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Virada de Lula reverte rali eleitoral e derruba ativos brasileiros antes da abertura da B3

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Bloomberg Línea — O dólar saltou cerca de 11% no mercado futuro na noite deste domingo (25), depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reelegeu para o quarto mandato com 51,78% dos votos no segundo turno. O mercado começou a devolver os ganhos que acumulou nas últimas semanas com a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro (PL), e um fundo que replica a bolsa brasileira no Japão afundou 14%.

A moeda americana chegou ao equivalente a R$ 5,56 na bolsa de derivativos CME, em Chicago, contra R$ 5,01 no ajuste da sessão anterior. No pico, bateu R$ 5,68. O contrato futuro de real para novembro, base dessa conversão, caiu 9,89%, para US$ 0,1799, com 75,1 mil contratos negociados até as 22h14 de Brasília, segundo dados da CME.

Leia também: Lula é reeleito com 51,77% no segundo turno e chega ao quarto mandato na presidência

O recuo é ainda mais intenso na bolsa de Tóquio. O NEXT Funds Ibovespa Linked (1325.T), fundo de índice que segue o Ibovespa, caiu 47 ienes, ou 14,37%, para 280 ienes às 21h52 de Brasília, manhã de segunda-feira (26) no Japão.

A perda supera com folga a alta de quase 8% que o mesmo fundo registrou após o primeiro turno, quando Flávio liderava a apuração.

O movimento confirma o roteiro que parte dos estrangeiros já traçava para uma vitória do petista. O banco privado suíço Lombard Odier prevê que o real deve continuar em queda e que a volatilidade seguirá elevada nos próximos dias, segundo a Bloomberg News.

“É inevitável que os mercados revertam uma parcela significativa do rali de Bolsonaro que começou há algumas semanas, e a volatilidade vai persistir no curtíssimo prazo”, afirmou Homin Lee, estrategista do Lombard Odier em Singapura, à Bloomberg News.

Virada sem precedente desde 1988

A intensidade da reação tem explicação no tamanho da surpresa. Para Lee, o resultado contrariou o consenso do mercado antes do segundo turno porque é a primeira vez, desde a promulgação da Constituição de 1988, que um candidato derrotado no primeiro turno vence a disputa final.

Antes da votação, analistas ouvidos pela Bloomberg News já associavam uma vitória de Lula à queda das ações e à pressão sobre o real. O JPMorgan (JPM) estimou, em nota de 29 de setembro, que um cenário de deterioração fiscal gradual poderia derrubar as ações brasileiras em 21% e desvalorizar o real em cerca de 6%.

Leia também: Dólar futuro dispara com reeleição de Lula e ETF brasileiro no Japão despenca 13%

A queda do real em uma única noite, de 9,89% no contrato futuro, já supera, portanto, a desvalorização que o banco americano projetava para um quadro de piora fiscal lenta. A abertura da B3 nesta segunda-feira (26) vai mostrar se o ajuste noturno se confirma no mercado à vista ou se parte dele foi exagero de liquidez reduzida.

O que ainda sustenta os ativos brasileiros

Mesmo com a previsão de turbulência, o estrategista do Lombard Odier vê fundamentos que vão além da disputa política e podem amortecer a saída de recursos.

“A eleição não é o único argumento a favor dos ativos do Brasil, dada a sua avaliação atrativa e o forte posicionamento cíclico como potência em commodities em meio ao conflito no Oriente Médio e ao boom global de investimentos”, disse Lee à Bloomberg News.

Para quem precisa se proteger no novo cenário, o Citigroup (C) recomendava, antes da votação, empresas com poder de repassar preços, como Embraer (EMBJ3), WEG (WEGE3) e Axia Energia (AXIA3).

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