Ruiz reconheceu que a queda no consumo de álcool afeta a empresa e citou, entre os fatores, a popularização das canetas à base de GLP-1.

“Existe uma redução de consumo de álcool que está impactando o nosso negócio, sim”, disse.

Segundo ele, o impacto é maior nos restaurantes do que no varejo. “Conversando com donos dos restaurantes, o ticket médio caiu”, contou. Pelo relato que ouviu dos donos, casais que antes dividiam uma garrafa de vinho e uma entrada, e pediam um prato cada, passaram a reduzir o pedido.

Nesse cenário, o vinho sem álcool funciona como contrapeso. “Existe uma compensação de vendas”, disse Ruiz. Para ele, a ampliação da linha e o ganho de rentabilidade que ela traz deixam a empresa menos exposta que concorrentes sem presença no segmento. O executivo não detalhou as margens da categoria.

A produção de vinhos sem álcool de qualidade ainda é uma barreira, entretanto. Ruiz afirmou que “algumas pessoas se frustraram” com produtos da categoria e que talvez tenham de “buscar um produto com uma melhor qualidade”. Ele compara o momento à evolução da cerveja sem álcool e prevê uma nova onda de produtos no segmento.





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