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Com US$ 1,7 bi no caixa, empresa do fundador da Uber sai das sombras e amplia aposta na América Latina

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Travis Kalanick quebrou o silêncio sobre a CloudKitchens, empresa de dark kitchens que ele passou a liderar em 2018, um ano após sua polêmica saída da Uber.

A empresa, que operou em modo stealth por oito anos, recebeu um aporte de US$ 1,7 bilhão e se transformou em uma holding, com braços também nos setores de mineração e transportes.

Na América Latina, porém, essa nova fase ainda está mais concentrada no segmento de alimentação, agora sob a marca NovaKitchens. Essa mudança é acompanhada por uma estratégia de diversificação além do delivery, com dois novos formatos: centros de produção, que atendem indústrias e restaurantes, e “Virtual Operators”, que funcionam como hubs de abastecimento.

Esses novos modelos representam 20% da operação na América Latina e visam oferecer soluções mais estáveis e com contratos de maior prazo para a companhia, que tem 14 unidades apenas no Brasil, que somam 438 cozinhas.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

“Sangrei, mas não morri. Me levantei e lutei para voltar à arena, à minha vocação. Voltar a construir”. Foi com essas palavras que, em março deste ano, Travis Kalanick, o fundador da Uber, interrompeu o silêncio à frente da CloudKitchens, empresa de dark kitchens que ele vinha comandando em modo stealth desde 2018.

O tom de desabafo tem origem em sua saída polêmica da Uber, um ano antes, em meio a disputas com o conselho e a acusações sobre assédio moral, sexual e a cultura tóxica da empresa que ele ajudou a fundar e que, até então, liderava.

Quase uma década depois, a volta aos holofotes de Kalanick com a CloudKitchens foi selada com um aporte de US$ 1,7 bilhão, liderado pela Andreessen Horowitz (a16z). Curiosamente, a rodada também trouxe a Uber para a base de acionista da empresa, entre outros nomes.

Na nova fase, a empresa foi rebatizada como Atoms, ganhou status de holding e passou a abrigar outras duas teses, em mineração e transportes. Mas na América Latina, o primeiro reflexo desse movimento veio na CloudKitchens, o pilar original do grupo, que também quer “sair das sombras” na região.

“Nós trabalhamos em silêncio, no escuro, por praticamente oito anos”, diz Carolina Baldo, general manager da NovaKitchens para a América Latina, em entrevista exclusiva ao NeoFeed. “Agora, é a hora de fazer barulho e, finalmente, contar o que nós construímos durante esse tempo e o quão grande nós somos.”

O primeiro passo nessa direção foi justamente renomear a operação latino-americana como NovaKitchens, marca que unificou as três bandeiras usadas até então na região, onde desembarcou em 2020 – KitchenCentral, no Brasil, PopKitchens, no Chile, e Cocinas Ocultas, no Peru.

Nesse mapa, o Brasil responde por 64% da presença da NovaKitchens, com 14 unidades, sendo 11 em São Paulo e três no Rio de Janeiro. Juntas, elas somam 438 cozinhas, contra outras 245 distribuídas entre nove unidades no Chile e no Peru.

Travis Kalanick

Até pouco tempo, esses espaços eram ocupados basicamente por operações voltadas ao delivery, com restaurantes dispostos a estender seus raios de entrega sem que para isso tivessem que fazer grandes investimentos.

Agora, como parte dessa sua saída dos bastidores, a NovaKitchens também está ampliando seu escopo. Na busca por atender outros clientes e ir além do canal de delivery, a empresa começou a trabalhar recentemente novos formatos na região, sob o conceito de Kitchen-as-a-Service.

Essa guinada passa por duas novas linhas. A principal delas são os centros de produção. Nesse modelo, as cozinhas operam atendendo indústrias, restaurantes, padarias e empresas que precisam centralizar a fabricação dos seus produtos em diferentes prateleiras do setor de alimentação.

Baldo não revela nomes que já recorrem a esse formato na região, mas cita exemplos que vão desde companhias que produzem itens sem glúten e comidas para pets até empresas que respondem pela alimentação em universidades e até mesmo por cafés da manhã em propriedades do Airbnb.

Essa oferta vem sendo trabalhada desde o início do ano e ganhou força em abril, com o rebranding da operação. Atualmente, o formato já representa 20% da operação na América Latina. No mercado brasileiro, essa fatia gira entre 12% e 13%.

Se o perfil de clientes é diferente do segmento do delivery, os argumentos para convencê-los são similares. “São empresas que já chegaram ao seu limite de produção e quem expandir essa capacidade com um capex inicial muito menor”, diz Baldo.

Embora ressalte que esse capex e também o retorno do investimento nos modelos propostos pela NovaKitchens variam de acordo com cada projeto, ela observa que a economia inicial é, em média, de 50%.

Com essa mesma orientação, o segundo novo formato é batizado de “Virtual Operators”. Nele, a empresa reserva espaços em suas instalações para serem usados como hubs de abastecimento e de entrega para última milha.

Os “ingredientes” à disposição nesse modelo também são amplos e envolvem desde categorias como comida congelada, sorvetes e açaí até diferentes tipos de doces, bolos, pizzas congeladas, caldos de osso e vinhos. Essa diversificação ajuda a explicar o investimento nessas duas novas linhas.

Carolina Baldo, general manager da NovaKitchens para a América Latina

“Ninguém quer ter os ovos em uma só cesta”, afirma Baldo. “O segmento de delivery no Brasil cresceu muito e está longe de estar saturado, tanto que está atraindo novos operadores. Mas o mercado de alimentação é muito maior que isso.”

Ela acrescenta: “E esses novos formatos trazem mais estabilidade”, observa. “Os centros de produção, por exemplo, são mais propícios para contratos de três, quatro, cinco anos, justamente porque eles não são tão dependentes da volatilidade do mercado de delivery”.

Robôs no cardápio?

Enquanto a NovaKitchens finca os pés em novos segmentos, Baldo ressalta que a companhia não definiu os próximos passos do seu plano de expansão de unidades na região. Da mesma forma, a empresa ainda avalia o que pode incorporar e importar das novas teses propagadas por Kalanick na Atoms.

Quando rompeu o silêncio sobre a CloudKitchens e a Citi Storage Systems, sua controladora, Kalanick destacou o foco na “inteligência artificial industrial”, na transição de “bits para átomos” e no uso de softwares, sensores e robótica para automatizar por completo grandes setores da economia.

No braço de alimentação do grupo, essa abordagem se traduz, por exemplo, na Lab37, divisão de automação da Atoms, e no desenvolvimento de tecnologias como uma linha de montagem robótica para a preparação de refeições.

“A empresa ainda está mais no ambiente de testes, de como fazer isso numa escala maior. E, infelizmente, para a região, temos uma barreira adicional que é o câmbio”, diz Baldo. “Mas já estamos avaliando e devemos começar a trazer parte dessas soluções para cá em 2027”.



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