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Da mesada à herança: como preparar os filhos para gerir o dinheiro da família

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Uma das filhas guardou a primeira mesada inteira. A outra gastou tudo em dez dias e pediu mais dinheiro, e recebeu um não como resposta. Para Sigrid Guimarães, CEO do Multifamily Office Alooc, deixar os filhos errarem faz parte da educação financeira. Afinal, de que adianta ensinar a poupar se, toda vez que o dinheiro acaba, os pais aparecem para cobrir a conta?

Mas, antes de aprender a controlar os gastos, uma criança precisa entender que os recursos são limitados. Segundo Ana Leoni, CEO da Planejar, hábitos simples, como apagar a luz, economizar água e aprender a esperar, ajudam a desenvolver a capacidade de fazer escolhas e lidar com frustrações.

“O dinheiro é apenas um recurso de tantos que a gente precisa gerir ao longo da vida”, afirma, em entrevista ao Wealth Point, programa do NeoFeed.

Essa educação ganha uma camada extra de complexidade nas famílias com patrimônio elevado. Se administrar a mesada já exige disciplina, como preparar um filho para receber uma fortuna que não ajudou a construir? E, principalmente, quando contar a ele o tamanho da riqueza da família?

  • Para saber mais sobre como ensinar o valor do dinheiro para um filho, converse com NeoFeed.AI.

A preparação começa com pequenas decisões do cotidiano. Guimarães sugere que, por volta dos nove anos, quando a criança começa a ganhar alguma autonomia, os pais aproveitem situações como a compra do lanche na escola ou uma viagem de férias para ensinar o valor do dinheiro e que o orçamento tem limites.

Evitar comprar um item novo quando o antigo ainda serve ajuda a distinguir necessidade de desejo. Uma chuteira nova, por exemplo, pode esperar até o aniversário. Já a substituição de um item indispensável não precisa sair da mesada.

Para Leoni, envolver os filhos no planejamento de uma viagem, na escolha do destino e na comparação de preços também ajuda a tornar o dinheiro um assunto natural dentro de casa, sem a necessidade de criar atividades específicas para ensinar finanças.

A mesada como treino para a vida adulta

Embora não exista uma idade certa para começar, Leoni considera que a semanada pode ser introduzida por volta dos cinco anos, quando a criança já tem alguma noção dos números. O intervalo mais curto facilita a compreensão das consequências de cada gasto. Com o amadurecimento, o pagamento pode passar a ser quinzenal e, depois, mensal.

Mais importante do que o valor é estabelecer regras claras sobre quais despesas estão incluídas e respeitar o combinado. Se o dinheiro acabar antes do prazo, os pais podem até emprestar mais, mas precisam cobrar a devolução, já que dar dinheiro sempre que a criança pede elimina a necessidade de fazer escolhas.

Guimarães conta que, quando começou a dar mesada às filhas, sugeriu que guardassem entre 10% e 20% do valor para objetivos futuros. Uma delas passou meses economizando até conseguir comprar um AirPod com o próprio dinheiro.

Alguns pais acreditam que oferecer “pagamentos” por obrigações, como arrumar a cama ou passar de ano, é um estímulo para os filhos. No entanto, na visão das especialistas, as recompensas financeiras também pode transmitir a mensagem errada porque tais tarefas são responsabilidades que fazem parte da vida.

Na adolescência, a educação financeira pode avançar para os investimentos. Entre os 14 anos e os 17 anos, conceitos como juros compostos, rentabilidade e o valor do dinheiro no tempo já podem entrar na conversa. Guimarães conta que uma das filhas ficou fascinada ao descobrir que o dinheiro aplicado rendia juros. O entusiasmo foi tanto que investiu toda a mesada e precisou pedir R$ 100 emprestados à mãe porque não conseguiria resgatar o valor durante o fim de semana.

Para Leoni, o segredo é associar a poupança a objetivos concretos. Guardar dinheiro para um tênis ou uma viagem ajuda a criança a entender o esforço necessário para realizar um desejo. “O dinheiro é feito para usar, ele só não é feito para usar tudo de uma vez e nem qualquer coisa”, afirma.

Se ensinar a poupar exige disciplina, falar sobre o patrimônio da família pode ser ainda mais delicado. Entre famílias de alta renda, existe o receio de que os filhos, ao descobrirem o tamanho da futura herança, percam o interesse em construir a própria carreira.

Guimarães acompanha famílias em que filhos de 30 anos já participam das discussões sobre sucessão e outras em que os pais preferem manter o patrimônio em sigilo. Para ela, não existe uma idade certa para abrir os números. A decisão depende da maturidade de cada herdeiro.

Além disso, com pais vivendo cada vez mais, a herança pode chegar quando os filhos já estiverem com 70 anos ou 80 anos. Apostar nesse dinheiro como garantia de sustento pode significar passar boa parte da vida sem autonomia financeira.

  • Para saber mais sobre como ensinar o valor do dinheiro para um filho, converse com NeoFeed.AI.



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