A Justiça Federal de Marília autorizou a devolução do passaporte e liberou viagens ao exterior de um advogado e empresário investigado na Operação Sinon, da Polícia Federal (PF). O profissional atua no Jardim Tangará, na zona leste da cidade.
A decisão foi tomada depois que o advogado entregou à Justiça dois celulares e um computador que estavam nos Estados Unidos. Com isso, o juiz da 1ª Vara Federal de Marília entendeu que não havia mais necessidade de manter a restrição de viagens.
O advogado havia sido impedido de deixar o Brasil enquanto a Justiça aguardava a recuperação dos equipamentos, considerados importantes para a investigação.
Os aparelhos tinham sido retidos pela alfândega norte-americana e posteriormente devolvidos por meio da Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília (DF). Após recuperá-los, o investigado fez a entrega voluntária à Justiça Federal.
Agora, os celulares, o computador e outros materiais apreendidos serão encaminhados para análise da Polícia Federal. O juiz determinou que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) seja avisada com pelo menos 24 horas de antecedência, para acompanhar os procedimentos e proteger informações de clientes que não têm relação com a investigação.
Juiz reconhece falha em busca da PF
Na mesma decisão, a Justiça analisou uma reclamação da defesa sobre as buscas realizadas em dois endereços ligados ao advogado em Marília.
Segundo a defesa, os policiais cumpriram o mandado no escritório localizado na avenida das Esmeraldas sem a presença de representantes da OAB, embora o acompanhamento tivesse sido determinado pela Justiça.
O juiz reconheceu que a Polícia Federal não cumpriu integralmente essa exigência, já que a entidade acompanhou apenas a busca na residência do investigado.
Apesar disso, o magistrado não identificou má-fé na atuação dos policiais e rejeitou o pedido de anulação imediata das provas recolhidas.
Investigação continua
A liberação do passaporte não encerra a investigação da Operação Sinon, que apura suspeitas de vazamento de informações sigilosas e repasse de vantagens indevidas.
O caso envolve um delegado de polícia, o advogado — que já foi sócio da autoridade policial — e outros cinco investigados.
Segundo a investigação, contas de empresas das quais o advogado é sócio, com atuação nos setores de tabaco e mercado de capitais, teriam sido utilizadas para movimentar valores suspeitos destinados ao delegado.
As suspeitas continuam sob apuração e a decisão sobre o passaporte não representa uma conclusão sobre a responsabilidade dos investigados.




