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O Itaú anunciou a compra de 100% da NeoSpace por R$ 2,92 bilhões, marcando um novo estágio na relação com a startup de inteligência artificial, na qual já investia desde 2025.
A decisão foi influenciada pela busca da NeoSpace por novos investimentos e pela conexão prévia do Itaú com os fundadores da startup, que também criaram a Zup, comprada pelo banco em 2019.
O CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, destacou a importância de aprofundar a parceria para acelerar a transformação digital do banco. A NeoSpace, que continuará operando de forma independente, trará expertise em Large Data Models, permitindo ao Itaú utilizar seus dados para melhorar o relacionamento com os clientes.
A aquisição visa integrar soluções de IA nas operações do banco, com foco em personalização e eficiência, além de potencializar a plataforma de IA generativa i.ai, que já conta com 3 milhões de usuários.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Ao anunciar a compra de 100% da NeoSpace na manhã desta segunda-feira, 26 de outubro, em um negócio de R$ 2,92 bilhões, o Itaú estabeleceu um novo marco no relacionamento com a startup de grandes modelos fundacionais de inteligência artificial (IA) na qual investia desde o início de 2025.
A aquisição de 100% da companhia foi assinada num momento em que a NeoSpace, fundada no fim de 2023, negociava uma nova rodada de investimentos onde buscava captar até US$ 250 milhões e alcançar uma avaliação de US$ 1,25 bilhão, o que foi crucial para a decisão do banco em assinar o cheque bilionário.
“Nós entendemos que era um ponto de oportunidade”, diz Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú, ao NeoFeed. “Ou seguíamos como um cliente importante da NeoSpace ou faríamos uma aproximação ainda maior e ela passaria a ter um papel essencial de acelerar nossa jornada de transformação com IA”.
A escolha pela segunda opção foi embalada por uma série de racionais, cujo ponto de partida foi relacionamento prévio do Itaú com os nomes por trás da startup, que já haviam fundado a Zup, empresa de software e serviços comprada pelo banco em 2019, por mais de R$ 500 milhões.
Essa conexão se estendeu à NeoSpace, fundada em 2023 por Felipe Almeida, Gustavo Debs, Thiago Almeida e Bruno Pierobon, que também ocupa o posto de CEO da startup.
Maluhy ressalta que, na época da criação da startup, o Itaú entendeu que era o momento de fazer um esforço conjunto e trabalhar com dados exclusivos do banco para testar e desenvolver a quatro mãos a tese de alavancar a IA, o que abriu caminho para diversas oportunidades já mapeadas.
“Houve uma simbiose enorme de relacionamento e muita fluidez na interação com os negócios e no desenvolvimento de novas soluções, porque o Bruno e o time da NeoSpace são de casa”, diz o CEO do Itaú. “E ele passou a ser a nossa pessoa de referência nessa agenda de IA”.
Agora, com o novo estágio estabelecido pelo acordo anunciado hoje, Pierobon passa a ser sócio e diretor do Itaú, e seguirá no comando da NeoSpace, que continuará operando de forma independente, mas totalmente conectada às operações e demais áreas do banco.
“Agora, o foco vai ser alavancar o Itaú. Nossa cabeça está muito mais no sistema financeiro e, principalmente, em potencializar o banco”, afirma ao NeoFeed, Pierobon, que destaca como essa relação mais próxima pode beneficiar a startup.
“Nós falamos com praticamente todos os bancos globais e é impressionante como o Brasil está na vanguarda”, diz ele. “E é difícil encontrar uma empresa como o Itaú, com volume de dados, vontade e visão para realmente criar tecnologia de ponta”.
Quem também elenca os racionais e os potenciais avanços por trás da aquisição é Ricardo Guerra, CIO do Itaú. Entre eles, a combinação entre o conhecimento do time de cerca de 80 pesquisadores da startup com toda a bagagem acumulada pelo Itaú, bem como sua base de 70 milhões de clientes.
“A NeoSpace se encaixa muito bem na nossa estratégia de colocar o cliente de fato no centro”, afirma Guerra ao NeoFeed. “Estamos adquirindo, acima de tudo, capital humano capaz de construir soluções tão boas como as que nós vemos no resto do mundo”.
Sob essa ótica global, um dos pontos que chamaram a atenção do Itaú é a tese da NeoSpace de investir num conceito que a startup classifica como Large Data Model (LDM), que difere dos chamados Large Language Models (LLM) propostos por gigantes como OpenAI, Anthropic, Meta e Google.
Além de interpretar qualquer formato de informação em volumes massivos, a plataforma da NeoSpace permite que as empresas construam e treinem seus modelos de IA com seus próprios dados. E, a partir disso, antecipem padrões de comportamento e melhorem o relacionamento com seus clientes.
“Nós temos a capacidade de usar o conhecimento acumulado em 100 anos do Itaú e nossos dados”, diz Guerra. “Nós conhecemos muito mais o nosso cliente do que as big tech genéricas de inteligência artificial e, com isso, temos a capacidade de entregar uma experiência diferenciada”.
O CIO ressalta que isso não exclui o uso das IAs mais genéricas desses players globais. Mas reforça que a escolha por modelos desenvolvidos a partir da plataforma da NeoSpace tem sido a alternativa adotada quando há necessidade de recorrer a dados internos do banco e ao capital humano.
“Estamos vendo o mundo começar a usar agentes autônomos e precisamos ter muito controle e investimento para garantir que isso não traga nenhum risco adicional”, afirma Guerra. “E a NeoSpace vai ser fundamental nisso”.
Até aqui, essa combinação de forças já vinha sendo testada pelo Itaú e a NeoSpace com maior ênfase nas frentes de crédito, fraude e de CRM (sistemas de relacionamento com clientes). E já trouxe como resultado bons avanços nessas esferas.
“Nós vimos modelos maduros que já vínhamos desenvolvendo saltando 10 pontos percentuais em acurácia, de uma forma mais eficiente, inclusive, que os modelos de LLM fazem”, diz Maluhy. “São saltos quânticos e substancialmente maiores do que aqueles que o banco já vinha conseguindo”.
Embora não revele detalhes, o CEO do Itaú observa que, com a NeoSpace agora dentro de casa, um dos objetivos é acelerar os desenvolvimentos dos produtos para o banco. Afinal, depois de a compra ser aprovada por todos os órgãos reguladores e de a NeoSpace entregar e encerrar os contratos com outros clientes, a companhia vai se dedicar 100% ao Itaú.
Um dos principais objetivos é avançar nessa conversa com os clientes, saindo da lógica de hiper personalização em escala para uma abordagem mais individualizada nas interações com esses usuários.
“Não tenho dúvida que isso vai ser um propulsor importante para o Itaú deixar de ser apenas um banco transacional consultivo e ser mais conversacional”, diz Maluhy. “Especialmente no varejo, onde, na nossa visão, ser eficiente é uma necessidade e não um desejo”.
Uma das iniciativas no centro desse novo diálogo é a i.ai, plataforma de IA generativa lançada pelo Itaú no fim de julho, inicialmente, com 300 mil usuários. Atualmente, a ferramenta já está disponível para 3 milhões de clientes e a meta é estender seu uso a toda base de correntistas até o fim de 2026.
“Tem assuntos sobre os quais a i.ai ainda não sabe falar. Mas, cada vez mais, ela aprende com os dados que vamos colocando e com as conversas com os clientes. É uma construção”, diz Guerra. “Então, ela vai ganhar maturidade e criar essa capacidade ao longo do tempo. Estamos só começando”.




