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Brasil não escapa da correção de ativos (vença Flávio Bolsonaro ou Lula)

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Após o segundo turno da eleição presidencial no Brasil, o mercado financeiro reagirá independentemente do vencedor, seja Luiz Inácio Lula da Silva ou Flávio Bolsonaro. A expectativa é de correções nos preços dos ativos, com a vitória de Flávio já precificada e a de Lula menos certa. Desde o primeiro turno, o Ibovespa superou 200.000 pontos, o dólar está em torno de R$ 5,00 e os juros de 10 anos variam entre 12,5% e 13%.

A crença de que Flávio promoverá uma política fiscal mais responsável atraiu investidores, enquanto Lula é visto como propenso a gastos excessivos. O Indicador de Condições Financeiras do Banco Pine mostrou melhora após o primeiro turno, mas a volatilidade permanece alta, com o VIX Brasil atingindo recordes. A definição do novo governo influenciará as condições financeiras e o crescimento econômico, especialmente em 2027.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Enquanto praticamente a metade dos eleitores no País estará desapontada com o resultado do segundo turno da eleição para Presidente do Brasil, a outra metade de apoiadores e simpatizantes do vencedor deverá atravessar a madrugada de domingo, 25 de outubro, para a segunda-feira, 26 de outubro, em ruidosa comemoração, a despeito de um placar absolutamente estreito já antecipado por pesquisas de opinião.

No entanto, a primeira reação que “vale dinheiro” no bolso de apostadores ou no caixa de instituições virá do mercado financeiro seja quem for o eleito. A vitória do incumbente Luiz Inácio Lula da Silva ou do senador Flávio Bolsonaro deverá patrocinar correção maior ou menor de preços dos ativos – inevitável, segundo operadores.

Desde 5 de outubro, após o primeiro turno, o Ibovespa supera 200 mil pontos; o dólar ronda R$ 5,00 e o juros de 10 anos passou a oscilar entre 12,5% e 13%. Na virada do mês estava em 14%. A redução do diferencial de votos entre Lula e Flávio, num cenário internacional nebuloso sob nova escalada do preço do petróleo e às vésperas da decisão do Federal Reserve sobre juros na quarta-feira, 28, vem impondo, contudo, maior cautela aos investidores que buscam proteção para suas posições.

É improvável, porém, que juros, dólar e ações tenham comportamento neutro no “day after”. Para agentes consultados pelo NeoFeed, ativos que passaram, inclusive, por um rali nas últimas semanas embutem nos preços maior probabilidade de vitória de Flávio do que uma eventual derrota. Lula reeleito tende a patrocinar correções mais expressivas na abertura dos negócios na segunda-feira, 26, porque os preços carregam chance maior de Lula derrotado nessa que é sua sétima candidatura à Presidência.

Essas expectativas estão ancoradas, sobretudo, no fato de os investidores terem se alinhado claramente ao senador pela crença de que ele e sua equipe econômica terão maior responsabilidade fiscal. No outro extremo, a avaliação corrente consolidada há meses é a de que um governo Lula 4.0 não será diferente do 3.0 a ser encerrado com gastos além da conta. Turbinado, também, por decisões populistas anunciadas a toque de caixa visando a reeleição e a ponto de desestruturar a proposta de Orçamento da União de 2027.

Exemplo da positiva reação do mercado à eventual vitória de Flávio Bolsonaro foi identificada e mensurada pelo diretor de Pesquisa Econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, logo após o resultado do primeiro turno, em 4 de outubro. O Indicador de Condições Financeiras da instituição (FCI-Pine) mostrou queda na restrição. Excelente notícia para a economia se a trajetória benigna perdurar, lembra o executivo ao NeoFeed.

“O movimento decorreu principalmente da queda dos juros futuros, acompanhada pela valorização do real ante o dólar, pela redução dos prêmios de risco e pelo desempenho favorável do mercado financeiro como um todo. Depois da melhora observada após o primeiro turno, o FCI Pine está de lado”, informa Oliveira que aponta o desfecho da eleição como gatilho para redefinição das condições financeiras prevalentes no Brasil.

Condições financeiras

“Quanto maior o indicador, mais restritivas são as condições financeiras e valores próximos de zero representam neutralidade. Na véspera do primeiro turno, o FCI estava em aproximadamente 0,34. Após o resultado da eleição e o fechamento expressivo da curva de juros, recuou para cerca de 0,19 — uma queda próxima de 45%. As condições financeiras associadas aos juros locais, portanto, continuam restritivas, mas se tornaram significativamente menos apertadas e se aproximaram da neutralidade”, explica.

Depois dessa reação ao primeiro turno, o indicador permaneceu relativamente estável, pontua Oliveira. “Nas últimas duas semanas de contagem regressiva ao segundo turno, dado o cenário persistente de empate técnico entre os dois candidatos como apontaram os institutos de pesquisa, os movimentos dos principais ativos se tornaram mais suaves com investidores, gestores e tesoureiros ainda atentos, porém, às pesquisas, repercussão dos debates, dados de inflação e de atividade.”

Oliveira observa que se o resultado do segundo turno for favorável à política fiscal mais austera, que viabilize corte mais acelerado da taxa de juros, o impulso contracionista proveniente das condições financeiras poderá ser menor nos próximos trimestres.

Como os efeitos das condições financeiras sobre a atividade ocorrem com defasagem estimada entre seis e doze meses, a mudança positiva tende a beneficiar sobretudo o crescimento econômico ao longo de 2027, por meio de condições mais favoráveis para o crédito, o investimento e o consumo de bens sensíveis aos juros. Cenário que traduz, na avaliação do diretor do Pine, a perspectiva de vitória de Flávio Bolsonaro.

Feita a ressalva sobre o desfecho nas urnas, a ser conhecido apenas no domingo, 25, à noite, Oliveira considera prematuro incorporar a possibilidade de ajuste mais positivo às projeções de atividade. Ele insiste que a melhora das condições financeiras e sua persistência dependerá, de fato, do final da eleição. Mas não só. Conta também a composição da equipe econômica e sinalizações do candidato eleito sobre política fiscal.

“Por essa razão, mantivemos, para 2027, nossa projeção de crescimento de 0,8% para o Produto Interno Bruto e de 0,4% para a absorção doméstica. Mas reconhecemos que uma flexibilização duradoura das condições financeiras poderá favorecer a atividade em 2027.”

São esperadas correções de preços de ativos no pós-eleição que não eliminam, porém, episódios de volatilidade mais acentuada. Movimento que, aliás, tem caracterizado os negócios especialmente a partir de setembro. O Índice S&P/B3 Ibovespa VIX ou VIX Brasil, conhecido como o “índice do medo”, vem renovando recordes e segue pressionado.

Em janeiro, o VIX era cotado a 16,25. De setembro para outubro, o indicador passou do patamar de 32 para a faixa de 39 a 40. Na quinta-feira, 22 de setembro, ultrapassou 44. Mas testou máximas inéditas durante as operações na última semana, alcançando 46,98.



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