A demanda por carne de aves na Alemanha pode crescer 50% até 2040, segundo relatório da consultoria Roland Berger encomendado pela Associação Central da Indústria Avícola Alemã (ZDG). Como o consumo cresce em ritmo mais que duas vezes maior que o da produção interna, as importações tendem a aumentar. Sem medidas para estimular a produção local, a taxa de autossuficiência do país pode cair dos atuais 91% para no máximo 77% em 2040.
Para evitar isso, o setor avícola alemão diz estar pronto para investir pelo menos € 1 bilhão em granjas modernas e em mais capacidade de abate e processamento. “A melhor maneira de evitar uma dependência ainda maior das importações é aumentar a produção nacional”, afirma o diretor da ZDG, Wolfgang Schleicher.
O relatório recomenda acelerar o licenciamento de novos empreendimentos, reduzir a burocracia por meio da digitalização, valorizar a qualidade do produto nacional e garantir condições de concorrência mais equilibradas dentro da União Europeia.
Leia também no Agrimídia:
Por que o consumo cresce
Nos últimos 15 anos, o consumo de carne de aves na Alemanha subiu 28% e chegou a cerca de 22 kg por pessoa ao ano. No mesmo período, o consumo total de carne caiu 12%, para 75 kg por habitante. Segundo a Roland Berger, a carne de aves ganha espaço por ser uma proteína acessível, versátil, fácil de preparar e com pegada de carbono menor que a de outras carnes.
Os jovens puxam essa tendência. Em pesquisa encomendada pela ZDG, metade dos alemães entre 16 e 29 anos disse preferir carne de aves, e 80% afirmaram consumi-la pelo menos uma vez por semana. Sabor, teor de proteína e valor nutricional foram os principais motivos citados. O estudo também mostra que 55% dos consumidores das gerações Z e millennial se preocupam em consumir proteína suficiente.
Oportunidade para exportadores
A perspectiva de queda da autossuficiência alemã interessa diretamente aos exportadores, incluindo o Brasil, que já chegou a responder por cerca de um terço das importações de frango da União Europeia vindas de fora do bloco. O acesso brasileiro ao mercado europeu, porém, segue restrito enquanto se aguarda a decisão sobre a reabertura.
Da Redação, com informações da Poultry World/Food & Agribusiness World




